free web
stats

TrainSpotter nº45

Um ponto de vista actual, vincado e regular coloca a Trainspotter como referência no panorama português de publicações ferroviárias. Ricardo Quintas assina o editorial da Trainspotter nº45, onde a capa avança temas como Ramal do Corgo e Serpa para a edição Maio de 2014.

.

Passaram-se sensivelmente quatro anos de puro marasmo nos caminhos-de-ferro em Portugal. Assistimos a encerramentos de alguns troços de via férrea, vimos a infraestrutura a acusar seriamente a falta de manutenção em diversas ocasiões, o material circulante acusou o peso do serviço e da idade sem a merecida manutenção, e registou-se uma enorme queda no número de passageiros transportados. No fundo, quatro anos praticamente para esquecer na história ferroviária no nosso país..

Chegamos agora a meados de 2014 com poucos motivos para não esboçarmos pelo menos um ligeiro sorriso. Saúda-se o facto de finalmente um Governo, numa iniciativa inédita, ter apostado em criar um plano de investimento a seguir nos próximos anos. Pessoalmente, congratulo os agentes envolvidos pelo reconhecimento dos grandes constrangimentos do transporte ferroviário nesse segmento e pela aposta, assim se espera, na sua resolução. Mas também não posso deixar de apontar, em sentido contrário, aquela que foi, para mim, a maior lacuna do relatório elaborado pelo GT-IEVA, e posteriormente do plano de investimentos anunciado pelo Governo: o não reconhecimento da falta de competitividade do transporte de passageiros, em especial, devido ao facto dos serviços operarem ao lado de uma rede rodoviária excepcional, sobre linhas com traçados antiquados e desfasados da realidade. Infelizmente, apesar de exemplos com a Linha da Beira Baixa estarem bem à vista, poderá ser uma grande oportunidade perdida para o nosso país definitivamente fazer melhor neste capítulo, onde se continua apenas a dar importância à instalação de catenária. Se é verdade que o forte investimento em mercadorias trará alguns benefícios ao transporte de passageiros, também a União Europeia não se mostrou agradada com a pequena fatia direccionada aos passageiros. Vamos a ver até que ponto isso pode influenciar as decisões.

Outra nota positiva para a inversão na evolução do número de passageiros que entram nos nossos comboios. Finalmente a CP assumiu uma posição mais proactiva junto dos potenciais clientes, e tem-se desdobrado em múltiplas campanhas a preços mais atractivos, num momento em que, excepção feita à louvável introdução de internet a bordo nas composições de longo curso, a empresa não tem efectivamente introduzido mais nenhuma melhoria substancial no conforto ou serviço a bordo das composições (pelo contrário, o parque de longo curso mostra-se cada vez mais envelhecido). E os 53 mil passageiros transportados em serviços charter no ano passado, conforme anunciado recentemente, só vieram provar que esse é um segmento com grande potencial, onde a operadora pública pode e deve rentabilizar melhor os seus recursos.

Contudo, é de bom senso continuarmos a encarar o futuro com toda a prudência. A situação económica e financeira do país continua a ser uma incerteza e será assim que teremos que continuar a viver. Toda a motivação política actual a girar em torno dos caminhos-de-ferro, está sujeita a ficar esquecida, como tantas e tantas outras promessas políticas feitas ao longo destes quarenta anos volvidos desde o 25 de Abril de 1974.

A Trainspotter, a caminho já do seu quarto aniversário, é que não veio para ficar esquecida. Assim, nesta edição, além das habituais linhas dedicadas à actualidade, damos espaço a mais algumas memórias do nosso passado ferroviário, como o Ramal de Serpa e a Linha do Corgo. Boas leituras!

.

A revista digital TrainSpotter é editada pela equipa do Portugal Ferroviário, o número 45 em .PDF pode ser descarregado AQUI