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PETI valoriza privatização da CP Carga e EMEF

sergioMonteiroDe acordo com Sérgio Monteiro esta é a melhor altura para se fazer a privatização da CP Carga e EMEF. Para o Secretário de Estado dos Transportes a venda acontecer antes do Plano Estratégico de Transportes e de Infra-estruturas (PETI) ser conhecido desvalorizava as empresas.

Em declarações à TSF, sobre o  ciclo de greves contra as privatizações no sector ferroviário, adiantou que este foi um processo planeado, primeiro a divulgação do PETI e depois a privatização: ” Estivemos a aguardar a melhor altura para fazer a privatização. E esta altura decorre da apresentação do Plano Estratégico de Transportes e de Infra-estruturas que fizemos em Abril, o qual aposta de forma clara no investimento em caminho de ferro. Nós temos mais de 3 mil milhões de euros de investimento em caminho de ferro previsto. Não faria sentido nós termos feito a privatização da empresa que transporta mercadorias por caminho de ferro antes de ser conhecido este plano porque isso desvalorizava a empresa.”

Para o governante este é também um processo em que a EMEF sai valorizada: ” E a EMEF é a empresa presta serviço de manutenção do material circulante. Portanto beneficia também em termos de valor pelo facto de se perspectivar prós próximos anos o acréscimo do movimento de mercadorias e também de passageiros por ferrovia.”

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Intervenção do Secretário de Estado sobre as subconcessões no sector dos transportes, privatizações e fusão da REFER EP, no fórum TSF.

Intervieram ainda no fórum, também dedicado às subconcessões nos transportes,  José Manuel Oliveira da FECTRANS. O sindicalista lembrou que para o actual Executivo existem dois tipos de empresas. As empresas que são consideradas lucrativas, ” como é caso dos CTT, TAP, e CP Carga, etc, são empresas para vender pura e simplesmente. Nas outras, em que hoje se presta um serviço público e têm de ser subsidiadas pelo Estado, a opção é entregar aos privados aquilo que é a operação ficando o estado com os encargos.”

Por outro lado questionou a ideia avançada por Sérgio Monteiro, onde o politico referia que o Estado vai deixar de subsidiar o transporte público, e que hoje se reflecte no valor pago pelos títulos de transporte mas que não reflecte o custo da operação: ” Uma parte hoje é suportada pelo Estado. Se o Estado deixa de suportar essa parte alguém a tem de suportar. E aquilo que hoje ainda ninguém conseguiu explicar, nem o Sr. Secretário de Estado, é quem irá suportar essa parte que o Estado paga hoje para que haja um serviço público de transportes. Se não são as empresas vão ter de ser os utentes. “

Uma dúvida prolongada por Sérgio Monte, do SITRA que também gostava de ver respondida a questão: ” O transporte nestas áreas urbanas que assegura a mobilidade e é fundamental para a economia tem de ser financiado ou não? “ Para responder que ” as carreiras de carácter iminentemente social deixam de ser feitas porque o privado visa o lucro, é legitimo que o vise, e não vai explorar, “ em caso de não haver indemnizações compensatórias. E lançou o exemplo do sector rodoviário privado à volta de Lisboa: ” Quando foram privatizadas tudo muito bem, mas passados uns anos lá foram bater à porta  do Orçamento de Estado, dêem-nos indemnizações compensatórias,  porque se não, não as fazemos, e o Governo está a pagar a essas empresas indemnizações compensatórias o preço do serviço social.”

Já Luís Cabaço Martins, começou por destacar que as empresas com gestão privado são independentes do poder politico, o que dá estabilidade aos utilizadores. Para o Presidente da ANTROP a questão situa-se na definição da rede de transportes, um papel a desempenhar pelo Estado, e que condiciona todo o processo: “O que à aqui a definir é a rede necessária, e isso cruza com a questão do financiamento, dos apoios, e das indemnizações compensatórias, etc, etc … esta é que é a questão central.”

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Áudio das intervenções disponível para subscritores AQUI