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Porto do Lobito sobe investimento

img: Nuno Flash

Durante o ano de 2012 o Porto comercial do Lobito foi alvo de um considerável volume de investimentos em vários sectores portuários para os adaptar melhor aos desafios decorrentes da aplicação do projecto do Corredor de Desenvolvimento do Lobito.
“Temos aqui novas infra-estruturas de abastecimento de água, de drenagem, de geração, de produção e distribuição de electricidade, assim como de comunicações e um edifício novo destinado aos serviços de controlo de tráfego marítimo “VTS”, além de uma nova estação de radar. Estamos certos de que estes empreendimentos vão contribuir para a melhoria de trabalho na unidade portuária do Lobito”, disse ao Jornal de Angola o presidente do Conselho de Administração, Anapaz Neto. No âmbito do programa de reabilitação e ampliação, merece igualmente destaque a construção de um novo cais de acostagem e a realização de um longo processo de dragagem no interior da baía onde se situa o porto.
De acordo com Anapaz Neto, foram executadas novas plataformas para armazenagem de contentores, ao passo que no recinto portuário foram reabilitadas as estradas do ramal interno, a fim de facilitar a mobilidade dos meios motorizados e, particularmente, dos equipamentos de movimentação de carga contentorizada.
Ao pronunciar-se sobre as cifras de produção durante o ano de 2012,  revelou que foi movimentada mercadoria estimada em 2,9 milhões de toneladas, um resultado muito próximo das expectativas iniciais, que rondavam 2,967 milhões de toneladas. Em relação ao mesmo período de 2011, a carga movimentada foi de 2,793 milhões  de toneladas.
O tráfego marítimo durante o ano findo foi de 579 navios e em 2011 o cais portuário registou a movimentação de 708 embarcações com carga para reconstrução, produtos alimentares diversos, viaturas e maquinaria, entre outros.
Durante o período em causa alguns importadores locais do sector privado viveram problemas de tesouraria, daí que se tenha observado uma temporária diminuição da navegação do porto. “Verificamos agora que os maiores operadores são entidades públicas que movimentam cargas para a reconstrução nacional”, destacou Anapaz Neto.
Quanto às receitas líquidas, o Porto do Lobito arrecadou em 2012 um total de 9,154 mil milhões de kwanzas, detectando-se igualmente uma ligeira baixa no resultado obtido, que é o reflexo da diminuiçãoção de navios que atracaram. Comparativamente a igual período de 2011, a empresa teve receitas avaliadas em 9,884 mil milhões de kwanzas. Anapaz Neto revelou que havia uma planificação que previa a facturação de quase 11 mil milhões de kwanzas, mas os vários factores já apontados durante o ano de 2012 não permitiram obter tal resultado, como é o caso da diminuição do tráfego marítimo.

A nova face do porto seco

O porto seco do Lobito é um terminal intermodal construído no exterior do porto marítimo, onde vão ser armazenadas as mercadorias importadas ou a exportar, pelo período que o importador/exportador desejar. Neste porto sem á­gua está facilitado o tempo disponível para libertar a mercadoria em caso de dependência das obrigações fiscais.
O fluxo crescente de mercadoria no porto ao longo dos últimos anos incentivou o Executivo a elaborar o projecto e mandar construir este importante empreendimento, por ser um dispositivo económico que vai estar ao dispor da classe empresarial de toda a região.
Uma década depois da conquista da paz em Angola, ergue-se com o esforço dos seus filhos e o contributo de países que têm experiência, ciência, recursos humanos e investimentos. O relançamento do Corredor do Lobito vai proporcionar outra dinâmica a províncias como o Huambo, Bié e Moxico que, nos últimos tempos, demonstram que o país caminha no rumo escolhido do desenvolvimento. Com efeito, o Corredor do Lobito é também um projecto com elevado pendor de inclusão social que comprova que o país caminha com passos firmes para o progresso.
Quanto às obras realizadas no terminal de minério, elas consistiram na execução de um cais com 310 metros, no aterro e na pavimentação das plataformas de armazenagem, das estradas de circulação interna, na construção de edifícios de apoio às operações, um armazém, uma estação de tratamento de águas contaminadas e postos de transformação.
Neste período de ampliação e modernização, o Executivo também investiu em recursos humanos, para garantir a efectivação plena do projecto.
Com o objectivo de garantir alta qualidade no programa e com a mínima influência para o ambiente, a reconstrução do Porto contou não apenas com engenheiros experientes, mas também com equipamentos e técnicas avançadas, segundo Anapaz Neto.
Para o projecto foram contratados preferencialmente funcionários locais, contribuindo para o bem-estar de muitas famílias por via dos postos de trabalho criados.
Como plataforma intermodal na rede regional de transportes de mercadorias e passageiros, o Corredor do Lobito constitui uma excepcional oportunidade de desenvolvimento económico e social para toda a África Austral, acrescentou.
O Porto ocupa uma posição estratégica privilegiada, apresentando possibilidades de incrementar as excelentes condições do seu terminal marítimo, situado no interior da Baía do Lobito, protegida por uma extensa restinga de areia de quase sete quilómetros.
É uma baía de águas calmas e suficientemente profunda, oferecendo condições naturais e privilegiadas para a instalação de terminais portuários adicionais vocacionados para o manuseamento de mercadorias de diferente natureza.

