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Via estreita do norte de Portugal em destaque na APAC

A Associação Portuguesa de Amigos dos Caminhos de Ferro (APAC) promoveu no sábado,  20 de Fevereiro, o segundo encontro do Ciclo de Conversas e Exibições da APAC.  A dinamizar a sessão, uma projecção de slides, esteve o associado José Martins Carvalho com o tema “Recordações de via estreita do norte de Portugal nos anos 80 do Séc.XX”.”


A par da ferrovia e imaginário ferroviário, a dimensão humana marcou forte presença na sessão. Quer pelo lastro emocional de imagens com três décadas de descanso. Tempo  passado sobre o último visionamento por parte do autor. De fotografias da via estreita do Sabor, Tua e Corgo, e linha do douro, em que muitos  momentos resultam de reportagens fotográficas de viagens e passeios realizados na companhia de família e amigos. Quer ainda pela cumplicidade com que algumas fotografias revelaram ter sido tiradas. Nesse contexto, o entusiasta recordou a cumplicidade da esposa nas jornadas fotográficas de temática carriliana. Quando em ângulos diferentes fotografavam o mesmo comboio para ter registos complementares numa sequência.

Envolvimento pessoal e profissional que ao longo do tempo resultou em abordagens ferroviárias do comboio na paisagem, em viagem ou ambiente ferroviário. Momentos de laser, ou inseridos na rotina da actividade diária, por vezes guardados em suportes áudio, filme e fotografia. Registos que vieram dar forma à sessão deste sábado: “Recordações de via estreita do norte de Portugal nos anos 80 do Séc. XX”.

O olhar com que registou momentos ferroviários, como foi deixando subentendido ao longo da apresentação, encontrou também disponibilidade na dimensão profissional. Quer pela necessidade de viajar de comboio, quer pela curiosidade de conhecer os lugares da ferrovia. Profissionalmente José Martins Carvalho surge associado à hidrogeologia, como geólogo de formação. Actividade profissional que o levou a percorrer Portugal partir da década de 60 séc. XX, e conhecer mundo. Abastecimento de água, recursos hidrominerais e geotermicos, ordenamento do território, são apenas algumas áreas onde desenvolveu actividade e conhecimento, num envolvimento que se prolonga até ao presente.

Também sublinhar a postura e estimulo que identifica a APAC. Quer no papel de promoção e divulgação de conhecimento. No dinamismo de resgatar arquivos e recuperar histórias num encontro de gerações. E por fim,  dar uma dimensão actual aos suportes de época usados pelos associados na ligação à temática ferroviária, não permitindo que ganhem pó ou seja presa fácil do esquecimento.

Uma tarde bem passada a ver e ouvir histórias de uma ferrovia distante, que já só opera  nas imagens e memória. Realidade que pouco mais de meio século, sem olhar para o futuro, paulatinamente deixou desaparecer sem responsáveis ou responsabilidade na destruição que hoje ostenta.

Não sendo um panfleto activista, o visionamento das Reportagens José Martins Carvalho, e enredo da sessão, deu cor e emprestou movimento a uma realidade que hoje só existe em sombra. Actividade, que tendo sobrevivido até aos nossos dias, poderia estar hoje a actuar como ferramenta de desenvolvimento económico, coesão social, e criação de emprego, no contexto da região.

Próxima sessão tem data marcada para 19 de Março, e estará a cargo de Owen Brison com “Miscelânea sobre Carris”. Mais informação sobre a sessão e ciclo pode ser encontrada AQUI