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Venda da CP Carga: Estado oferece “equipamentos embarcados”

CPcargaO Estado português prepara-se para oferecer mais de 8 milhões de euros em “equipamentos embarcados” na venda da CP Carga à MSC Portugal. De acordo com dados divulgado esta terça-feira pelas Comissões de Trabalhadores da CP e CP Carga, só a venda de 15 locomotivas da serie 1400, que representa 762 681 euros, pode significar em “material embarcado” instalado nos veículos a perda de mais de 1.4 milhões de euros.

Os “equipamentos embarcados”, obrigatórios nos veículos que circulam na rede ferroviária nacional, têm um custo associado de 145 mil euros, sublinham os CT’s. ” São estes equipamentos que permitem ao veículo ferroviário comunicar com os equipamentos instalados na via e com os Centros de Comando e Controlo de Tráfego Ferroviário da REFER. E tal é válido para qualquer veículo ferroviário, qualquer que seja o seu proprietário e a sua função (transporte de passageiros, de carga, inspecção, manutenção ou construção de via).”

Esse tipo de equipamento, conhecido por CONVEL e Radio Solo Comboio, destacam as estruturas, representa no parque de 15 locomotivas 1400 o valor de 2 175 000 euros (145 mil euros por unidade), contra o valor total apurado de 762 681 euros para a venda das locomotivas da série 1400. “Quando falamos de uma locomotiva diesel da série 1400 representa mais de oito vezes o valor que lhe foi atribuído nesta avaliação. Por outras palavras, a CP valorizou uma locomotiva em 16 615€ quando só o valor dos equipamentos embarcados é de 145 000€. “

De acordo com os dados recolhidos, o valor das locomotivas ( 762 681 euros ) mais cara e mais barata da série 1400 oscila 89%, entre os 146 225€ para unidade a mais cara, e 16 615€ para a mais barata. O que dá uma média 50 845 euros por locomotiva, menos de metade do valor do “equipamento embarcado”.  Valor em equipamento que compreende também o Train Office, ferramenta associada à gestão do parque de material.

A oscilação de valores individuais entre séries de locomotivas estende-se às 1900/1930, que merecem também atenção por parte dos CT’s: ” Mesmo considerando que estas locomotivas para circularem necessitam de revisões periódicas onerosas, e que estas revisões custam centenas de milhares de euros, o certo é que todas estão em condições de circular. Atribuir a uma locomotiva a circular um valor inferior ao seu valor em sucata é inadmissível. Se o serviço que podem prestar não justifica o custo de manutenção; se não existe procura de serviço rebocado a diesel para tão grande parque de locomotivas, então a CP, proprietária das locomotivas, abati-as, ficando com o correspondente valor da sucata em caixa. “

Ainda sobre os equipamentos e o seu reaproveitamento, as estruturas destacam:  ” podem ser retirados de uma locomotiva destinada à sucata para serem montados noutra série de material que tenha de circular na rede ferroviária portuguesa. “ Para lembrar mais à frente que existe necessidade, uma vez que não se compra, a intenção de alugar material circulante a Espanha, para o serviço de passageiros em Portugal.

” A CP, empresa que alega não ter dinheiro para adquirir comboios novos, nomeadamente para a frota da linha de Cascais e para frota de automotoras diesel do serviço regional, vai com este negócio descapitalizar-se num valor equivalente a 2/3 da frota da linha de Cascais (160M€). Tal facto leva a que a empresa anuncie mais uma vez a intenção de alugar mais veículos ferroviários a Espanha para o serviço de passageiros, pelo que ainda vamos assistir à “reaquisição” por parte da CP dos equipamentos embarcados das locomotivas das quais se pretende agora desfazer. “

As Comissões de Trabalhadores da CP e CP Carga procederam à análise da intenção de capitalização da CP Carga, executada já depois da assinatura de venda, com o parque de locomotivas alugadas à CP pelo operador mercadorias desde 2009. A tracção encontra-se avaliada em 116 milhões de euros, compreende 59 locomotivas. Entre tipo eléctrico, séries 4700 (25) e 5600 (4), e diesel da série 1400 (15) 1900/1930 (11), e 1960 (4).

Artigo completo disponível para subscritores.

No decurso da privatização, falta ainda o parecer da Autoridade da Concorrência para confirmar a aquisição. No entanto o processo de capitalização no cenário de venda, afirmam os CT’s, não só limpa toda a sua dívida da CP Carga (120 milhões de euros) como representa uma descapitalização da CP em igual montante, a troco de 2M€.