Ganhos sociais e económicos

“Devo confessar que Angola está de regresso aos mercados da África Austral onde antes da independência operou com o Caminho-de-Ferro de Benguela”, afirmou o presidente do Grupo Chico Maria, o empresário Francisco Maria, ao Jornal de Angola.
O presidente do referido grupo considerou que o Porto do Lobito está a melhorar a qualidade de vida de milhares de famílias residentes no município do Lobito, por via da consignação de espaços laborais a empresas idóneas. “O Grupo do qual sou o gestor emprega 300 jovens trabalhadores no serviço de estiva no recinto portuário e é um elemento chave do programa do Executivo para o combate à pobreza”, disse.
Para Francisco Maria é positivo que as autoridades instalem estruturas, que tragam novas oportunidades para os empreendedores que tenham pequenas e médias empresas poderem dar o seu contributo no combate ao desemprego.
O exemplo desta boa prática já está a acontecer aqui no Porto do Lobito, onde o nosso grupo empresarial criou 300 novos empregos, frisou. A formação dos empresários é importante para que eles não baixem o grau de exigência imposto pelo mercado, onde o Executivo procura manter uma velocidade uniforme para a reconstrução de infra-estruturas atingidas pelo conflito armado, acrescentou.
O Corredor do Lobito tem registado um progresso significativo, razão pela qual “estamos confiantes em que ele vai cumprir os seus compromissos e nós, empresários, que já operamos na área, temos de afinar a nossa estratégia de progressão além do Lobito e da fronteira Leste”, disse. O corredor vai ligar o Porto do Lobito às regiões mineiras da República Democrática do Congo (província do Katanga), e da Zâmbia (Coperbelt), atravessando, a partir do Oceano Atlântico, todo o território angolano pelas províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico.
É, por isso, indispensável, que os homens ligados ao ramo empresarial concentrem a sua visão de crescimento nas mãos de técnicos bem formados e que devem ser valorizados pela sua competência, para que cumpram o seu papel com rigor, defendeu Francisco Maria, para quem um trabalhador dotado de mais competências e com melhores condições de trabalho vai contribuir consideravelmente para a qualidade do trabalho da empresa. Isto é inquestionável, afirmou.
O Executivo continua a empreender acções que vão no sentido da formação técnica e profissional dos gestores através da promoção do empreendedorismo, para que os empresários possam criar negócios rentáveis que sirvam de alavanca ao crescimento económico em todas as regiões do país. Um sector determinante na política de emprego passa pelas micro, pequenas e médias empresas.
Outro passo importante dado pelo Executivo está na simplificação dos procedimentos que conduzem à criação de micro e pequenas empresas para resultar no surgimento de um grande número de unidades produtivas, considerou o Presidente do Grupo Chico Maria, que disse ainda ser desejável que a região tenha muitos empresários angolanos que estejam à frente de unidades produtivas de diferentes dimensões.

O impulso à economia do Corredor do Lobito

O Corredor de desenvolvimento do Lobito tem a sua efectivação alicerçada na paz e segurança que Angola alcançou a 2 de Abril de 2002, que permite a livre circulação em toda a extensão do território nacional. Com uma instalação faseada, este instrumento vai estender-se a outros países da região da SADC. O corredor está assente em infra-estruturas modernas, equipadas com tecnologia de última geração, e que têm sido o motor para o surgimento de outras actividades sociais e económicas que estão a contribuir para o progresso na província de Benguela, no domínio da educação, turismo, hotelaria, comércio, agricultura, indústria e pescas, entre outros.
Para a concretização do corredor, o Executivo investiu na recuperação de 1.344 quilómetros de linha do Caminho-de-Ferro de Benguela, desde o Lobito até ao Moxico. Já foram adquiridas novas locomotivas, reabilitadas todas as estações destruídas ao longo do conflito armado, formados jovens que em parceria com os trabalhadores veteranos estão a desenvolver um árduo trabalho para manter a circulação do comboio sem problemas.
A circulação regular de composições ferroviárias entre as cidades do Lobito, Huambo, Cuito (Bié) e Luena (Moxico), sendo uma de passageiros e outra de carga, tem estado a acelerar as trocas comerciais, provocando um impacto positivo na vida das povoações por onde o comboio passa.
Servido pelo Caminho de Ferro de Benguela (CFB) e dotado de infra-estruturas de qualidade, o Porto do Lobito ganha especial importância como plataforma logística para toda a região central de Angola assim como para os países vizinhos sem costa marítima.
De referir, igualmente, que Benguela conta com novas universidades, institutos superiores politécnicos e pólos para fazer face ao crescimento exponencial que se está a registar. Assim, o Executivo criou na província a Universidade pública Katiavala Bwila para formação de recursos humanos, cuja missão é garantir a sustentabilidade dos projectos de reconstrução nacional e noutros de âmbito regional nos quais o país estiver envolvido no âmbito do Corredor do Lobito.
É um programa ambicioso de formação de quadros para a exploração das nossas potencialidades, em particular no domínio das pescas, um sector que pode contribuir para a erradicação da pobreza. Para isso são necessários, cada vez mais, quadros capazes de transformar as nossas potencialidades em resultados que satisfaçam as necessidades colectivas.

Sampaio Júnior – in: Jornal de Angola