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Nerlei preocupada com alternativas à rodovia

vilarFormosoEm termos de tempo o transporte marítimo e ferroviário de mercadoria para França não se apresentam como alternativa à rodovia. Segundo Jorge Santos, presidente da Associação Empresarial da Região de Leiria (Nerlei), a situação poderá vir a afectar a competitividade das empresas da região de Leiria a curto e médio prazo nas exportações para a Europa.

A abordagem ferroviária foi apresentada na Ordem dos Engenheiros por Jorge Santos, na questão colocada a António Ramalho, presidente da Infraestrutras de Portugal. O debate da sessão versou o investimento ferroviário e a questão da bitola europeia para a competitividade.

Na sessão o presidente da Nerlei expressou preocupação por não vislumbrar soluções na colocação de carga em França, no espaço de 2 ou 3 dias. “Não existe uma solução para os próximos 15 anos na colocação de mercadoria em substituição do transporte rodoviário”. Jorge Santos referia-se a limitações na travessia dos Pirenéus, e até em França, que poderão vir a ser impostas para condicionar a circulação rodoviária.

Na resposta, António Ramalho, referiu: “Neste momento quem quer levar alguma coisa para o estrangeiro não leva, ponto. Nem em três dias, nem em quatro, nem em cinco, nem em seis dias.” Avançou como exemplo o comboio da DB Schenker que “desapareceu num instante” com problemas em França.

Mas se a região de Leiria não leva mercadoria para França por ferrovia agora, o presidente da IP garantiu que em cinco anos vai passar a levar para Madrid e além Pirenéus: “e se eu lhe garantir que para levar, no prazo de cinco anos, vai ter electrificado a norte. E a sul chega a Madrid e norte a Irun. Desculpe, passou a levar. Passou a levar electrificado ainda por cima.” Electrificado entre Vilar Formoso e Salamanca a 25 mil volts, assegura António Ramalho.

“Porque quem tem interesse em oferecer uma oferta conjugada, curiosamente é o gestor de infraestrutura, não é só operador “, rematou depois de questionar se fazia mesmo diferença levar mercadoria em bitola UIC. E a resposta chegou, a prioridade é colocar a mercadoria.

Embora procure promover uma oferta conjugada o gestor de infraestrutura não leva a carga. Em particular quando a infraestrutura já existe entre Vilar Formos e a Europa. E também não deverá ser necessário esperar cinco anos se houver mercadoria e operadores logísticos.

Adianta, a propósito, uma fonte próxima do sector ferroviário de mercadorias consultada: “ Para o operador CP Carga não foi problema colocar o comboio da DB na fronteira espanhola de Irun, com o transit time certinho, em menos de 24 horas. A questão neste contexto coloca-se de Irun para cima, onde um eventual interesse terá forçosamente de passar por um operador logístico”.

Refere ainda que operador já teve vários projectos para França que não entraram por causa do preço. Tem de haver um angariador de carga para Portugal, explica: “ de França não há mercadoria para cá, e convém que os comboios circulem com cargas à importação e exportação, para andarem cheios nos dois sentidos ”.

Ao nível do transporte marítimo apuramos que França está longe mas não está longe o suficiente para compensar fazer o transporte marítimo, e por isso não existem linhas regulares.

Mas isso não implica não existirem soluções indica fonte do sector marítimo, só que será necessário fazer contas de tempo, distância e custos. Lembra neste contexto que em Portugal ainda não existem Terminais dedicados ao transporte marítimo de curta distância, uma solução de transporte Ro-Ro que encurta significativamente os trâmites de embarque e desembarque da carga.

A solução Ro-Ro encontra exemplo no tráfego mediterrânico do armador italiano Grimaldi. Na linha operada entre Barcelona e Itália os navios efectuam o transporte de atrelados ou camiões completos, o embarque não demora cinco minutos.

Proposta que na actualidade não existe em Portugal. Em território nacional, o terminal que serve as cargas intra-europeias e as cargas internacionais tem o mesmo procedimento alfandegário. No entanto as cargas intra-europeias não necessitam de alfândega, mas acabam por passar por uma zona alfandegada que não pode funcionar como terminal Short Sea europeu.

Situação que hoje obriga a entregar a mercadorias num porto com 24 horas de antecedência. Onerando todo o processo que envolve o tempo de transporte, que no caso francês deverá demorar 3 a 4 dias dependendo do Porto de destino. Tempo de transporte que um terminal dedicado ao Short Sea em Portugal poderá melhorar.