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Tópicos para um olhar ferroviário de 1920

GazetaCF1920Um encontro simples com as páginas da publicação quinzenal de época ” Gazeta dos Caminhos de ferro “, por vezes  encaixa viagens ao passado que em alguns momentos facilmente se podiam confundir com os dias de hoje, ou até ser ponto de partida para obras de ficção. Em 1920, a edição relativa à primeira quinzena, apresenta momentos sem tempo que podem enquadrar qualquer presente.

Não fosse o tipo papel, a impressão, publicidade e grafismo, as palavras exóticas e a sua construção. Ou o papel do vapor ser o motor para encurtar distâncias, e o caminho de ferro a melhor Internet, facilmente o presente poderia situar a acção, em particular na administração publica.

A edição de 16 de Janeiro de 1920 começa por dar continuidade ao artigo iniciado em Dezembro de 1919, sobre um documento apresentado no Congresso de Engenharia de Madrid. “Começamos na Gazeta de dia 1 de dezembro ultimo a dar idéa resumida d’esse trabalho. Importa completala. ”  Embora não estando directamente ligado à ferrovia portuguesa, a gazeta seguia a visão estratégica da ” importantissima questão das linhas internacionais e de estreitamento de via nas de interesse geral da Peninsual,” abordando os capítulos do documento dedicados à largura de via, traçado do Caminho de Ferro Paris – Algeciras.

Mais à frente, ainda no rescaldo da passagem do exercito português no teatro de operações da I Grande Guerra, a Gazeta dos Caminhos de ferro publica a V parte de Dois annos em França com o Batalhão de Caminhos de Ferro. De pena fina, e travo irónico, talvez para sublimar a realidade a rudeza do conflito, M. Ferreira descreve o dia à dia de um oficial expedicionário em França.

“Amigo allemão foi amavel; festejou a nossa chegada, a que assistiu, de longe é verdade, mas com aqueles seus olhos - les saucisses – bem attento a nós, e cumprimentou-nos amavelmente com algumas das suas granadas de 22 e 28 durante toda a noite da nossa chegada,  ”  para lamentando a impossibilidade de poder responder: ” Infelizmente não podemos agradecer, o que de resto sempre aconteceu pelas condições especiais em que estavamos, coactos de manifestações amistosas como desejamos. “

Por outro lado, nas páginas seguintes, destaca-se um quadro que se pode considerar contemporâneo. A propósito de mudanças estruturais em ministérios do Estado, o artigo “As nossas colónias” reflecte sobre sobre as implicações que isso impõe ao desenvolvimento das colónias. Aponta o tempo perdido na mudança, e reclama ” depois, como é costume, quando os salamalequistas deixarem os novos ministros começarem a trabalhar será a occasião da entrada dos pedinchistas que assaltaram as antecamaras dos ministérios a pedir coisas, encaixes para si e para a familia, preferencias a outros mais antigos que não devem ser attendidos … porque são do partido contrário, ou porque não são dos nossos amigos, emquanto nos cerebros vão avolumando as ideias da nossa total remodelação da administração publica, alterando tudo o quanto estava feito, desde a situação dos funcionários, até à colocação das mesas e das secretárias. “

Pretensão motivada pela falta de atenção dada ao desenvolvimento das colónias: ” Resume-se a nossa pretenção que os nosso ministros pensem um pouco menos em politica, e muito mais tempo em questões de administração pública, sciencia de que ha tanto tempo os vemos afastados todos os que teem governado o nosso malfadado paiz.”

A publicação avança ainda os horários de comboios de vapores, e outras informações.

Alguns exemplares de Gazetas para aquisição podem ser encontradas AQUI