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CTMAD apresenta «A Linha do Vale do Sabor – Um Caminho-de-Ferro Raiano do Pocinho a Zamora» dia 19

Capa_frenteA Casa de Trás os Montes e Alto Douro (CTMAD) em Lisboa será palco no próximo dia 19 de Março de 2016, pelas 15H00, da apresentação do livro «A Linha do Vale do Sabor – Um Caminho-de-Ferro Raiano do Pocinho a Zamora». A apresentar o livro, ainda não totalmente confirmado, deverão estar o coordenador da obra, Carlos d’Abreu, Daniel Conde, um dos escritores, o editor, António Sá Gué e Ramiro Salgado da CTMAD.

A obra foi originalmente lançada em Julho de 2015 no Festival Transfronteiriço de Poesia, Património, e Arte de Vanguarda (PAN). O evento realizou-se entre as localidades de Morille (Salamanca) na Espanha, e  Carviçais (Torre de Moncorvo) em Portugal. O caminho de ferro, através do património ferroviário, assumiu-se como um dos temas que dinamizaram o festival .

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A propósito do lançamento em Lisboa falamos com o editor, António Sá Gué, a quem colocamos algumas questões.

webrails.tv – como surgiu a oportunidade de materializar o livro?

António Sá Gué - Embora a ideia de editar algo sobre a linha do Sabor já existisse nas minhas intenções e do Geógrafo Carlos d’Abreu, no entanto, podemos dizer que foi o PAN – Festival Transfronteiriço de Poesia, Património e Arte de Vanguarda – o grande «leitmotiv» para que o livro «A Linha do Vale do Sabor – Um Caminho-de-Ferro Raiano do Pocinho a Zamora» fosse editado, e outros que poderão vir a surgir, tendo como pano de fundo a região transmontana que, deprimida como está, por muito que façamos será sempre pouco. Ou seja, quando decidimos trazer o PAN para este lado da fronteira, uma vez que esse festival vanguardista já se realiza em Morille (Salamanca) há 13 anos, e decidimos enriquecer o programa adicionando-lhe uma secção dedicada ao Património, que não existia nas edições anteriores, de imediato o Carlos d’Abreu propôs que a edição desse ano (2015) fosse dedicada ao património ferroviário. Eu, enquanto editor, de imediato apoiei a ideia. Conhecia o trabalho do Carlos d’Abreu, sabia de alguns artigos que tinha publicado em revistas científicas e, partir daqui, foi trabalho intenso do seu coordenador, como se pode calcular, que convocou todos aqueles que conhecia e, diga-se de passagem, todos responderam positivamente.

webrails.tv – como foi dar densidade ao livro?

António Sá Gué - A densidade que a obra possui é muito trabalho do coordenador. Primeiro, porque ele próprio já tinha estudado essa via-férrea, como disse anteriormente e segundo porque é um activista, e acérrimo defensor, dos caminhos-de-ferro em geral e da região transmontana em particular. Depois de inseridos os artigos de cariz histórico, com que se inicia a obra, procurou autores que, de uma forma ou de outra, têm memórias da linha do Sabor e que a ficcionaram. Permito-me distinguir neste particular J. Rentes de Carvalho, distinto autor que a percorreu durante muitos anos e que muito escreve sobre ela. Essa densidade é também fruto dos poetas cuja fonte de inspiração são os caminhos-de-ferro, e são muitos, e distintos porque provenientes de várias áreas académicas e profissionais, como se pode verificar. Claro que não se esqueceu daqueles que a fotografaram nas diferentes fases da sua existência, activada e desactivada, do seu património arquitectónico e, em particular, a ponte sobre o rio Douro, a maior obra de arte que existe ao longo da mesma e onde se inicia todo o percurso sinuoso, alvo de um levantamento fotográfico encomendado a um fotógrafo de grande gabarito.

webrails.tv – no contexto actual como se pode destacar o livro?

António Sá Gué - No contexto actual a Linha do Sabor bem pode ser um activo que interessa valorizar pelas entidades nacionais e concelhias. Interessa valorizar do ponto vista turístico, e muitos municípios têm desenvolvido projectos nesse sentido tirando partido da existência do canal circulante continuar aberto, mas também do património arquitectónico que, apesar de estar degradado, será ainda possível recuperar. E, nesse sentido, não esquecer o património paisagístico que é possível usufruir percorrendo-a ao longo de toda a sua extensão.

Do ponto de vista económico, e num tempo em que se fala da reactivação das minas de ferro de Torre de Moncorvo, bem poderá ser mais uma hipótese de transporte do mesmo que interessa estudar.

Além de tudo isto, creio que é também uma questão de coesão nacional. Quando o interior do País continua em desertificação acelerada e a política nacional parece preocupada com isso mesmo, há que deitar mão de todas as hipóteses para a fixação de gente, rentabilizá-las do ponto de vista económico, como não pode deixar de ser, e que é possível, tendo em conta as palavras de um dos autores, – que enriquecem esta importante obra – no artigo intitulado: «Reabertura da Linha do Sabor – Uma Abordagem».

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A monografia «A Linha do Vale do Sabor – Um Caminho-de-Ferro Raiano do Pocinho a Zamora», edição da Lema d`Origem, compreende 400 páginas organizadas em 6 capítulos.  Conta com a colaboração directa de 40 Autores, que para ela agenciaram 36 textos e 104 peças iconográficas.