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O Museu de Lousado e a Rede em Famalicão

lousDN_01 O início das comemorações do Dia Internacional dos Museus de 2015, no Museu dos Caminhos-de-Ferro de Lousado, foi quase um falhanço. Só assim não o foi de todo, graças a um punhado de gentes com grandes boas-vontades, carregadas de altruísmo e desejo de fazer com que toda e qualquer pessoa se sinta como que “em casa”, seja ele um forasteiro que nem conhecia o caminho para o Largo da Estação, seja aquele que já conhece quase todos os cantos e recantos deste que é, provavelmente, o Patinho Feio da “recém-nascida” Rede de Museus de Vila Nova de Famalicão, apesar de ser claramente um dos mais ricos e mais visitados deste concelho Minhoto.

lousDN_02Esta rede resume-se a, essencialmente, uma série de placas. Placas afixadas nas entradas dos Museus da dita “Rede” e placas rodoviárias espalhadas pelo concelho. A partir daí, tudo na mesma. Isto claro, pelo menos aos olhos de quem como eu, já não vive há uns anos na “Terra De Amigos” como se designava antigamente este Município.

O motivo que me leva a esta conclusão? A realidade, o que está à vista de todos. Mais uma vez, e como em anos anteriores, a divulgação dos eventos a decorrer neste Museu dos Caminhos-de-Ferro ficou-se pelo nível de “quase nenhuma” e não fosse o grande lousDN_00profissionalismo e força de vontade, tanto por parte de quem actuou como de quem acolheu o evento deste Sábado, e estaríamos quase perante um cenário onde a plateia era constituída pelo staff do “Fado in Bossa” e o do próprio Museu.

Este Museu não fica a caminho de nada. Quem desejar visitá-lo tem de se esforçar para isso, sobretudo lousDN_03pra quem venha de carro e do lado de Santo Tirso. Mesmo para quem venha do lado da cidade de Famalicão, vemos algumas placas de Estrada em Mau Estado pelo caminho até Lousado. O meio por excelência para visitar Lousado é o Comboio, ponto final.

Mas se ninguém souber que há alguma coisa aqui nova, diferente, seja para ver, sentir ou experimentar … quem irá até lá? Serão talvez poucos os que se sentem aqui como numa espécie de “segunda casa” e continuam voltando, sempre. E eu senti de novo, um grande desprezo a ser dado a este Museu, por parte da CM de Vila Nova de Famalicão.

O Museu dos Caminhos-de-Ferro de Lousado tem as suas portas abertas todos os dias da semana com excepção de Segunda-Feira, e a entrada é livre. Poderá saber mais sobre o que ali pode ser visto ou por exemplo, organizar uma visita de grupo, telefonando para o 252 153 646.

lousDN_04A um par de dias do 18 de Maio de 2015, a divulgação feita resumia-se basicamente a duas páginas na Agenda Cultural do Município, onde nessas duas páginas (pág.40-41) Lousado nem sequer é mencionado, e um pequeno destaque na secção “Música” (pág.11) desta publicação gratuita. Do ponto de vista de quem como eu, regressa pontualmente a esta Terra de Amigos que me viu crescer, foi por esse pequeno destaque e por um Evento criado pelo Museu Nacional Ferroviário na rede social Facebook que voltei, uma vez mais, a Lousado. E voltarei sempre. Mas há sempre quem poderia ficar com vontade de voltar, mas nem saiba nem sonhe com tudo e tanto que aqui há pra (re)conhecer.

Talvez o Padre de Lousado pudesse ter ajudado, apelando a que os autóctones e habitantes da freguesia em geral, acorressem ao Museu. Talvez o calor extremo tenha encaminhado as gentes mais depressa para “a auto-estrada directa à Póvoa” ou a uma qualquer explanada, passe a ironia.

““No Museu, nós damos-lhe tempo. Um tempo histórico, referência cultural e efectiva do transporte do futuro, que honra e preserva o passado que nos conduziu até hoje.””

lousDN_05A mensagem acima citada, é passada em formato Audio-Visual, dentro deste Museu. Deixo assim ao leitor o repto para que a encontre, fazendo uma visita a Lousado e fazendo assim a sua parte na acção de honrar este passado que ainda hoje ali é presente. Talvez devêssemos todos pensar um pouco mais na falta de respeito a que estamos a submeter a este grande Museu.

Daniel Nogueira
Porto, 18 de Maio de 2015