free web
stats

EMEF poderá vir a contratualizar reparação de vagões em Espanha

img: Nuno Morão

img: Nuno Morão

A Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário - EMEF corre o risco de ter que contratualizar reparação de vagões da CP Carga em Espanha. De acordo com fontes próximas da empresa, que integra o operador ferroviário público CP Comboios de Portugal, infraestrutura, falta de trabalhadores e o processo para aquisição de materiais, poderão levar à deslocalização de trabalho e competências.

Segundo a webrails.tv conseguiu apurar, a CP Carga tem preferência pela EMEF na reparação do material circulante, mas a Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário poderá não estar à altura de responder ao contratualizado junto operador de mercadorias. Fonte da EMEF revelou que existe falta de pessoal especializado no Entroncamento, e que isso poderá limitar a resposta. Por outro lado referiu que a hipótese Barreiro não é solução. Para além das oficinas não “estarem logisticamente preparadas, como no Entroncamento” para a reparação de vagões, Cristina Dias, Directora da EMEF, avançou junto de representantes de trabalhadores da EMEF “ falta de capacidade nas oficinas devido ao encerramento da parte de cima.” 

Em comunicado o SNTSF justificou uma eventual falta de resposta da EMEF com a Tutela, “porque o governo não autoriza a admissão de trabalhadores, corre-se o risco da EMEF ter que contratualizar com uma empresa espanhola, a reparação de vagões da CP-Carga, que hoje tem 19% dos vagões imobilizados, devido às incapacidades da EMEF, devido à falta de trabalhadores e aos constrangimentos impostos, na aquisição de materiais.” 

A organização sindical refere-se ao articulado do Orçamento de Estado de 2014. A entrada em vigor do documento veio limitar a progressão de carreiras, e a contratação de pessoal  no sector público, entre outras a “situações excepcionais, devidamente fundamentadas”, e  “existência de relevante interesse público no recrutamento”. Premissas que no sector ferroviário poderão não ser um desafio. Por parte da Tutela são desconhecidas, prolongada nas Administrações,   estratégias para o sector ferroviário, para além das intenções para a infraestrutura, e redução de custos, regulação e o delegar da iniciativa do que está sedimentado.

Por outro lado, uma eventual falta de competitividade  por parte da EMEF poderá não ser argumento para “situações excepcionais”, ou “interesse público”,  junto dos Ministérios das Finanças, e Economia. A Fernave anunciou recentemente ter acertado formação de quadros  nas oficinas de manutenção ferroviária GMF do Grupo Comsa, em Terragona, Espanha.  A formação, segundo a Fernave, implica dois formadores “ da área da manutenção do material circulante com elevada experiência, quer ao nível dos sistemas tecnológicos básicos quer da reparação dos seus componentes. Sendo que estamos a falar de formação para técnicos oficinais de manutenção num conjunto diversificado de material circulante” referiu fonte da Fernave. Mas a webrails.tv não conseguiu apurar que tipo de material poderá estar contemplado no âmbito da formação, e se tal poderá significar competências na área de vagões portugueses para a oficina espanhola.

Fernave, EMEF, e CP Carga, todas empresas da CP Comboios de Portugal.

Rui Ribeiro