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“História da Ferrovia no Ribatejo” no Entroncamento

entron_histDecorreu este sábado no Entroncamento o encontro “História da Ferrovia no Ribatejo”. A acção juntou no Salão Nobre da Câmara Municipal do Entroncamento historiadores, investigadores e curiosos à volta da temática ferroviária no contexto da região. Um encontro inicialmente previsto para a Sala do Comboio Real, no Museu Nacional Ferroviário (MNF), mas que as obras de rebaixamento da linha do norte abortaram devido a terem deixado o MNF sem electricidade.

Já no Salão Nobre do edifício Câmara, Alves Jana, do Forum Ribatejo, Jaime Ramos, presidente da Fundação Museu Nacional Ferroviário, e Hilda Figueiredo,  vice presidente do município, procederam à abertura do Encontro. “Dar voz e promover a partilha de quem estuda a nossa génese ferroviária” destacou a propósito a vice presidente da CM no seu apontamento de abertura.

O encontro “História da Ferrovia no Ribatejo” reuniu 9 apresentações. A abrir o painel da manhã Carlos Ferreira falou sobre “A formação da grande Família Ferroviária”, um termo que o investigador se habituou a ouvir desde criança junto dos vizinhos. A abordagem ao tema veio ajudar a compreender a existência de famílias com diferentes gerações a trabalhar no Caminho-de-ferro. No caso do Entroncamento com exemplo de ” pai, filho e avô, todos a trabalhar na Companhia”, ou no facto de ter sido frequente encontrar uma familiar também empregado na Companhia.

Seguiu-se Henrique Leal com a apresentação a ir a encontro da formação profissional do Entroncamento entre 1943 e 1976, com ” A Escola de Aprendizes da CP no Entroncamento “. Um estudo que inicialmente procurou enquadrar três pólos de formação ferroviários, mas que se ficou pelo Entroncamento. A documentação no Porto foi vendida para o “papel”, e no Barreiro alimentou uma fogueira, referiu o investigado. A documentação do Entroncamento foi encontrada encontrada numas águas furtadas. Na base do tema a necessidade do CF formar os seus quadros.

Maria Poitout levou a plateia a passear pelo Entroncamento do ” Urbanismo Ferroviário “. Um viagem introduziu os bairros ferroviários e as várias fases porque passaram. Lembrou ainda o arquitecto Cottinelli Telmo a propósito do trabalho desenvolvido para a CP e que também se reflectiu no Entroncamento. De referir o Armazém de víveres, hoje parte integrante do MNF, foi uma obra do arquitecto.

Seguiram-se ainda Luís Filipe Lopes com ” O Parque Oficinal dos Caminhos de Ferro, no Entroncamento”, Luísa Barbosa com ” A influência dos caminhos de ferro na consolidação da ideia republicana em Santarém (1890-1910)”. 

entron_hisA apresentação do programa pedagógico desenvolvido pelos professores Nuno Domingos e Maria José Montez “Uh… Uh… A todo o vapor… Viagem ao mundo dos comboios”, fechou a manhã. Um projecto trabalhado junto do parque escolar, que neste caso desenvolve o tema caminho-de-ferro. O programa desenvolvia visitas ao núcleo museológico de Santarém, exploração dos painéis de azulejos da estação, e sempre que possível uma viagem de comboio entre estações da região de Santarém. De referir a expectativa dos dinamizadores em voltar promover esse tipo de acções em Santarém. Algo que dificilmente poderá ser repetido derivado ao espaço já não albergar acervo ferroviário.

A conversa ferroviária sobre a vida profissional do antigo maquinista João Caldeira e a sua experiência na Linha do Leste com José Neto da Silva, ex presidente da Associação de Amigos do Museu Nacional Ferroviário, abriu a tarde. Tarde que ficou completa com as apresentações de Maria José Teixeira, actual responsável pelo MNF cargo que acumula com a Gestão de Projectos, “O Museu Nacional Ferroviário – apresentação”, e Manuel Tão “Ribatejo, região-charneira da rede ferroviária de Portugal”.