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TrainSpotter nº46

A edição de Junho da publicação Trainspotter já está disponivel para descarregar. No número 46 pode destacar-se o trabalho desenvolvido em torno Comboio Presidencial a propósito da passagem pela Beira Baixa, e o do papel ferroviário no enredo dos transportes para a Liga dos Campeões, para além de outros ponto de partida. João Cunha assina o editorial da edição que marca 4 anos de Trainspotter. A redacção da webrails.tv deixa os seus parabéns, e aproveita para lançar o convite para conhecer o portal renovado do Portugal Ferroviário .

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Há quatro anos atrás, o primeiro número da Trainspotter tinha uma dimensão muito diferente das revistas que editamos actualmente. A circulação de comboios de contentores por Beja era a tónica do primeiro episódio desta autêntica saga sobre carris, por um troço que hoje em dia já nem está em serviço – o Ourique – Beja!

Nestes quatro anos, não foi só Ourique – Beja que fechou. Vimos a desclassificação das vias estreitas do Douro, o fim do Ramal de Cáceres e o fim do serviço de passageiros na linha do Leste. Vimos a saída das UTD 0600, das locomotivas 2600 e das locomotivas 1550, anunciámos até prematuramente o enterro das 1960 que, no entanto, continuam a circular na nossa rede, ainda que com um horizonte de vida cada vez mais limitado.

Assistimos à abertura da Variante de Alcácer, da subida do tráfego nos novos ramais do porto de Aveiro e da Siderurgia Nacional, à chegada a solo nacional das UTD 592 alugadas à Renfe e à definitiva afirmação das qualidades das 4700 no serviço de mercadorias.

Foram também quatro anos de um relativo arrefecimento do ímpeto inicial da liberalização do transporte de mercadorias, claramente influenciado pela localização periférica do país e pelo estado marginalizado que a nossa rede apresenta. E anos de recessão também no sector dos passageiros, com perdas de passageiros só ultimamente contrariadas.

E no entanto, com pequenas interrupções e alguns atrasos próprios de um projecto completamente descomprometido e assente na carolice da fantástica equipa que o tem realizado, a Trainspotter sempre esteve cá para realçar sobretudo o lado positivo das coisas. Mesmo que, muitas vezes, numa óptica de redescoberta e recordação de serviços extintos e de ramais ao abandono.

Uma das coisas mais notáveis nestes quatro anos tem sido a pujança do modelismo ferroviário em Portugal. Cuja importância aliás está em contínuo crescimento na Trainspotter. O orgulho e paixão dos modelistas portugueses mostra um caminho a percorrer também por outras áreas do entusiasmo pela ferrovia – conseguiram pontes com instituições do meio, com autarquias, com associativismo das mais diversas ordens, e têm hoje uma agenda de eventos de Norte a Sul do país que não pode deixar de ser realçada.

Não sei se daqui a quatro anos já poderemos estar a acompanhar as primeiras circulações entre Évora e Elvas, se estaremos ainda a despedir-nos das imortais Allan 0350 (é o mínimo que se pode dizer, depois de tantas tentativas de as extinguir) ou se já existirão locomotivas 2600 em H0, mas sei que aconteça o que acontecer, temos equipa para continuar a marcar a actualidade e a oferecer conteúdos de forma gratuita e desinteressada, com a motivação da dedicação à causa.

Publicamente agradeço a todos quantos têm feito parte deste magnífico projecto, sobretudo aos que de forma regular o vão transformando, mas também aos que de forma pontual contribuem para as revistas. Tendo a revista nascido para divulgar o que de melhor os entusiastas portugueses recolhem e captam, tem sido fundamental ver tanta gente revista neste espaço e com vontade de contribuir.

Esperamos continuar a convosco desse lado!

João Cunha

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A revista digital TrainSpotter é editada pela equipa do Portugal Ferroviário, o número 46 em .PDF pode ser descarregado AQUI