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Batalhão de Sapadores de Caminho-de-Ferro

Chegada ao cais de Alcântara de um transporte de tropas. Joshua Benoliel, Ilustração Portuguesa, série II, nº. 577, Lisboa, 12 de Março de 1917, p. 214.

Chegada ao cais de Alcântara de um transporte de tropas. Joshua Benoliel, Ilustração Portuguesa, série II, nº. 577, Lisboa, 12 de Março de 1917, p. 214.

Os caminhos-de-ferro desempenharam um papel muito importante durante a I Guerra Mundial, sobretudo na frente europeia, onde a afirmação de uma guerra de trincheiras os tornou essenciais no transporte de soldados e material bélico, assim como no abastecimento às populações. A administração e manutenção dum transporte desta natureza, bastante exigente e complexo, em territórios de guerra aberta, seriam atribuídas a batalhões técnicos especializados, com preparação militar, capazes de assegurar a construção, reparação e circulação de vias e de material circulante.

O Batalhão de Sapadores de Caminho-de-ferro português foi criado a partir das brigadas ferroviárias portuguesas, organizadas em Abril de 1912:

- Brigada n.º 1: Caminhos de Ferro do Estado – Direcção do Sul e Sueste

- Brigada n.º 2: Caminhos de Ferro do Estado – Direcção do Minho e Douro e Vale do Corgo

- Brigada n.º 3: Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses

- Brigada n.º 4: Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta

- Brigada n.º 5: Companhia Nacional de Caminhos de Ferro

- Brigada n.º 6: Companhia de Caminhos de Ferro do Vale do Vouga

- Brigada n.º 7:Companhia de Caminhos de Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão

- Brigada n.º 8: Companhia de Caminhos de Ferro de Guimarães

Constituído com um contingente inicial de 1.248 praças e 40 oficiais, e entregue à direcção de Raúl Esteves, foi autonomizado do Corpo Expedicionário Português e colocado sob a dependência directa do Alto Comando Britânico. Inicialmente composto por quatro companhias, subdivididas em cinco secções, foi depois reestruturado, por forma a responder melhor às necessidades de guerra.

O Batalhão de Sapadores de Caminho-de-Ferro ficaria responsável pela exploração da estação-depósito de Rouxmesnil e pela administração das linhas de Yron a Conteville, de Abbeville a Conteville e Candas, de Proven a Bergues, de Conchil a Authie e Vrom e de Bethune a La Gorgue. Desempenhou ainda outras funções de carácter técnico, como a reparação de pontes, a construção de depósitos e docas e a reparação ou levantamento de linhas sujeitas a bombardeamentos frequentes.

Bibliografia:

ABRANCHES, Joaquim, Os Caminhos de Ferro na Grande Guerra, Figueira da Foz, Tipografia Peninsular, 1931; Esteves, Raúl, “Os caminhos de ferro e a actual guerra” in Gazeta dos Caminhos de Ferro, n.º 701, 1de Março de 1917, pp. 87-88; Teixeira, Francisco Pinto, “A Cooperação dos Portuguezes no Serviço Militar dos Caminhos deFerro na Grande-Guerra (1917-1919)”, parte I e II, in Gazeta dos Caminhos de Ferro, n.ºs 757 e758, de 1 e 16 de Julho de 1919, pp. 193-196 e 211-213.

Ângela Salgueiro, “Batalhão de Sapadores de Caminho-de-Ferro”, A Guerra de 1914 – 1918, www.portugal1914.org