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Uma viagem na linha do Sado

 

_MG_9883Vou narrar o que me lembro daquele dia…

E, se bem me lembro, a manhã estava radiosa e luminosa (pelo menos essa era a minha vontade). Àquela hora já o sol era escaldante… mas eu tinha prometido… e apanhei o comboio na Estação do Barreiro.
A carruagem onde tomei assento, embora não fosse nova, estava limpa e era arejada.
O comboio partiu e eu ia sozinho na carruagem.
O meu pensamento ganhou asas e, até ao Lavradio, vi através da janela, aquela grande alameda arborizada, com equipamento urbano, serviços e restauração.
- Tanta gente a passear e eu aqui tão sozinho a pensar. Olha a Rotunda e o Armazém Regional. Que lindos ficaram com a sua recuperação! Tenho que os visitar pois ainda não sei o que albergam.
O comboio abranda e alguns passageiros tomam assento no Barreiro-A. Aquele casal já de certa idade, aquelas jovens, talvez estudantes e aquela senhora, tão airosamente vestida. Lembro-me do seu cachecol de seda, vermelho, que lhe acentuava a cor da sua pele, do seu belo rosto.
Sentou-se à minha frente e cumprimentou-me.- Venho quase todos os dias neste comboio e nesta carruagem mas nunca vi tão pouca gente.
- Pois eu, respondi-lhe, viajo tão pouco e já vi tanta gente.
Cruzámos alguns pensamentos. O comboio deslizou rapidamente sem darmos por isso. Já o Lavradio e a Baixa da Banheira tinham ficado para trás, quando avançou:
- A linha agora está eletrificada, o comboio é mais rápido.
O dia 14 de Dezembro de 2008 já  lá ia. (foi o dia da inauguração da electrificação da Linha do Sado). Os festejos e os discursos desse dia também. Ressoam apenas as palavras do P.M.
“… O investimento público no comboio eletrico na Linha do Sado representa um ato de justiça para com os cidadãos do Barreiro”…..

 … Chegámos à Praça do Quebedo, eu fico aqui. – Eu também, disse meio acordado, não chego às Praias do Sado. Tratarei de uns assuntos nas Finanças de Setúbal, motivo da viagem, e depois no regresso alinharei melhor os meus pensamentos. Regressei uma hora depois ao Barreiro, sozinho. Hoje, penso que também fiz a viagem na Linha do Sado, sozinho.

Texto: NUNO SOARES