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Assunto: Serviço Especial de Passageiros FMNF

img : Jorge Lopes

img : Jorge Lopes

Inicia-se esta segunda feira, dia 30 de Junho, mais uma saída do Comboio Presidencial na sua valência de circulação comercial Passeios Presidenciais. A peça histórica da colecção da Fundação Museu Nacional Ferroviário (FMNF) realiza a primeira viagem oficial a Sul, e estreia-se numa jornada de três dias, mais de 1100 km, que contempla passagem por Évora, Vila Real de Santo António, Faro e Grândola.

Esta deslocação do Comboio Presidencial ao Algarve, e passagem pelo Alentejo, surge de um desafio da autarquia de Faro à FMNF,  para assinalar no dia 1 de Julho os 125 anos da chegada do comboio a Faro. Para destacar a data o Comboio Presidencial realiza a viagem entre Vila Real de Santo António e Faro.

A saída insere-se na estratégia de divulgação do Comboio por parte da FMNF, e serve também para encerrar o ciclo de passeios de divulgação incluídos no programa de restauro. “Nós fizemos o primeiro passeio ao norte, depois fizemos um passeio ao centro, e vamos fazer agora um passeio ao sul, fazendo assim toda a cobertura de Portugal Continental, e encerrando o projecto dos passeios, em termos de passeios promocionais .”, revelou fonte da FMNF, que explicou a oportunidade da passagem do Comboio Presidencial por Évora ” Uma vez que iriamos levar o comboio até Faro, teriamos de fazer toda a marcha [comboio vazio] no dia anterior. Pareceu-nos adequado passar pelo Alentejo, e articulamos  com a Câmara de Évora no sentido de se fazer um primeiro passeio no dia 30. Onde vamos fazer Lisboa Oriente – Évora. “

Já para dia 2 de Julho, no regresso,  está previsto realizar-se uma viagem comercial num quadro diferente dos Passeios Presidencias, e que vai comportar uma paragem em Grândola.  ” Como nós tinhamos de trazer o comboio de Faro para o Entroncamento abrimos novamente a oportunidade de fazer um primeiro ensaio de trazer alguns estrangeiros numa viagem Faro – Lisboa, e também alguns convidados nossos “. Ainda de acordo com a FMNF trata-se de um ensaio de um formato mais ligeiro fora da lógica e conceito dos Passeios Presidencias.

Se do ponto de vista comercial a viagem promete muita animação, convívio, e até a alegria de quem não participa nas viagens mas  acolhe cada saída com grande entusiasmo. Para REFER e CP, na parte operacional, o Serviço Especial de Passageiros FMNF não se distingue de um serviço normal de passageiros ou mercadorias. A rotina imposta pela normalização de procedimentos não deixa espaço para diferentes leituras, e assegura a normalidade com todos os pontos assumidos na regulamentação que condiciona circulações de comboios.

Neste contexto a REFER, com o papel de gestor da rede, define o canal horário de acordo com o cliente, neste caso com a FMNF que articula com a CP, tentado ir ao encontro das expectativas do programa.” Compatibilizar um programa que envolve “N” situações. Se tem actuações, actividades lúdicas e culturais, inseridas dentro do programa, e que estão previstas dentro do horário que foi apresentado como ideial. O canal horário vai procurar contemplar  as necessidades que um cliente possa ter em mente para um determinado programa ou acção. “, salvaguardando compromissos já assumidos, sublinha o gestor da infraestrutura. Mas é através da publicação da “Carta Impressa”, documento que define e assinala a presença da circulação extraordinária na rede, que o Comboio Presidencial passa a existir como serviço comercial ou marcha, com origem e destino.

No entanto, antes de ser um serviço com canal atribuído e rota defenida, o Comboio Presidencial tem de ser pedido pela FMNF. O pedido é feito à  CP, e assegurado pela Direcção Geral de Produção e Negócio que produz o comboio. A estrutura garante o estudo horário equadrado nas circulações já existentes, a tracção e a tripulação. E ainda outros aspectos como a segurança, abastecimentos de combustivel e água, tempos de viagem, e limpeza.

Quando em circulação, de apoio ao maquinista, o Comboio Presidencial por questões de segurança impõe um segundo agente na cabine de condução.

A  tracção escolhida para a circulação a Sul foi a locomotiva 1413, mas existe uma outra na CP que também pode ser opção, a 1424. A escolha acaba por ser limitada a estas duas locomotivas por causa do tipo de freio usado pelo comboio, freio a vácuo. Um sistema de época,   limitado em Portugal  ao Comboio Presidencial, e Comboio Histórico que circula no Douro. ” Quando o cliente nos pede este comboio, nomeadamente este, nós damos a hipótese de optar por uma das duas locomotivas, e desta vez optou pela 1413, que é a cor de laranja, e está aqui em Lisboa. É essa que vai tracionar o comboio”, refere fonte da CP. O que revela que uma saída “presidencial” começa ainda antes dos passeios, com uma marcha isolada até ao Entroncamento para ir buscar o comboio, e termina da mesma forma com o regresso ao depósito.

A título de curiosidade, e indo ao encontro de dados da REFER, no final dos três dias o Comboio Presidencial deverá ter realizado mais de 1104 km. Sendo que em marchas cerca de 591 km, nos troços Entroncamento-Lisboa-Entroncamento, em trânsito noturno Évora-Faro-Vila Real de Santo António. E 513 km em serviço comercial nos troços Lisboa-Évora, Vila Real de Santo António-Faro, e Faro – Lisboa.

Rui Ribeiro