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Acervo do MNF incorpora lote de material para sucata em venda da CP – 06

museu[Conclusão] Na sequência da notícia de mais um abate de material circulante para sucata, e por o envolvimento da Fundação Museu Nacional Ferroviário ser um mistério no processo, tentamos emprestar alguma claridade neste tipo de acções para o contexto cultural presente e futuro.

Depois, porque havendo ainda muito material circulante abatido ao serviço para ser alienado pela CP, era importante saber como responde o sistema na preservação e valorização desse tipo peças. E neste caso concreto também porque a FMNF omitiu a presença de acervo seu num no lote para sucata. Quando questionada, enquanto entidade publica, não o justifica.

Depois de termos tido conhecimento da deliberação do Conselho de Administração da CP, autorização de venda de material circulante abatido para a sucata, solicitamos alguns esclarecimentos ao operador público quanto à presença e reserva de veículos para Museu.

“Pensamos que estará a referir-se à decisão do Conselho de Administração da CP sobre este lote de material no Entroncamento. Nesse contexto, informamos que a FMNF foi, como é hábito, consultada tendo havido um processo iterativo entre ambas as entidades até se chegar à posição definitiva, a qual se encontra agora em concurso público”, respondeu fonte CP quando questionada se a deliberação reservou algum material para Museu.

O cenário de sucata para material circulante abatido comporta ainda vários lotes para alienação. E uma vez que da FMNF se desconhece o papel no “processo iterativo”, interessou-nos saber, até por causa de futuras alienações de material abatido, se existia algum inventário, alguma lista. Algo que de forma automática salvaguardasse o material de interesse histórico CP passível de ser vendido para sucata.

“Existe efectivamente uma listagem de material que, numa primeira fase – há alguns anos – foi identificado pela FMNF como de interesse para preservação. Neste momento a Fundação Museu Nacional Ferroviário (FMNF) informou estar a proceder à revisão dessa listagem”, disse fonte CP.

O que questionamos não existe. Existem no entanto listas, como a que coloca a UTE 2001 como peça de Museu no Entroncamento. Por outro lado a criação de uma nova lista poderá desresponsabilizar a FMNF pela sua inercia e falta de cultura na preservação de material histórico espalhado pelo Entroncamento e país.

No Entroncamento existe quem lembre o estado de abandono do material histórico estacionado no armazém de madeiras, e como poderá ser conveniente para a FMNF ser desclassificado. “Ele tem este património na sua responsabilidade e nada o faz para proteger, MNF, CP, e IP, todos deveria em conjunto achar uma solução para resguardar estas peças”, refere fonte associativa sobre esse acervo. Mas sem ligação o material poderá ser destruído como sucata, em definhar sem que seja um desafio para a instituição desenvolver os seus fins.

Note-se, para concluir a sequência, que neste processo tudo o que é produzido pela CP, e até pela parte ferroviário da IP tem interesse potencial para a FMNF. Resta saber se a competência da entidade chega para escolher e valorizar o “lixo” das duas empresas. A FMNF também foi questionada sobre estes temas, mas até ao fecho desta sequência não respondeu. Posição que levanta dúvidas sobre o efectivo papel da entidade neste, e em processos futuros.

 

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