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Cerejeiras em Flor (Olhar de um passageiro)

cerejeirasEmFlorA Viagem

A aventura começou no Oriente as 8:23 no Intercidades 541 com destino a Covilhã. O comboio partiu com bastantes passageiros logo no Oriente e em poucos minutos a carruagem já ia praticamente cheia. Esta seria a primeira vez que embarcava neste tipo de comboio e também a que voltava a Beira Baixa após a eletrificação do troço Castelo Branco-Covilhã. Tenho a dizer que partia com uma ligeira má impressão deste tipo de comboios, mas á medida que a viagem foi avançando, devo dizer que os bancos até são confortáveis para a viagem em causa. A viagem seguiu todo o caminho à tabela e a paisagem logo após o Entroncamento não podia ser melhor. A vista a beira do Tejo é magnífica, pena o rio estar bastante vazio. A conversa entre passageiros foi sempre o ambiente de fundo da carruagem 2 da automotora 2295. Na paragem de Castelo Branco foi a que mais passageiros deixaram o comboio para trás. Mas a poucos minutos da estação do Fundão as cerejeiras em flor começaram a aparecer lado a lado com a estação e a vista não podia ser melhor. A paragem era anunciada e estava na hora de desembarcar e iniciar a rota.

A Rota

Na estação do Fundão desceu muitos passageiros, a medida que os grupos formaram, apercebi-me que a volta de uns sessenta ou setenta passageiros estava naquela cidade para as cerejeiras em flor. Confesso que nunca me passaria pela cabeça que houvesse tamanha procura. Uma Guia apresentou-se ao grupo e iria ficar connosco todo o dia, para nos encaminhar pelas ruas, e apresentar o Fundão e as cerejeiras ao longo do percurso de autocarro. Logo na rua da estação uma obra-prima recente. O jovem artista português Artur Bordalo, conhecido por Bordalo II, utilizou desperdícios como matéria-prima. É com o recurso ao lixo que pintou o largo da estação com uma escultura numa parede a representar um Lobo. A viagem prossegue e o primeiro ponto de interesse aproximava-se. O Centro de Interpretação – Moagem do Centeio. Este núcleo mantêm a estrutura do circuito de processamento do centeio por 3 pisos e reconstitui a singular maquinaria em madeira preservando a memória associada à identidade do próprio edifício, tornando-se num importante e único exemplar da arqueologia industrial, evidenciando o encadeamento de processos até ao produto final.O passeio a pé seguiu-se pela Avenida da Liberdade, onde chegamos a Camara Municipal e ao Pelourinho. Este último, trata-se de uma reconstrução que foi realizada em 1935 com base em fotografias e desenhos do pelourinho original e assenta num alto soco de sete degraus. O posto de Turismo foi o local que se seguiu de onde foi distribuído um mapa da cidade e este seria o local de encontro após o almoço. A Igreja Matriz foi o ponto de referência que se seguiu. As primeiras referências à Igreja datam de 1314, mas o edifício Barroco remonta a 1707. Igreja de planta longitudinal simples, composta por uma única Nave, capela-mor mais estreita e baixa, sacristia, anexa de duas torres sineiras, planta quadrangular e remate em cúpula. Passamos a rua do Cale onde os judeus localizaram ali o seu comércio tradicional e hoje ainda é possível ver as suas marcas nas paredes das ruas. O Museu Arqueológico José Monteiro pretende ser um pólo de dinamização social, um centro comunitário de cultura, com uma vertente didática e pedagógica. É  um espaço destinado à Pré e Proto-história, ao Período Romano, do qual se destaca a coleção de epigrafia e uma biblioteca especializada em Arqueologia e História. Para finalizar o passeio a pé, passamos pelo Largo de S. Francisco, Parque das Tulipas e pelas capelas do Calvário e Espírito Santo. O almoço foi livre e cada um seguiu para o restaurante que quis, partindo das dicas dadas pela guia.

Após o almoço, cada um a seu ritmo foi chegando ao Posto de Turismo do Fundão até reunirmos todos e então, embarcar no autocarro que nos ia levar pelas aldeias e panorâmicas dos cerejais em flor. A primeira paragem foi em Alcongosta. O passeio foi feito a pé pela pequena vila bastante acolhedora onde os seus habitantes estão sentados a porta das suas casas e a maior parte das casas tem adereços relacionados com a cereja. A primeira paragem foi no café para um breve degustação do licor de cereja e de compotas da região. O licor esse, de receitas ainda das avós, é uma bebida leve e doce, bastante agradável para um degustação ou simplesmente para quando quisermos um sabor diferente no nosso paladar. Continuamos o passeio pela Vila até chegar à oficina do Senhor António Nunes, um artesão local que faz cestas à mão desde os seus seis anos. Regressamos ao autocarro e no caminho para Alpedrinha, uma paragem num cerejal para as fotografias da flor da cerejeira. Um local bastante bonito e com a particularidade de estar dividido em dois e num dos lados existe um efeito de microclima que faz com que esse lado esteja 8 dias adietado em relação as restantes árvores. A chegada a Alpedrinha, novo passeio a pé até ao Palácio do Picadeiro. Localizado num ponto alto da pequena vila, a sua vista espantosa pelos vastos montes da Beira Baixa, o seu interior recuperado para receber visitantes com salas temáticas, onde a que mais chamou a atenção foi a de multimédia. Nesta, é possível caminhar ao som de vários ambientes do campo, desde a chuva ao som dos animais no campo. Continuamos as visitas pelas ruas da vila onde passamos pela Igreja Matriz e o Pelourinho. Regressamos ao autocarro para regressar ao Fundão. Usamos a autoestrada e a entrada da mesma, ao longe vimos a vila de Castelo Novo. Na chegada ao Fundão, o autocarro deixou-nos na estação, para que o guia se despedisse.

No tempo de espera do comboio, o sentimento de todos os passageiros era de um dia bem passado, onde todos estavam extremamente agradados com as paisagens e simpatia encontradas na região e pela comida que bem nos recebeu no almoço. Antes da chegada do comboio o grupo permaneceu em conversa até cada tomar o seu lugar no Intercidades 544 as 18:46 rumo à capital. Para mim, foi uma viagem inesquecível da qual espero repetir, quem sabe, já no ano que vem, aconselhando a todos que realizem a viagem, pois será um dia em passado em excelente companhia e ambiente da qual as paisagens e cerejeiras são rainhas.

Nota: Esta rota apenas se realiza nos primeiros sábados do mês de Abril, dado que é quando as cerejeiras se encontram em flor. Para adquirir o bilhete da rota tem que se pré-reservar através da CP. O número mínimo de participantes é de 10 pessoas.