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Casa do Alentejo acolhe Encontro Nacional de Ferroviários

fer18Fev_Organizações de representantes dos trabalhadores (ORT) ferroviários no activo e reformados estiveram presentes hoje na Casa do Alentejo para debater a actual conjuntura do sector. O Encontro Nacional de Ferroviários foi promovido no passado dia 4 de fevereiro e organizado pelas Comissões de Trabalhadores (CT) da EMEF, REFER, CP, CP Carga, e Associação de Reformados Ferroviários.

Uma sala composta no Salão Nobre da Casa do Alentejo recebeu os representantes dos ferroviários. Da reunião  saiu uma resolução aprovada pelas ORT  e reformados presentes, com as reivindicações que os  trabalhadores das diversas empresas do sector ferroviário defendem e querem ver respondidas. Terminado o encontro os trabalhadores dirigiram-se depois, em manifestação, até à Calçada do Duque. Aí a resolução aprovada foi entregue  à admisitração do operador Comboios de Portugal, onde foi exigida uma resposta rápida com vista a abertura de diálogo.

casaAlentejo_Do encontro destacou-se nas intervenções  a necessidade de desenvolver acções de luta para o mês de março, de forma a reafirmar  a vontade de aumentar a resistência em defesa dos interesses dos trabalhadores. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário avançou datas para se realizar uma  jornada de luta no sector a 11 e 13 de março, com um Plenário Nacional de Trabalhadores da EMEF no Entroncamento e uma Greve de 24 horas na CP, REFER e CP Carga.

A privatização da EMEF foi outro ponto de interesse, com a FECTRANS  a sublinhar as preocupações da Comissão de Trabalhadores, na necessidade de encentar uma forma luta mais vincada. A separação e esvaziamento de postos de trabalho e competências na manutenção e investigação ferroviária, do ponto de vista das duas estruturas, está a acontecer, e  a aposta na privatização da empresa poderá tornar a EMEF numa segunda Sorefame.

O Regime de Concessões também esteve em cima da mesa, onde foi apontada a leviandade da administração da CP em assumir a responsabilidade na resolução do tema, e apontadas também as reduções nas viagens como um remendo que não é solução.

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Conclusões do encontro, apontamento com José Reizinho da Comissão de Trabalhadores da CP.

Resolução 

Na resolução aprovada, entregue de seguida na administração da CP, os presentes reivindicam:
O fim da redução e congelamento dos salários, reformas e pensões;
O cumprimento integral dos Acordos de Empresa em todas as suas matérias;
O imediato cumprimento do direito às concessões para todos os ferroviários e suas famílias;
O fim do processo em curso de liquidação e pulverização do Sector Ferroviário Nacional onde o único objectivo estratégico tem sido o criar de novas oportunidades de negócio para os grandes grupos económicos, custe o que custar aos ferroviários, aos utentes e ao país;
Por um Serviço Ferroviário público, de qualidade e seguro, que corresponda às necessidades do País e dos Portugueses.

E em defesa destas reivindicações, decidiram:
a) Exigir das Administrações das Empresas Ferroviárias e do Governo uma postura de maior seriedade na negociação colectiva, que só se pode basear no pleno cumprimento do previamente acordado.
b) Reafirmar que o processo em curso, onde o Governo rouba os bolsos dos ferroviários para as Administrações virem depois devolver umas moedas a troco da «paz social» é uma armadilha que levaria a uma progressiva aceitação de crescentes roubos;
c) Exigir a plena participação dos ferroviários e seus representantes nos processos de reestruturação em curso em todas as Empresas, que neste momento estão a ser realizados nas suas costas, numa negociação directa entre o Governo e o conjunto de grupos económicos que parasitam o sector;
d) Apelar ao reforço da luta e da unidade na acção em defesa das reivindicações constantes desta resolução, único caminho que levará, mais cedo do que tarde, à derrota da actual ofensiva contra os ferroviários e contra a ferrovia.”

 

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Rui Ribeiro