free web
stats

Parabéns Moçambique 4 décadas de história, propomos uma visita ao Museu do CFM

cfmMuseu_Moçambique assinala hoje, dia 25 de Junho de 2015, 4 décadas de História como país soberano. Para participar no destacar de uma data que mobiliza e motiva todos os moçambicanos, a webrails.tv aproveitou para voltar ao Museu Ferroviário da Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, e em parceria com o Gabinete de História dos CFM procurar despertar curiosidade pelo espaço que foi recentemente inaugurado para homenagear a ferrovia moçambicana.

Na antiga Estação Central de Maputo o operador ferroviário moçambicano reservou uma área de 1000 m² para alojar o Museu dos CFM. O  espaço, que compreende duas cronologias e um vasto acervo entre objectos e material circulante, apresenta a história da ferrovia em Moçambique, e a identidade dos CFM como companhia herdeira que se confunde com a presença dos Caminhos de ferro no país.

Em conversa com Elsa Dimene, a técnica de museologia do Gabinete de História do CFM começou por nos adiantar a abordagem que o Museu propõe a quem o visitar: ” A proposta de visita ao Museu dos CFM não e apenas para que o visitante aprecie o acervo exposto, pretendemos que ele perceba/compreenda a importância da preservação do património ferro portuário moçambicano, compreenda a dimensão social, económica, cultural dos CFM. Pretendemos que o visitante conheça a história dos CFM através dos textos, imagens, objectos e depoimentos patentes no Museu.”

“Oferecemos ao visitante uma experiência única no pais, um Museu interactivo, um Museu vivo e actuante que pretende fazer diferença contribuindo para o enriquecimento cultural da sociedade moçambicana.”

A enquadrar o acervo do Museu destaca-se a presença de duas cronologias. A primeira recupera factos marcantes dos Caminhos de ferro moçambiçanos desde 1877, até aos nosso dias. “Começamos [a cronologia] pela chegada de uma brigada de via e obras que veio fazer o estudo sobre a construção do Caminho de ferro de Lourenço Marques ao Transval.” Na parede oposta, outra cronologia descreve o percurso pós-independência, e apresenta factos e datas que marcaram os 40 anos passados entre 1975 e 2015. “O pós-independência tem destaque com um contexto histórico, a evolução dos tráfegos ferroviários e dos portos moçambicanos, os corredores de Maputo, Beira e Nacala, e a transformação da empresa, na última década do século passado.”

Mas a parte que acaba por chamar  mais a atenção são as peças do acervo que fazem e fizeram o dia-à-dia da ferrovia. A visita passa também por descobrir o material circulante que acompanhou a evolução de linhas e ramais, composto por carruagens, zorras, furgões e uma locatratora. Mais “equipamentos de oficinas; equipamentos de via, equipamentos de comunicação, informação e sinalização; equipamentos de estação. Maquetismos, imagens, e espolio documental do século XX,” complementam as datas e a ordem dos acontecimentos da história ferroviária moçambicana.

Ao nível do acervo de material circulante que se pode ver no Museu, Elsa Dimene chama a atenção para um conjunto carruagens recuperadas, com mais de um Século, provenientes dos caminhos de ferro de São Tomé.  “Carruagens construídas em 1911 pelo fabricante “ Baume & Marpent, Société Anonyme Haine St. Pierre – Belgique”, pertenceram aos Caminhos de Ferro de São Tomé. Nos anos 1930 foram oferecidas aos Caminhos de Ferro de Gaza. Este conjunto de carruagens tem 104 anos de história, compreende um luxoso Salão, e uma carruagem mista de 1ª e 2ª classe.” Os Caminhos de Ferro de São Tomé encerram em 1930, depois de não terem conseguido um dos seus grandes objectivos, alcançar as roças de cacau.

.

Gabinete de História do CFM

webrails.tv – Que desafio coloca a abertura do Museu?

Gabinete de História do CFM - “Mais trabalho de investigação e criativo para enriquecer ainda mais os conteúdos expostos e conseguir captar públicos ao Museu de modo a torna-lo parte da sociedade.”

webrails.tv – Que propostas pedagógicas complementam o Museu?

Gabinete de História do CFM - “O estilo e conteúdo didáctico do Museu dos CFM serão garantidos não só pela abertura a um público heterogéneo como também pela integração dos novos conhecimentos técnicos no sector e pela possibilidade de manipulação dos mesmos para permitir debate e conhecimento da actividade ferroviária e da vida social moçambicana.”

webrails.tv – Que projectos se podem esperar do Gabinete de História a médio e longo prazo?

Gabinete de História do CFM - “Expansão do Museu através de criação de núcleos museológicos ao longo do Pais. Instituição de uma mediateca, elaboração de publicações periódicas.”

O  Gabinete de História dos CFM remonta aos anos 60 do Séc. XX. Na génese da sua criação estão as tendências que por essa altura defendiam a protecção dos espólios ferroviários a nível mundial. Com referência a essa época destacam-se as obras “Apontamentos para a História dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique”, de Carlos Ribeiro (Lourenço Marques, 1965) e “História dos Caminhos de Ferro de Moçambique”, de Alfredo Pereira de Lima (Lourenço Marques, 1971, 3 vol.).

.

Para quem se interessa pelos temas ferroviários, numa passagem por Maputo, o Museu não deverá passar despercebido, e será certamente um  motivo de alegria e de tempo reservado na passagem. Mas que argumentos apresentará para os mais distraídos, porque é que quem visitar Maputo não pode deixar de passar pelo Museu dos CFM?

A técnica de museologia aponta argumentos: “O Museu dos CFM esta localizado num espaço privilegiado, na centenária Estação Ferroviária da capital; esta última considerada, pela revista Norte americana Newsweek, a mais bela de África e a 9ª mais bela do Mundo. É um dos melhores Museus do país (moderno e interactivo), há quem diga que é único no país, é depositário de uma das mais nobres histórias de Moçambique.”

O Museu dos CFM abriu ao público no passado dia 11 de Junho de 2015. E para quem estiver, ou passar, por Maputo fica a proposta e desafio para  uma visita.