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“Algum dia o ódio tem de acabar.”

fotografia 2Algum dia a paz retoma o lugar da guerra. Algum dia pensava eu poder ver um filme, projectado de película para a pálida tela, em pleno Museu Ferroviário de Lousado? Uma história de vida(s) tocadas pela guerra, pela tortura da guerra, projectada num local por onde já tantas outras vidas passaram, tanto por dentro como ao seu redor, caso deste rico lugar…

Acontece tudo por um acaso, com a rapidez de um Tweet e a antecipação dum aguaceiro inesperado, a boa nova chega de repente: “hoje há cinema em Lousado!” Vou então prontamente, e igualmente de repente, ver o que se janta, ver de gasolinas, ver de horários e de parvas ligações nesta e outra Gare, e aí vamos nós, vamos ao cinema!

Comboios na tela, Comboios detrás da telas, que ali nos isolavam das linhas de CF, por onde os contemporâneos persistiam em ainda ir passando… Os sons da guerra na tela, mexclando-se com os zumbidos eléctricos ou os simples rugidos do Diesel, e eis que de repente viajamos de 1942 até hoje, eis-nos ao “Intervalo” do filme nós chegados. O Bar da Estação de Lousado, pelos vistos e ao que consta, finou-se pelos inícios deste ano, e aqui pouco mais há do que um adequado WC e a grande, a extrema cortesia de quem bem nos sabe receber e há já muito assim nos vem habituando. O Staff deste Museu é impecável e só vejo um par de palavras para os descrever: TOP!

fotografia 5Voltamos para dentro, o projeccionista volta a ligar a maquinaria, e em breve quase me esqueço daquele martelar constante, que nos brinda com uma imagem fluida mas só aparentemente, porque na verdade “Há coisas que são tão más, tão humilhantes, tão feias, que não estou certo que algum dia às quereremos contar a alguém… Principalmente especialmente a alguém que amamos….” É está uma das frases marcantes do filme, quem a disse foi o “Tio” de Eric, pouco tempo antes de se suicidar, sob uma Linha de CF Inglesa, uma das mil que Eric já tinha percorrido, quase sempre em silêncio, desde o final da guerra e até ter conhecido “por não tão grande coincidência” quem viria a ser o amor da sua vida, Patti. Esta bela senhora é aqui interpretada por Nicole Kidman (Moulin Rouge, Eyes Wide Shut) que apesar de supostamente estar a fazer um papel de mulher mais “madura” é-lhe simplesmente impossível esconder tamanha beleza e outros demais atributos que por certo todos lhe reconhecerão…

fotografia 10Terminando quase por onde deveria ou poderia ter começado esta suposta crónica, tenho estado a referir-me neste texto ao excelente filme “The Railway Man”, que tem estreia marcada para a próxima quinta-feira nas salas de Cinema nacionais, mas que dois dias antes foi projectado em ante-estreia, em pleno espaço Museológico Famalicense, espaço Carrilano por excelência, e por vários motivos imensamente adequado a este filme, o Museu Ferroviário de Lousado, em Vila Nova de Famalicão.

Se mais motivos não houvera para visitar este lugar, aqui fica um desafio para um dia mais cá voltar. Porque de facto “a única coisa pela qual vale a pena lutar é ESTA VIDA”, e a vida são dois dias, e um é para acordar, como a música o diz e bem … E por falar em bem, pois um grande Bem Haja é merecido a todos os que tornaram possível, para mim e uma vintena mais de almas, esta que foi uma singular Noite Ferroviária, Uma Noite No Museu!

Daniel Nogueira

Valongo @ 2014.03.11

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