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Novo regime de exploração no troço Faro – Vila Real de Santo António até ao final do ano

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img: GlenBowman – Estação de Faro

De acordo com informações disponibilizadas pela Refer, até ao final de 2014 o regime de exploração no troço de via única entre Faro – Vila Real de Santo António, na Linha do Algarve, deverá passar de cantonamento telefónico para cantomento automático. Com a troca do modo de exploração manual para o modo automático vai deixar de ser necessário ter estações guarnecidas, e a segurança da circulação passa a ser baseada em sistemas automáticos.

Quando estiver operacional o troço deverá  ser controlado primeiro  desde Faro, para mais tarde passar a estar na tutela do  Centro de Comando Operacional (CCO) de Setúbal. A  mudança de regime vai permitir optimizar a rede e agilizar as circulações do operador ferroviário no tráfego de passageiros e mercadorias, através do  ” reforço da segurança e melhoria da qualidade e fiabilidade do serviço, contribuindo ainda para uma redução na ordem dos 20% nos custos diretos de exploração daquele troço de via”, indica fonte da Refer.

. A webrails.tv colocou algumas questões ao especialista em transportes Manuel Tão, docente na Universidade do Algarve, para procurar compreender os ganhos da automatização nas circulações e gestão da linha.

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Na base da futura mudança encontra-se a extensão do sistema de Comando Centralizado de Circulação (CTC), de Faro até Vila Real de Santo António.   Sinalização electrónica, controle de velocidade  e telecomunicações de exploração, vão então passar a comandar e controlar a circulação integrados num centro de comando computadorizado. A rede passa a ler a ocupação da linha nos cantões em que for dívida a exploração do troço. A via define a segurança  a ser executada através da detecção de ocupação  por um veículo ferroviário, e consequente  display de ordens por sinalização luminosa (vermelho, amarelo e verde) para definir distância de segurança entre comboios, onde o sistema passa a defenir também intenerários por sinalização e encravamento por  aparelhos de mudança de via automatizados.   Uma  intervenção que representa  para a Refer um investimento que ronda os 2,9 milhões de euros.

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Linha do Algarve

Com a entrada deste novo sistema, a tecnologia vai abrir as portas para se colocarem questões de ordem social e humana. No troço vão deixar de ser necessários quadros/pessoas afectos  à exploração. Profissões como  operador de manobras, para operar os aparelhos de mudança de via e dar apoio às manobras, ou operadores de circulação, para assegurar procedimentos de comando e controlo da circulação dos comboios nas estações, irão passar a ser  excedentários face às necessidades do sistema. O modo automático e os automatismos vão então passar a gerir intenerários, cruzamentos das circulações, e dar avanços em  estações actualmente guarnecidas como Olhão, Fuzeta e Tavira. A alteração de regime  irá colocar  uma redução significativa nos cerca de três dezenas de profissionais afectos à circulação, quadros que o CTC não vai assimiliar.

SITUAÇÃO DE ABANDONO E DEGRADAÇÃO NAS ESTAÇÕES DE COMBOIOS E APEADEIROS DO ALGARVE

img: sulinformacao.pt

Olhão, Fuzeta e Tavira, estações que a webrails.tv não conseguiu apurar, em contactos  junto das CM de Tavira e Olhão, e do gestor do património público ferroviário, a Refer, respostas concretas se está a ser feito trabalho para alternativas palpáveis de aproveitamento, quando se prevê que as estações fiquem desguarnecidas, e votadas ao abandono. Uma vez que as que se encontram devolutas na linha do Algarve, a serem exemplo, só como oportunidade para mostrar que se pensam  soluções e efectivam reutilizações  do espaço ferroviário.

Neste aspecto a resposta da Refer às questões colocadas sobre o património ainda guarnecido, “Embora conscientes da maior vulnerabilidade a que fica sujeito o património ferroviário aquando do desguarnecimento de estações, também é certo que, pela sua vastidão e diversidade, este é, em qualquer das circunstâncias, particularmente vulnerável, razão pela qual, através dos meios ao dispor e em cooperação com as entidades locais ou com a colaboração das forças policiais, a empresa tem procurado encontrar mecanismos de salvaguarda do património, a par com uma estratégia de valorização e requalificação comercial e patrimonial do edificado a cargo da REFER, tendo em vista a sua rentabilização considerando as diversas possibilidades de utilização em atividades de comércio, serviços ou habitação.”

A intervenção  no troço Faro – Vila Real de Santo António, está integrada num plano de investimentos (2007-2014), na Linha do Algarve, que globalmente ronda os 35 milhões de euros e que contempla, para além dos trabalhos mencionados, a reabilitação da via, o alteamento de plataformas, a supressão e reclassificação de passagens de nível e melhorias pontuais em edifícios de passageiros.

 

Rui Ribeiro