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A Comarca da Sertã: Linha férrea do Vale da Sertã

blog 005carlosARTIGO 1º dos estatutos

A Casa da Comarca da Sertã (C.C.S.), fundada em 4 de Fevereiro de 1946, com sede em Lisboa, na Rua da Madalena, 171, 3º, é uma associação regionalista de pessoas singulares e colectivas, pertencentes aos concelhos de Oleiros, Proença-a-Nova, Sertã e Vila de Rei e às freguesias de Amêndoa e Cardigos do Concelho de Mação [freguesias anteriormente pertecentes a Vila de Rei mas, pelo desejo de em breve retornarem à anterior divisão administrativa, não são esquecidas]…
(http://www.casacomarcaserta.org)

Em Novembro de 1959, a Associação, ao fazer imprir 1500 exemplares da revista com o seu nome, cumpre um dos seus velhos anseios: o de criar um orgão para noticiar e divulgar a comarca.

De entre os artigos, pela temática, sublinhamos o do general Couceiro d’ Albuquerque, Linha Férrea do Vale da Sertã.

Seguindo o lema do Dr. Oliveira Salazar – cada um deve falar só do que sabe – o nosso general defende a construção de uma linha férrea que, mais do que possuir um evidente interesse para a região, pelo que representa no âmbito da estratégia militar, é necessária a todo o país.

A linha do Vale da Sertã – que só tinha este nome por analogia com a do Vale do Vouga e a do Vale do Sado, entre outras, mas que poderia ter qualquer outro – tornava-se necessária porque a defesa da Beira Baixa se situava na Serra das Talhadas (região das Catraias). Aí, as baterias dos fortins, que foram mandadas guarnecer por Beresford sob a ameaça da 3.ª Invasão Francesa, voltariam a ser necessárias perante novas ameaças estrangeiras – não vindas de Espanha, com quem o país tinha excelentes relações – mas do centro da Europa, como fora eminente em 1943, durante a segunda guerra.

Ora, já se vê que, após o restabelecimento do ponto estratégico, seria necessário garantir a sua logística. Não podendo esta ser feita pela Linha da Beira Baixa, por ficar além dele, restava o Ramal de Tomar. Mas, se a cidade templária era a mais próxima, não deixava de implicar uma deslocação de 80 Km por estradas sinuosas que, se sujeitas a um tráfego intenso, rapidamente se degradariam. Assim sendo, esta hipótese não só não resolveria aquele problema como criaria outros.

A linha que propõe teria o seguinte traçado: Tomar – Vale da Ribeira da Sertã, até à região (Oleiros-Estreito) – N. da Serra do Mural – Vale do Zêzere (a montante de Cambas) – Cova da Beira (onde entroncaria com a linha da Beira Baixa. Com este percurso, para além do serviço militar, tronava-se um importante eixo regional – garantindo a circulação na província mesmo após uma eventual tomada da linha da Beira Baixa que, sem defesas, cairia a um golpe de mão do inimigo.

Ao atravessar uma zona produtora de madeira, de resina, com volfrâmio e paisagens capazes de atrair turistas, a linha da Sertã também se tornava uma importante obra de fomento para a região.

Era, do ponto de vista do general Couceiro d’Albuquerque, uma obra que se impunha. Convicção, no entanto, já antiga, pois,  após a implantação da República, o almirante Tasso de Figueiredo, um sertanense que chegou a presidir ao Senado, conseguiu mover influências para que a sua construção fosse inscrita na primeira fase do Plano Ferroviário. Sem se saber porquê, passou, posteriormente, para a segunda fase e, por altura deste escrito, estava o nosso general convicto de que fora mesmo retirada do documento e substituída por uma outra, de via reduzida, que partindo da Nazaré, seguiria por Tomar, Sertã, Proença a Nova e Castelo Branco até à fronteira.

Concluimos com a conclusão do nosso general Eu, pessoalmente, tenho a impressão de que, dado o carácter deficitário dos nossos Caminhos de Ferro e a concorrência, que a cada momento mais se avoluma, entre a camionagem e a linha férrea, não será de esperar a construção de novas linhas, pela C.P., principalmente, quando elas forem, como as que nos interessam, de trajecto eriçado de obstáculos.

E então só a intervenção do Erário Público poderá solucionar o problema quando a Política dos Transportes se convencer que a linha do Vale da Sertã será a de maior conveniência e do mais alto interesse não só para a região da Sertã como para a Beira Baixa e o País.

autor: Carlos Barbosa Ferreira