free web
stats

História dos caminhos-de-ferro da Beira Alta e da Beira Baixa

LinhasBAeBO processo político da construção  da rede férrea nacional na segunda metade do Séc. XIX foi o tema de doutoramento de Hugo Pereira em História na Faculdade de Letras do Porto. Num dos capítulos da  dissertação, posteriormente publicada em artigo na Revista de História da  Sociedade e da Cultura , é possível aceder ao trabalho de  investigação desenvolvido onde se enquadra o pensamento da época na  construção das linhas da Beira Alta e Baixa.

webrails.tv – O que o liga ao caminho de ferro?

Hugo Pereira – A minha ligação ao caminho-de-ferro é académica. Eu concluí há poucos meses o meu doutoramento em História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e o tema da dissertação foi precisamente a política ferroviária nacional na segunda metade do século XIX, quando se construíram as principais linhas-férreas portuguesas, entre as quais as linhas da Beira Alta e da Beira Baixa.

 webrails.tv – Porquê investigar temas ferroviários, e como surge este artigo sobre as Linhas da Beira Alta e Beira Baixa?

Hugo Pereira – A minha escolha por este tema ficou-se a dever aos conselhos do meu orientador e ao facto de ser uma área historiográfica onde muito se podia e pode ainda fazer. Além disso, creio que o estudo do pensamento económico do passado pode e deve ajudar a planear as políticas actuais e evitar os erros cometidos.

 webrails.tv -  Pode desvendar um pouco de como foi dar corpo ao artigo?

Hugo Pereira – Quanto ao artigo em si, eu assentei a minha investigação em dois tipos de fontes: os debates parlamentares e os relatórios técnicos dos engenheiros da altura, seguindo aliás a metodologia que empreguei na dissertação. Estas fontes são extremamente ricas e úteis à investigação, pelo manancial de informações que proporcionam e por permitirem comparar o que se aconselhava e o que era efectivamente feito. Neste sentido, não posso deixar de realçar a ocasião em que, em pleno parlamento, um engenheiro assevera que a linha internacional deveria passar sem dúvida nenhuma pela Beira Baixa e não pela Beira Alta, mas, apesar disso, foi o contrário que se fez. Curiosa é também a argumentação de alguns deputados de círculos da Beira Alta que afirmavam que a Beira Baixa era uma zona tão pobre e sub-desenvolvida que abutres voavam nos seus céus e casas haviam onde as janelas ainda não tinham vidros.

O artigo de  Hugo Pereira pode ser acedido aqui