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“Amendoeiras em Flor” no Douro em 1953 já eram a cores

amendeiras_02A 16 de Abril de 1953 a Gazeta dos Caminhos de Ferro no seu número 1568, publicava um artigo sobre a primeira viagem “Amendoeiras em Flor”.  Guerra Maio, jornalista e escritor, colaborador da revista com pena para os temas do turismo, assinava então o artigo sobre um expresso popular.

A intenção de recuperar a primeira viagem do “Amendoeiras em Flor” pelo Douro, e procurar  curiosidades tipo máquina do tempo ou ponto de partida, vem a propósito do anúncio de mais uma temporada ferroviária da “Rota das Amendoeiras em Flor”. Pacote turístico que a Comboios de Portugal assinala como o mais antigo da empresa, e que remete para o ano de 1953.

Nós embarcamos em São Bento, a viagem de estreia também.  E esse ano de 1953 não podia começar de melhor maneira. ” O primeiro expresso popular do Porto à Barca d’Alva por ocasião das amendoeiras em flor, com derivação para Moncorvo, foi um sucesso. Anunciado na quinta feira 5 de março, na manhã de sábado 7, véspera de ele se realizar, tinha a lotação esgotada. “, referia à época  Guerra Maio, destacando o sucesso da iniciativa na ideia da Companhia.

Lugar à janela, mais à frente, do lado direito.  No artigo, o  jornalista começava a sonhar com o regalo para os olhos da paisagem do Alto Douro. Para o destacar galgava  as planícies das amendoeiras a sul, no Algarve, para não poupar nas palavras em valorizar o Riba Côa. Evocava o ” panorama do alto do Sapinho, sobre Barca amendeiras_00d’Alva estonteante pela sua grandeza e  pelos contrastes que oferece aos forasteiros”. E descreve as amendoeiras em flor  que ” vestem montados e ravinas, um quadro de beleza impressionante  “.

Na viagem talvez ainda sem o rio Douro à vista, e passado Campanhã e Ermezinde, pouco deveria faltar para romper. Mas no texto o jornalista, ou escritor, sonhava e preparava-se para assumir um papel mais distinto. Primeiro com  o olhar atento por mais uma viagem, ” E porque levar lá o lisboeta, sempre interessado em ver algo de novo e atraente?! O problema se não é fácil, também não é impossível. “  Depois, mais empolgado, para tomar de assalto na Companhia  depósitos, escalas,  e a planificação de compatibilizar a camionagem, em mais um produto de sucesso. Avança, ” os turistas poderiam sair da capital à mesma hora e em dois comboios. Um de Lisboa à Guarda, via Beira Baixa, e outro de Lisboa a Barca d’Alva. Da Guarda seguiriam de autocarro até aquela estação, admirando no trajecto a fidalguia de Pinhel, e gozando a beleza da estrada da Excomungada . O regresso seria pelo Douro, e os turistas que fossem por esta linha tomariam em Almendra ou Barca d’Alva aqueles  autocarros em direcção à Guarda, onde regressariam a Lisboa”. Do ponto de vista do autor uma volta por ” trajectos dos mais curiosos do país, por assim dizer inéditos “.

amendeiras_01Livração, Régua, Tua, e quase a passar para a margem direita do Douro, pouco falta para chegar ao Pocinho. Nós vamos ficar por lá, e seguir ao encontro  do mote deste passeio de ferroviário, a primavera e as amendoeiras em flor. Mas Guerra Maio continua quase até à fronteira, para Barca d’Alva, e como alquimista ferroviário tudo server para andar de comboio, ou então fazer expressos populares. ” Mas não são apenas as amendoeiras floridas que justificam expressos populares a Barca d’Alva e a Moncorvo. Igualmente o reclama a época das vindimas, pois não há nada que mais  console a alma que esses cachos torrados ao sol ardente do Douro  “.

E para terminar, com Bold, destacar  o escritor jornalista, ou jornalista escritor, numa fina imagem, ” nada que mais console a alma que esses cachos torrados ao sol ardente Douro “, e uma nota: as imagens do artigo escolhidas pelo vosso escriba são a preto e branco, e em sépia, mas à época e tal como hoje, a paisagem da viagem já era a cores.

Artigo de Guerra Maio AQUI

Amendoeiras em Flor 2014 AQUI

João Ricardo