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Acervo do MNF incorpora lote de material para sucata em venda da CP – 05

vougaMacinhataMNFMas um cenário de falta de ambição cultural poderá não ser tão linear quando se fala do silêncio e incapacidade da FMNF. Parte dessa falta de resposta também poderá recair na CP Comboios de Portugal e Infraestruturas de Portugal. Os Fundadores já têm situações que podem ilustrar um papel de acossador à operação ferroviária de uma dimensão cultural, que era importante acrescentar ao transporte de passageiros, e infraestrutura, no sector.

Fontes conhecedoras da alocação de material circulante ao Museu, e que fizeram parte do processo em reuniões com o operador ferroviário por parte da FMNF, apontaram um papel residual à instituição no processo. Em conversa, colocada a questão da existência de listas de material circulante, um antigo quadro caracterizou o papel da FMNF como “difícil” e “pouco incisivo”, na selecção de veículos. E sugeriu que deveríamos questionar a CP como autora das listas. Referiu: “Existe um departamento na CP responsável pela “alienação” de património… Está com eles”. Apuramos depois que o Departamento de “abate” insere-se na CP como “Unidade de Gestão da Frota Não Operacional”.

Questionada sobre a existência de um departamento de ”abate” no processo preservação fonte CP responde: “O material circulante que já está retirado do serviço comercial na CP e para o qual a empresa não consegue encontrar potenciais interessados na sua aquisição para futura utilização, é apresentado à FMNF para que esta fundação manifeste o seu eventual interesse histórico. Não se verificando nenhuma das duas situações (interesse histórico /museológico da competência da FNMF ou viabilidade da sua alienação a terceiros), o material circulante é então destinado a abate e demolição”.

Embora o operador ferroviário não confirme a presença e papel de um Departamento de “abate” no processo, a FMNF também não mostra saber responder ao “interesse histórico/ museológico da competência da FMNF”, do seu acervo na sucata, a omissão de o lá ter colocado, ou como intervém no processo. Nesta situação o silêncio acaba por ser uma resposta.

E se ao “silêncio” recordarmos o “articular”  com a Infraestruturas de Portugal no “Museu da Macinhata uma Ilha Ferroviária”. Ou as correntes de ar que colocaram a mão da CP comboios de Portugal no ponto final do arrastar da abertura do Museu Nacional Ferroviário no Entroncamento. Pode até tornar-se  questionável a necessidade de uma Fundação.

Senão vejamos, no primeiro caso a FMNF não responde à luz dos seus Estatutos porque coloca um veículo seu num lote de sucata, no segundo à luz dos mesmos Estatutos abdica em sintonia de um ramal de ligação a um núcleo Museológico. Questões que deviam ter sido respondidas num plano cultural, e no interesse futuro dos fins da instituição.

No entanto, a confirmar-se que a definição da estratégia cultural da FMNF passa pela CP e IP, a webrails.tv questiona para que serve, e se gasta dinheiro, numa Fundação Museu Nacional Ferroviário que não tem iniciativa para promover investigação, voluntariado, publicação de livros ou dinamizar colóquios e conferências.