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“Novas” locomotivas do CFL devem entrar ao serviço dia 21

cfm_geJá se encontram no parque de material do Caminho de Ferro de Luanda (CFL), prontas para realizar testes de linhas, as duas locomotivas recuperadas na África do Sul. Recentemente descarregadas no Porto de Luanda, o material circulante de tracção GE faz parte de um lote de quatro máquinas enviadas pelo operador ferroviário de Luanda à cerca de um ano para recuperação naquele país, e que se encontravam encostadas desde o fim da guerra.

O desembaraço no Porto de Luanda ocorreu no passado dia 17 de Julho. De acordo com fontes ligadas ao processo, depois de homologadas a entrada ao serviço está prevista para dia 21 deste mês, “estão neste momento em fase testes de linha e a partir do 21 do corrente irão reforçar a frota dos comboios suburbanos de médio e longo- cursos, de acordo com um plano previamente estabelecido.” 

cfm_ge1As GE’s vêm melhorar a capacidade de tracção do CFL, em particular a oferta do serviço suburbano de passageiros do operador. “Neste momento o serviço suburbano do Caminho de Ferro de Luanda  E.P. é feito com 3 composições que asseguram a oferta de Tramueis, e Expresso. A chegada da quarta locomotiva vai reforçar o serviço com uma quarta composição.” Com o quarto comboio já vai ser possível proceder a alterações no horário e melhorar os serviços.

Uma optimização também ao nível da manutenção, as duas locomotivas vêm trazer maior disponibilidade e fiabilidade do material. A resposta irá permitir uma rotação mais flexível nas revisões, e paragens mais longas em oficina, do parque de tracção, e assim tornar o material  mais confiável.

Duplicação Bungo – Baía

Importa também lembrar o arranque da duplicação do troço suburbano CFL, previsto para o segundo semestre de 2014. O aumento para duas vias da linha entre entre o cfm_ge2Bungo e Baía permitirá acabar com os cruzamentos e agilizar a operação ferroviária. “Hoje a maioria dos comboios tem cruzamentos, e tempos de espera que podem chegar a 20 minutos.” revela contacto do CFL.  Com a duplicação, o operador tem previsto aumentar número de frequências, e passar das actuais 24 (12/12) em via única, para as 30  em via dupla. Mas o grande objectivo da aposta do CFL em tracção e duplicação via, visa alcançar o marco de 5 milhões de passageiros ano.  O troço tem 30 km e o prazo de execução de 18 meses.

Ainda ligado ao tema da duplicação surge a futura ligação ferroviária ao novo aeroporto de Luanda. O ramal ferroviário a construir ainda não tem data marcada para se iniciarem as obras, mas quando avançar deverá contar com novo material. Por parte do Ministério dos transportes de Angola já foram encomendadas automotoras DMU (Diesel Muliple Unit).

Um caminho de objectivos que têm vindo a ser defendidos pelos sucessivos executivos do CFL, a entrada de novo material circulante para o serviço, e a duplicação do troço suburbano. No caso das automotoras para o aeroporto,  uma alteração aguardada com expectativa por aparte do operador ferroviário de Luanda, que quando acontecer deverá agilizar ainda mais a operação no serviço suburbano. A oferta actualmente  tem por base um conceito pouco flexível para o serviço suburbano com pouco mais de 30 km, composição composta por máquina e carruagens, situação que implica  manobrar a locomotiva para encabeçar a composição antes do inicio de cada novo serviço.

Porto de Luanda

cflLocomotivasGE00A operação comercial de mercadorias deverá ser outro dos  pontos em que o reforço do material circulante de tracção pode ter impacto. A abertura oficial do ramal do Porto de Luanda, que contou com a presença de José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola,  em Abril, veio confirmar um canal de tráfego ferroviário de mercadorias. No entanto, os números de transporte entre terminais portuários servidos pela ferrovia  e o Porto Seco de Viana, não têm sido expressivos. Nos primeiros 5 meses da operação  o transporte de carga  revelou-se inferior ao período homologo de 2013, avança fonte próxima do processo. Acabando também por não se confirmar a regularidade de duas frequências semanais de mercadorias para o porto seco de Viana, avançadas em Abril. Uma questão que o contacto proximo da pasta dos transportes não soube explicar, mas avançou que a relação de preço por TEU de 20 pés entre o transporte rodoviário e a solução ferroviária,  pode chegar a ¼.

No entanto a aposta no reforço do parque de tracção tem como fim o aumento da oferta comercial de passageiros. O CFL reforça o objectivo, a “recuperação e entrada em circulação destas locomotivas significou um importante esforço financeiro do Executivo e insere-se num conjunto de acções desenvolvidas pela empresa que visam melhorar o serviço que presta a população.” Desafio que irá certamente reforçar a capacidade para transportar passageiros e mercadorias por parte do operador ferroviário angolano.

Rui Ribeiro