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Património técnico vira sucata!

DSC_1964Esta semana no Barreiro, vai haver mais um abate massivo de material circulante CP desactivado. Entre o muito material que irá ser demolido constam exemplares únicos que não têm representação museológica alguma. São elas, as Sorefame 21-69 004 e 22-69 014, ambas são conhecidas no meio ferroviário por “mini saia”, por não terem a típica saia (carenado).

Foram carruagens que marcaram presença pelo país e acabaram os seus dias na linha do sul. São muito diferentes de outras carruagens Sorefame, e por isso merecem lugar num futuro núcleo museológico no Barreiro. Mas para isso é preciso vontade, porque daqui a uns dias não vão passar de bocados de metal num indiferente monte de sucata.

Infelizmente o interesse por parte do MNF ( e apesar de não ter este tipo de material a seu cargo tem que zelar pelo interesse da preservação ferroviária … ), da CP e da Câmara municipal do Barreiro tem sido mínimo. Não se percebe porquê, é uma questão de defender os interesses da terra, da identidade, e que podia trazer dinamismo ao Barreiro. Aproveitando Lisboa aqui tão perto dos lowcost e dos cruzeiros.

Não faltam exemplos e referências do que pode ser o turismo ferroviário. Seja estático ou em movimento, com recurso a locomotivas a vapor, diesel, ou automotoras. E também com vagões e carruagens. Porque sem isso dificilmente fará sentido ter excelentes infraestruturas ferroviárias históricas como o Barreiro. Redonda única no país com o edifício praticamente em estado original, oficinas com a fachada que era a antiga estação ferroviária do Barreiro datada de 1859, o Bairro dos ferroviários, e a estação ferroviária recentemente desactivada; estruturas estando vazias de material circulante muito dificilmente farão sentido. Em qualquer país, o que ainda existe no Barreiro, dava um excelente pólo museológico, pois tem todas as condições para ser um sucesso, havendo interesse, e um pouco de esforço por parte de quem tem poder …

Existem muitos exemplos de como é possível dinamizar o património ferroviário usando como base protocolos. Como por exemplo através de escolas profissionais ligadas a metalomecânica, ou outra área qualquer para restaurar infraestruturas ferroviárias e material circulante, bem como usando o trabalho de voluntariado.

Um exemplo Português é o de Torredeita, algum material foi cedido pela CP e foi arranjado por uma escola profissional

Para que isto tudo possa acontecer é necessário agir já, há um ano, já era tarde. Haja interesse que tudo se consegue, é preciso haver interesse por parte das entidades para se levar este projecto para a frente com sucesso máximo e abrir a porta para mais projectos com sentido.

Julho, 2015

André Cornamusaz