free web
stats

Museu da Macinhata uma ilha ferroviária? – Confirma-se

img: Movimento Cívico Pela Linha do Vouga

img: Movimento Cívico Pela Linha do Vouga

O Núcelo de Macinhata do Vouga do Museu Nacional Ferroviário, com o final da intervenção entre Águeda e Sernada do Vouga vai deixar de estar ligado à linha do Vouga. Reitera-se a confirmação da ilha ferroviária. Para mitigar a retirada do aparelho de mudança de via (AMV) a solução vai passar pela assinatura de um protocolo com a Infraestruturas de Portugal (IP), adiantou fonte camarária à webrails.tv.

A solução a protocolar, já adiantada pela IP, será uma ligação técnica de serviço. Mas ainda não sabemos quais vão ser as condições para interromper a circulação ferroviária na linha do Vouga, quando se quiser colocar material circulante do núcleo na linha, ou quem vai pagar.

Aproveitamos então para procurar compreender esse cenário, e como se aplica no terreno uma ligação técnica de serviço, nos moldes avançados pela parte ferroviária da IP, através do saber de quem constrói ferrovia.

” Deixa de haver uma ligação com carácter permanente ao espaço museológico, e aquilo que se fará, sempre que for necessário fazer entrar ou sair algum veículo do Museu, será uma ligação no momento. Ou seja, ripa-se a linha, os carris e travessas, e as travessas são deslocados lateralmente, ligando ou à linha geral ou à do próprio ramal, “ explicou uma empresa portuguesa de referência na área de via e obras ferroviárias contactada. Pedimos-lhes para nos ajudarem a interpretar a retirada da AMV e a solução proposta pela IP.

O contacto complementou: ” Dessa maneira faz-se sair ou entrar aquilo que se pretende, e depois volta-se a repor a linha na posição inicial. Ou seja, não há uma ligação de uso fácil de um AMV, há sim a possibilidade de a cada momento que haja necessidade de fazer entrar ou sair veículos, ripar a linha. ” Sendo que a deslocação lateral da linha implica recurso a equipamento, homens, e à interdição de via entre Águeda e Sernada do Vouga.

Uma solução proposta que deixa no ar pontos de interrogação. Se a IP tem como missão potenciar o uso comercial da rede ferroviária nacional (RFN), quer no serviço de passageiros, quer nos tráfegos de mercadorias, não terá também responsabilidade em assegurar na RFN o uso cultural, não limitando o seu potencial? Em particular quando é publico que a CM de Águeda quer valorizar a paisagem ferroviária na linha do Vouga entre Macinhata e Sernada. Como é que uma solução, que corta a circulação de comboios, pode ser válida para um aproveitamento de veículos em circulações especiais? E como é que FMNF e CM de Águeda, entidades gestoras, deixam de cobrar à IP a retirada de um link quando este é parte da RFN na variante cultural do uso da infraestrutura que lhe pode interessar. Não deixando desvalorizar a paisagem ferroviária da linha do Vouga,  e ver prejudicado o acesso regular à gestão do acervo e um possível uso futuro. Sendo que esta pode ser uma solução que poderá levar ao fim do núcleo museológico da Macinhata, e deita ao lixo o aproveitamento do troço até Sernada em circulações históricas com material do núcleo.

A segurança, derivado à presença de uma AMV em curva, foi outro dos apectos referenciados como suporte para solução IP. Não abdicando do rigor da aplicação do termo, aproveitamos para aprender mais um pouco, e dar contexto ao AMV no cenário da Macinhata.

” Um AMV é sempre um aparelho caro. Só que para colocar um AMV em curva é preciso também encorpalo. “  À saída de fábrica, os AMV’s normais têm o ramo directo recto, e o derivado uma curvatura.  No caso do AMV ser para inserir numa curva, o ramo directo tem de ser encurvado de modo a ficar moldado ao raio da curva onde vai ser inserido. ” O que torna o equipamento ainda mais caro. Com certeza a razão pelo qual optaram por não instalar o aparelho, “ referiu.

Com o final das obras o troço Águeda – Sernada vai ficar com Carril UIC54, limitado a velocidades de 50/60km/hora. Sendo que nas estações a aproximação deverá ser atingida em marcha a vista, menos de 30km/hora. Se ao nível de segurança já temos a anulação da agulha como factor para uma decisão. A webrails.tv junta também a marcha à vista na aproximação às estações, o custos inerentes ao equipamento, manutenção, intervenção de ripagem e corte de via. Num contexto de inercia, falta de objectivos, e visão, será sempre mais prático cortar a circulação e desviar a linha, até porque não será seguro que possa vir a ser necessário numa política que assente no não se faz nem se deixa fazer.

Também porque a solução AMV pode representar um investimento grande para um uso que é diminuto, e não deixa de ser uma situação que tem algum risco, embora as circulações de marcha à vista não devam ultrapassar velocidades de menos de 30 km/hora. Explicou o nosso contacto: ” Não devia ser por aí além o risco, mas é mais um elemento que tem de ser mantido. E é um investimento caro nesta fase para um uso que é diminuto, pelo que a Refer, terá optado seguramente – bom se eu consigo, com esta acção sempre que for necessário de ripar a linha, consigo resolver o problema. Prefiro não ter de fazer o investimento. ” 

Na construção de via corrida,  ” sendo a instalação de um AMV em curva tecnicamente de evitar, quando não existe alternativa faz-se. “ Seria esta a opção numa visão de futuro para o núcleo da estação de Macinhata, mas estaria a IP à altura de responsabilizar via protocolo a FMNF e CM Águeda pela sua existência?

No entanto se a opção de Macinhata (via estreita) passar no final dos trabalhos por se tornar mesmo uma ilha, nem tudo será mau. Depois de o núcleo de Lagos se ter tornado uma ilha com a linha do Algarve a escassos metros, espaços museológicos como Estremoz ou Santarém terem sido desclassificados, Arco do Baulhe, Chaves ou Bragança já não terem ferrovia, e Valença, Nine e Lousado serem a seu modo exemplos de uma paisagem ferroviária com links para a rede; já não sobram muitos mais activos ferroviários  para FMNF e IP hipotecarem. A decisão pauta pela desarticulação e o abdicar do aproveitamento futuro numa perspectiva de activos ferroviários de entretenimento cultural a partir da infraestrutura ferroviária com movimento.