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Entusiasta sinónimo de “autorização” em Santa Apolónia

PortofSinesAccessRecolher imagens em espaço ferroviários públicos, para entusiastas que se identifiquem e que não seja para uso comercial, não carece de autorização desde 2010. Situação que não se confirma ciclicamente em algumas estações de caminhos de ferro, como a lisboeta Santa Apolónia, onde termos como “entusiasta” são desconhecidos, ou sinónimo de “autorização” na recolha de imagens. Isto porque nem os seguranças que ali prestam serviço parecem saber o que quer dizer quando se fala de pessoas que gostam de comboios, e pelos vistos na Gestão da Rede Ferroviária da IP, na parte da segurança, também não.

O que a IP diz não se escreve

Resposta a um pedido de autorização para recolha de imagens video enviado em nome da webrails.tv há então REFER, em Janeiro de 2010: ” Conforme já lhe expliquei não emitimos credenciais nas condições das anteriores [ credencial em cartão ou autorização em papel para entusiastas], assim as credenciais para uso particular e sem qualquer finalidade comercial foram abolidas de acordo com os procedimentos recentemente adoptados na REFER, para fotografar ou filmar as estações e as plataformas ferroviárias, não é necessária a emissão de credencial. ” E rematava no final do email: “Deverá apenas dirigir-se a algum encarregado nosso (REFER) ou aos seguranças e informá-los do seu propósito, “ resposta reiterada pela REFER, via comunicação e imagem, a outras solicitações de autorização feitas pela webrails.tv desde 2010.

Procedimento confirmado com um documento da REFER, recolhido no antigo site, sobre fotografia e filmagem em infra-estruturas ferroviárias, onde o gestor aponta Princípios Orientadores para os funcionários: ” Face às inúmeras solicitações de credenciação de indivíduos, entidades e empresas com vista à realização de fotografias ou filmagens em infra-estruturas ferroviárias, e de modo a estabelecer um padrão único e comum de actuação a todos os agentes ferroviários e prestadores de serviço de segurança, propõe-se um conjunto de princípios que devem ser seguidos. “

Princípios a seguir, num documento que se perdeu antes de chegar às empresas segurança, também antes de chegar a algumas estações guarnecidas e factores; que dizia em relação ao cidadão comum, onde o entusiasta se inclui: ” Por princípio, a recolha de imagens por qualquer cidadão em espaços públicos de livre acesso (estações e plataformas), para fins particulares, não carece de autorização. ” Aplicando-se, os princípios, a ” quem gere e coordena a segurança e exploração nestes espaços.” ou seja os seguranças, como prestadores de serviços, e a IP como dona e gestora da Infraestrutura.

Isto, claro, para recolha de imagens nas áreas do domínio público ferroviário, ficando as  áreas do domínio público ferroviário de acesso vedado ao público a necessitar ” sempre de autorização por parte da REFER, mediante emissão de uma credencial cuja validade é limitada no tempo e circunscrita ao local solicitado. ” 

Neste quadro, a estação de Santa Apolónia posiciona-se claramente como uma estação onde a informação não chegou, e era importante saber porque é que não chegou, ou onde foi que se perdeu. Porque se ficou decido abolir credencias e autorizações junto de entusiastas, não se compreende porque são pedidas sistematicamente. Mas se assim não é, será então necessário a IP referi-lo oficialmente junto dos interessados, ou justificar porque isso assim é em Santa Apolónia, no respeito pelos entusiastas e a sua vontade de abordar a ferrovia. Quem se interessa por comboios e caminhos de ferro não tem que ser federado num associação, ter amigos que facilitem, ou dar um jeito, tem sim de ter regras e agir nesse quadro. Não tem de navegar numa zona cinzenta conveniente, que só serve para criar folga no desempenhar adequado de determinada tarefa, promovendo a falta de responsabilidade e a incompetência.

Passeio Ferroviário a Sines

Mas se o serviço de segurança da estação de Santa Apolónia marca pontos pela negativos na recepção ao entusiasta, não deixa em aberto poder facturar mais alguns com o apoio da Gestão de Infraestrutura da IP. No dia 26 Setembro a estação foi palco do inicio de uma viagem de entusiastas até Sines. A iniciativa promovida pela APAC e CEC, como o apoio da Direcção Geral do Património, juntou mais de 150 participantes que não deixaram de responder sim a um passeio de comboio alugado de propósito.

Aqui colocamos a questão: será que a gestão de segurança da IP sabia que ia haver uma viagem de pessoas que gostam de ferrovia, e que muitas dessas pessoas expressam esse gosto a tirar fotografas e gravar videos? Porque se sabia não se compreende porque é que conseguiu ser incompetente num dia de evento de associativismo ferroviário, incluído num evento público como as Jornadas Europeias do Património, com pedido de autorização para recolha de imagens no quadro do evento.

Se sabia, talvez seja importante pensar em promover alguma reciclagem e formação, para ajudar os intervenientes com responsabilidade directa na gestão de segurança do espaço da estação com Princípios Orientadores, para uma abordagem comum, e assimilação de significado de termos como o de “Entusiasta”, no que é e tem por hábito fazer. Que é importante agir de forma positiva e assertiva, em dias que procuram valorizar a identidade do sector, como passeios ferroviários promovidos por associações, com participação de entusiastas. Já agora que vejam se têm feito o suficiente para que os comboios andem menos grafitados, e o que ainda não fizeram e podem fazer para mitigar o problema.

Para terminar referir que a webrails.tv foi convidada para ir ao evento ferroviário de Sines incluído nas Jornadas Europeias do Património. A redacção, na linha editorial, tinha intenção de publicar uma reportagem do passeio. Porque estes momentos são singulares e importa dar-lhes valor e destaque. Também para aferir da participação de APAC, e CEC numa viagem conjunta e momentos. E ainda no meio associativo procurar saber novidades que o movimento reserva para a nova época.

Mas levantar este tema é também importante e pedagógico no atrito à motivação pelos caminhos de ferro, ainda para mais quando a fusão IP parece não ter espaço para valorizar a cultura e o interesse lúdico pela ferrovia. Assim trocamos  a viagem por este texto, porque não temos de “dar jeito” a quem tem responsabilidade e poder no terreno mas não merece respeito, e aproveitamos para escrever sobre algo onde já havia material de outros situações, em mais um Ponto de Vista.

Rui Ribeiro