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Comboio continua a apitar em Malanje a conta-gotas

Angola-CFMCrise nos CFL. Depois de tanto dinheiro gasto, tanto trabalho e expectativa, o comboio vai à Malanje de quando em vez. Em Luanda o serviço é cada vez pior e, pelo que se vê, daqui a pouco nem linha férrea haverá

Foi grande a alegria quando se soube que, em tempo de paz, o comboio voltaria à província de Malanje. Depois de muito dinheiro gasto e de um esforço titânico dos trabalhadores angolanos e expatriados, aconteceu a primeira viagem Luanda/Malanje, faco que trouxe alegria e optimismo ao povo.

Porém foi sol de pouca dura porque, muito pouco tempo depois, as populações do corredor Luanda/Malanje começaram a reclamar porque o comboio diminuíra os dias de circulação. Das três viagens semanais foram reduzidas para uma. As coisas aconteceram e não houve qualquer comunicado da empresa a explicar as razões, numa autêntica falta de respeito pelos consumidores e pela população em geral.

A população, que se apercebeu do facto por si mesma e através de suposições, ficou bastante apreensiva e a situação inesperada causou grandes transtornos aos que já tinham programado as suas viagens para esta ou aquela localidade. Quem mais sofreu com a redução de viagens foram os camponeses e comerciantes.

Como se não bastasse, a própria linha está como que votada ao abandono e já começa a entrar para uma fase que pode ser considerada lastimável e pode, brevemente, chegar ao ponto crítico. Não se pode compreender que num país como Angola se reabilitem constantemente infra-estruturas para, volvidos alguns dias, tudo voltar à estaca zero. São centenas de milhões de dólares gastos para depois não trazer benefício nenhum aos mais interessados que são as populações do país.

Por este andar, o comboio de transporte intermunicipal que vai de Luanda à Catete, dentro de dias também poderá deixar de funcionar pelos motivos citados, mas também pela rápida degradação dos meios como locomotivas e carruagens. Acresça-se a isso o aparecimento constante de pequenos mercados informais próximo da linha ferroviária, sobretudo na província de Luanda, situação que leva à acumulação de lixeiras em plena linha. Mesmo ao redor das estações e apeadeiros, a situação deixa a desejar, com muitos focos de lixo que cresce cada dia que passa, sem que os responsáveis do CFL ou os seus parceiros façam para acabar com o mal e melhorar a situação.

O caminho-de-ferro é uma empresas em que se cruzam uma série de serviços que se complementam uns aos outros para o bom desempenho das suas actividades, assim como para o bem-estar e segurança quer dos utilizadores dos comboios mas também do seu próprio pessoal. Hoje por hoje não se vê quem, quando e como se faz a manutenção da linha, os semáforos e alarmes deixaram de funcionar em algumas passagens de nível e ninguém faz algo para melhorar a situação que, mais dia, menos dia, pode descambar num acidente de proporções graves. Depois, como já é habitual entre nós vai-se correr atrás de «bodes expiatórios» e do prejuízo.

Já aconteceu, recentemente, que por falta de circulação constante de comboios neste corredor e também por falta dos técnicos de manutenção da linha que, antigamente, circulavam de baixo para cima e vice-versa nas chamadas vagonetas, os «amigos» do alheio e do lucro fácil, subtraíram uma grande quantidade de carris. Felizmente a situação foi descoberta a tempo sem que acontecesse qualquer incidente.

O Semanário Angolense fez tentativas para falar com algum dirigente do CFL, porém sem sucesso. Contudo, voltaremos ao assunto, numa altura em que já se propala que o Caminho-de-Ferro de Luanda será vendido à privados.

JOÃO SILVA/SEMANÁRIO ANGOLENSE