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Moçambique deverá receber 32 mil milhões de dólares em infra-estruturas

mocambiqueMoçambique é hoje um dos 3 principais destinos de investimentos estrangeiros em África e vai receber nos próximos anos projectos de infra-estruturas avaliados em 32 mil milhões de dólares, segundo o Deutsche Bank.

Numa nota recente sobre a situação económica em Moçambique, Claire Schaffnit-Chatterjee, analista sénior do Deutsche Bank, indica que o crescimento económico no país estará acima dos 8 por cento ao ano até 2019, beneficiando de um ambiente macroeconómico positivo.

“A mineração de carvão, investimento em infra-estruturas de transportes e o desenvolvimento do sector do gás natural deverão impulsionar o crescimento nos próximos anos. Também os serviços financeiros e construção serão sectores com elevado crescimento”, afirma a analista.

Moçambique, adianta, tornou-se hoje num importante destino para o investimento estrangeiro, tendo captado nos últimos dois anos 5 mil milhões de dólares, o equivalente a um terço do seu PIB, destinados ao desenvolvimento de reservas de gás natural, carvão e também estradas, ferrovia e instalações portuárias necessárias.

A multinacional brasileira Vale está a investir 6,5 mil milhões de dólares num terminal e 900 quilómetros de linha férrea para ligar a mina de carvão de Moatize ao porto de águas profundas de Nacala, prevendo duplicar as suas exportações até ao próximo ano, quando o carvão deverá tornar-se no principal produto vendido ao estrangeiro, suplantando o alumínio.

“Moçambique tem potencial para tornar-se no maior produtor de carvão de África”, com reservas totais de 20 mil milhões de toneladas, mas também “um dos principais exportadores de gás natural em 2020”, afirma a analista.

As descobertas de gás natural já se traduziram em ganhos de 1,3 mil milhões de dólares para o Estado moçambicano, através de imposto sobre mais-valias.

Segundo o Banco Mundial, a exploração comercial dos depósitos de carvão e gás vai mais do que duplicar a riqueza do país.

O maior peso da exportação de matérias-primas na economia faz com que alguns analistas venham questionando se o país não irá diminuir os seus esforços de diversificação e alargamento da base de produção da economia.

Moçambique compara favoravelmente com Angola, representando hoje a indústria 15 por cento do PIB, 5 vezes mais do que no caso angolano, em que o petróleo é de longe a maior indústria.

O Deutsche Bank considera favorável para Moçambique a “ambiciosa agenda de políticas” apresentada pelo governo, que inclui a captação de investimento estrangeiro, bem como o plano estratégico de cinco anos para melhorar o ambiente de negócios no país.

“Moçambique tem oportunidade para fortalecer ligações a montante e a jusante a partir do sector das matérias-primas, particularmente os sectores do gás natural e da indústria – por exemplo desenvolvendo as indústrias alimentares, de fertilizantes ou electricidade”, refere a analista.

“Se Moçambique for capaz de investir uma parte maior das suas receitas dos recursos naturais em capital físico e humano, o seu futuro é prometedor, mesmo se o progresso na melhoria do ambiente de negócios, infra-estruturas e eficiência do governo for lento”, adianta.