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Boletim Informativo. Ferroviários Socialistas

boletimSocialistasO primeiro Governo Constitucional, presidido por Mário Soares, estava em pleno exercício de funções. O mundo ocidental, para além do clima da guerra fria, conhecia, então, a maior crise do pós-guerra, causada pelas variações dos preço do petróleo que, duramente, afectava o pais. Internamente lutava-se para consolidar a democracia, evitando os radicalismos inicias da revolução, e iniciavam-se as negociações para a entrada na CEE.

Os modelos económicos e sociais, em disputa política, estendiam-se a todos momentos e áreas da vida portuguesa. As empresas não foram excepção. Quer na actividade sindical, quer nas comissões de trabalhadores, quer, mesmo, em organizações de profissionais com filiação ou simpatia partidária. Neste caso são os ferroviários afectos ao PS que sentem a necessidade de se manterem activos pelo que se organizaram em núcleos.

As funções do Boletim, do qual aqui trazemos o número 1, são duas: informar sobre o que se passa nos núcleos e de mais importante no partido e formar para que os camaradas soubessem o mínimo indispensável para responder aos ataques de colegas com outra filiação partidária “particularmente no que respeita à legislação laboral proposta ou promulgada pelo Governo e a Assembleia da República”. Como se vê, trata-se de acção política partidária pura, sem que se vislumbre qualquer ligação directa à empresa ferroviária.

Ficamos a saber, no espaço dedicado ao NOTICIÁRIO, que se realizara no Porto primeira fase do II ENCONTRO NACIONAL DOS FERROVIÁRIOS SOCIALISTAS onde se debateram os temas: Organização do PS na CP; Organização Sindical; Controlo de Gestão. A segunda fase, a realizar no Entroncamento, foi adiada para não colidir com a actividade partidária e governativa nas comemorações do 25 de Abril.

A última parte é dedicada a esclarecer as diferenças entre Controlo Operário e Controlo de Gestão que, concretamente opunham o Projecto de Lei n.º 8/1, apresentada pelo PCP e a Proposta de Lei n.º 43/1 apresentada pelo Governo Constitucional à Assembleia da República: Ambos os documentos, em breve, iriam ser alvo de discussão pelos deputados. Como se pode ler ao longo do artigo, o que estava em causa eram dois modelos políticos, duas formas de pensar a gestão empresarial, o papel dos trabalhadores nas empresas, o próprio sistema económico e, no limite, o modelo do próprio estado. Mais uma vez o que está em causa ultrapassa, largamente, os interesses dos trabalhadores ferroviários.

Para terminar, o Boletim, aconselha dois livros: O Triunfo dos Porcos, de George Orwell e Por uma Política de Concórdia e Grandeza Nacional, de Francisco Salgado Zenha.

Este tipo de documentos, de poucas páginas – neste caso 3, reproduzidas em fotocopia ou em stencil, ajudam a revelar, com grande rigor, uma época. Este documento não é excepção. Se não fosse por outra coisa se-lo-ia pelas diferenças com a realidade dos nossos dias. Pelas forças em confronto, pelo compromisso cívico e pela acção em prol de valores.

autor: Carlos Barbosa Ferreira