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Acervo do MNF incorpora lote de material para sucata em venda da CP – 04

allanReboqueDepois de abordada a base do que produz ferrovia, não para transporte de passageiros e mercadorias, coordena a rede ou constrói ferrovia, mas para consumo cultural, divertimento, entretenimento, e preservar o tema para memória futura. No contexto procuramos enquadrar critérios que conferem interesse preservação ao material circulante em cenário de abate.

“Como resulta das respostas anteriores, a definição do carácter histórico e interesse museológico do material circulante, são da competência dos técnicos e peritos nesta matéria da Fundação Museu Nacional Ferroviário, aos quais foi enviada para analise a lista do material a integrar neste lote, não tendo a  Fundação Museu Nacional Ferroviário manifestado interesse nestas duas unidades”, respondeu fonte CP sobre presença de dois exemplares, fim de série, de reboques Allan no lote para abate.

O fim de série tem sido um dos critérios para a preservação de material circulante, a par do material que por algum motivo está ligado à história. No entanto algo que não é claro e questiona se a  Fundação Museu Nacional Ferroviário tem quadros para responder.  Um exemplo surge com a assinatura que prevê o reaproveitamento da Allan 304 para “passeios ou viagens turísticas em Portugal mas para o mercado inglês, e também para o nacional, embora [ a Heritage Traction Rail Services Ltd ] opere mais com o mercado inglês e alemão” em 2015. A entidade deixou de fora reboques de Allan, e a hipótese de ter uma composição original restaurada. Por saber fica se por desconhecimento ou deliberadamente.

Mas a opção de não manifestar interesse pelas unidades, até pela celeridade da  Fundação Museu Nacional Ferroviário em justificar opções, lembra a dimensão e papel do voluntariado nos Estatutos de museus. No caso de material para abate, e enquanto existe património, a Fundação Museu Nacional Ferroviário tem ligações institucionais para o fazer, e devia ter capacidade agregadora para o fazer. Curiosamente a entidade ainda não conseguiu dinamizar voluntariado numa cidade ferroviária como a do Entroncamento, e deixa em aberto ter conhecimento para o produzir.  Isto quando a Fundação Museu Nacional Ferroviário tem como presidente um antigo presidente de Câmara da cidade onde está o implementado o Museu Nacional Ferroviário. Quando o actual presidente da edilidade reitera em intervenções  “o Entroncamento tem ADN ferroviário”. Com historiadores a apontarem três gerações, “avô, pai e filho”, a trabalhar na ferrovia. Ou até pela existência de oficinas de manutenção de material ferroviário, quadros qualificados, mais saber e conhecimento. E mesmo assim não se vislumbra sombra de haver voluntariado. Deixando vazio espaço por um lado para suprir falhas e necessidades do Museu como complemento ao orçamento, ou para que promova a cultura do restauro de veículos. Ambíguo será também compreender a não existência de protocolos com a EMEF para recuperar material por esse meio.

Sobre o abate das unidades 600/650, “a CP e a  Fundação Museu Nacional Ferroviário decidiram preservar uma unidade para museu a qual ainda se encontra em estado razoável de conservação e não foi objecto de vandalismo”, adianta fonte CP. Outro dos critérios que tem sido seguido para a preservação de material circulante tem passado pela reserva de um exemplar de cada série. Umas vezes o primeiro veículo, outras uma unidade com dimensão histórica que empresta densidade à série.

Ainda como foco nas unidades, destacou: “foram produzidas na Sorefame as unidades 0641-0640/0651-0662. Não existe qualquer diferença entre as duas séries de numeração. Elas espelham momentos diferentes da encomenda, nomeadamente quando a CP quis passar de unidades duplas para unidades triplas, pela adição de um reboque intermédio a todas as já produzidas (0601-0640) sendo que na restante encomenda elas já viriam triplas. Para as unidades que vão agora para abate ao inventário e demolição como sucata, não houve interesse comercial em voltar a pô-las a circular, dado o seu obsoletismo e valor elevado de reabilitação, no contexto das actuais exigências de um transporte moderno (ar condicionado, velocidades máximas superiores a140Km/h, etc)”.

Contemplado no lote, segundo apuramos, para abate surgem ainda 2 furgões e a hipótese da criação de um banco de peças. Questionada a Fundação Museu Nacional Ferroviário, em conjunto com outros esclarecimentos pedidos, ainda não respondeu. A webrails.tv apurou que entidade não tem profissionais no Núcleo Funcional Comunicação e Imagem, mas aproveita para lembrar que a CP Comboios de Portugal é um operador ferroviário de transporte de passageiros.