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Endividamento das empresas públicas vai para a banca

Informação FECTRANS 010/2014

Nos últimos dias tem sido muito noticiado o aumento do endividamento das empresas públicas de transportes, de uma forma que visa passar a ideia que o problema central é o facto de as empresas serem públicas e não as políticas e a gestão que é feita.

O problema central das empresas públicas resulta da(o):

Desorçamentação – As empresas passaram a pagar investimentos em infraestruturas de longa duração, sendo obrigadas a recorrer ao financiamento bancário;

Subfinanciamento – Foram impostas obrigações de serviço público, pagas com indemnizações compensatórias abaixo do necessário:

Serviço da dívida – que em cada ano custa mais às empresas.

Com efeito, entre o 2º trimestre de 2011 e o 2º trimestre de 2013, de acordo com os dados do Relatório Trimestral ao Sector Empresarial do Estado, em apenas 6 empresas públicas o endividamento aumentou 2514 milhões de euros.

Os salários não explicam endividamento – Não decorre dos salários o aumento do endividamento, até porque os encargos com pessoal têm vindo a diminuir em virtude dos diversos roubos que estão a ser feitos a quem trabalha.

No primeiro semestre de 2013, nas mesmas 6 empresas (CP, REFER, METRO PORTO, METRO LISBOA, CARRIS e STCP) os encargos com pessoal foram de 187,436 milhões de euros.

Responsabilidade também não é dos utentes – O aumento brutal dos títulos de transportes – 30% desde a entrada deste governo – de modo algum pode ser responsabilizado pelo aumento do endividamento.

No primeiro semestre de 2013, o volume de negócios nestas empresas foi de 294,446 milhões de euros.

Não são os salários dos trabalhadores e o custo dos utentes que são responsáveis pelo aumento do endividamento em 1086,764 milhões de euros, no 1º semestre de 2013.

“Swaps” e pagamento de juros são a justificação do aumento do endividamento

Em 6 meses o governo transferiu para a banca privada 863 milhões de euros em “swaps” destas 6 empresas. Mas o governo nada pagou, mais uma vez obrigou as empresas públicas a endividarem-se para pagar parte dos “swaps”.

E relativamente a estes negócios ruinosos, nestas 6 empresas, ainda existem 34 contratos de “swaps” cujas perdas potenciais são de 1429,467 milhões de euros.

Os juros são outras das componentes que explicam o aumento do endividamento. Em 2011 e 2012, em juros, 8 empresas públicas (as atrás referidas mais a Transtejo e Soflusa) pagaram 1646,3 milhões de euros, que é muito superior ao pago em salários – 556,7 milhões de euros.

O roubo aos trabalhadores e utentes, não resolve problema das empresas públicas e vai todo direitinho para a banca, qua assim sangra e destrói as empresas públicas e a componente social do serviço por testas prestado.

FECTRANS