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Ressano Garcia com circulação restabelecida

MOZ_SENA_ApeadeiroSemacuesaA circulação de comboios na linha-férrea de Ressano Garcia foi restabelecida no passado dia 28, após de quatro dias de interrupção devido a um acidente ferroviário ocorrido na quinta-feira à entrada da Estação de Tenga, na província de Maputo. As obras de desobstrução da via foram iniciadas logo após o sinistro, tendo sido concluídas cerca das 20.00 horas de segunda-feira.

Actualmente, segundo o director executivo dos CFM-Sul, António Bié, nove comboios transitam diariamente na linha de Ressano Garcia transportando carga diversa proveniente da África do Sul em trânsito pelo Porto de Maputo.

Além deste tráfego, a linha recebe igualmente dois comboios diários de passageiros ligando a vila fronteiriça de Ressano Garcia à capital do país, com passagem pelas estações da Moamba, Tenga, Matola-Gare e Machava, onde embarca e desembarca milhares de pessoas cuja vida está intimamente ligada à cidade de Maputo.

“Diariamente temos quatro comboios de carvão, outros quatro de magnetite e um de contentores. Todos estes comboios não puderam circular durante os dias em que a linha esteve obstruída”, explicou Bié.

Refira-se que o carvão sul-africano é exportado através do Porto da Matola, enquanto os contentores, o ferro-crómio e o magnetite são manuseados a partir do Porto de Maputo.

Basicamente, segundo explica António Bié, a linha de Ressano Garcia serve a vizinha África do Sul mas, querendo, o Botswana também pode aceder ao Porto de Maputo através dela, embora isso signifique um acréscimo de alguns quilómetros na distância que percorreria se usasse a linha do Limpopo.

Sobre as causas da colisão de comboios que levou à destruição de locomotivas e várias carruagens carregadas de pelo menos quatro mil toneladas de magnetite, António Bié disse não estar em posição de avançar nenhum detalhe, remetendo aos resultados do inquérito entretanto já instaurado pela autoridade de tutela.

Em Fevereiro do ano passado a linha de Ressano Garcia ficou igualmente fechada ao tráfego por pelo menos 45 dias, depois que um acidente ferroviário resultou em danos numa das pontes.

Este encerramento da linha ao tráfego de comboios afectou a dinâmica do negócio de muitas companhias sul-africanas que exportam mercadorias através do Porto de Maputo.

Alguns fornecedores sul-africanos, sobretudo os de minérios, largamente procurados na Europa e na Ásia, tiveram que encontrar alternativas para a colocação do produto no Porto de Maputo, ora usando a linha de Ressano Garcia, ora usando a via rodoviária, com forte impacto em termos de economia de escala.

Além dos fornecedores sul-africanos, a interrupção da linha de Ressano causou prejuízos ao Porto de Maputo, que viu reduzir drasticamente o volume de carga manuseada, 70 por cento da qual é constituída por minérios provenientes da África do Sul, em trânsito para diversos mercados do mundo.

A indisponibilidade da linha de Ressano para o escoamento de carga para o Porto de Maputo resulta no aumento da pressão sobre a estrada Maputo/Witbank (N4), uma vez que a maioria dos fornecedores tem que recorrer a camiões para garantir a satisfação de encomendas, acabando por gerar o caos a que geralmente se assiste sobretudo no troço entre as cidades de Maputo e Matola.

(noticias)