free web
stats

“A situação actual da Linha do Tua”

Prezados amigos:

A Linha do Tua sofreu novamente, nestas últimas semanas, um período de grande impasse e instabilidade que fez com que surgisse alguma polémica novamente em torno da questão.

Ao contrário do que se pode pensar, o Metro de Mirandela não está cá só para “Inglês ver”. Esta empresa municipal foi responsável por criar e gerir o primeiro Metro de Superfície do País e foi, até à data, a única entidade a conseguir reabrir um troço de Caminho-de-Ferro desactivado (mantendo traçado e planos originais) no Governo de Cavaco Silva (88 – 92, troço Mirandela – Carvalhais). Este Metro foi pensado para servir as centenas de estudantes e trabalhadores que se deslocam entre Carvalhais e Mirandela, e que são na casa dos 75.000 passageiros anuais (o triplo do aeroporto de Beja).

Na altura (1995), a CP ainda efectuava serviço na Linha do Tua, e o Metro estava apenas limitado ao serviço neste sub-troço. Mais tarde, depois de a CP deixar de “explorar” o troço entre Mirandela e Tua, a Metro de Mirandela assegurou o serviço às populações, a troco de um valor mensal. Este valor tinha de existir, visto que a Linha do Tua continuava a ser uma infraestrutura pública e que devia ser concessionada pela nossa empresa de transportes ferroviários pública.

Após os estranhos acidentes de 2007 e 2008, o cenário agravou-se um pouco, tendo-se encerrado o troço Cachão – Tua ao serviço ferroviário. O Metro de Mirandela, porém, persistiu, e continuou a assegurar o serviço quer com dinheiros do município, quer com a “ajuda” da CP.

O que aconteceu recentemente é que … Desde Janeiro de 2016 que a CP não dava a sua parte. E tudo isto deve-se ao facto de existir um Plano de Mobilidade que está prestes a ser accionado, e que pretende a exploração turística e comercial de todo o Vale do Tua. O município de Mirandela não poderia, de todo, segurar sozinho a despesa de um Caminho-de-Ferro que serve outros 4 concelhos e que tem ligação à restante rede ferroviária Nacional (sim, porque o comboio deixou de ir a Foz-Tua, mas passaram a ir Táxis de substituição, também suportados pela autarquia)!

Foi então que o Engenheiro António Branco, Presidente da Câmara de Mirandela, pressionou quem de direito, e o resultado está à vista: a CP vai continuar a dar o seu apoio durante pelo menos mais um ano, pois seria impraticável a Câmara de Mirandela continuar a segurar o barco sozinha.

Noves fora e opiniões à parte – A Linha do Tua continuará a servir o povo do Vale do Tua.

Mas a nossa opinião vai um pouco mais longe: E o resto?

Assistimos (na semana passada) à venda de uma das nossas mais bem estimadas “Mallet”, a E166, a única que curiosamente estaria devidamente bem colocada para ser “agarrada” pelo operador privado que quer ficar com o Plano de Mobilidade – que, segundo consta, quer explorar turisticamente a Linha do Tua.

Por sua vez, do dito Plano, ainda ninguém ouviu falar. Apenas se sabe que fará mais transbordos para percorrer escassos kms do que as escalas de um avião que venha da Austrália, e que ninguém pôs em cima da mesa a possibilidade de uma nova “Linha do Tua”, acima da cota da barragem, eletrificada e alimentada com a energia desta.

E não é que toda a gente saiba, mas o MCLT garante que estudos feitos em prol desse Plano de Mobilidade, que constam no RECAPE (Relatório Conformidade Ambiental e Projecto de Execução) são de tal maneira absurdos que avaliam a procura potencial da Linha do Tua em raios de 500 e 1000 metros à volta das Estações (façam um exercício mental e pensem se a Estação de Porto-Campanhã ou Lisboa Santa-Apolónia apenas servem pessoal nesses mesmos raios…).

Perante isto, e perante uma EDP que “manda mais do que quem manda”, acho que está tudo dito: Continua a política de “achincalhamento” da Linha do Tua, e continua a imperar a fenomenal estratégia de não dar o devido valor ao transporte ferroviário Português nas vertentes de maior proveito (comercial e turística).

Parabéns à Autarquia de Mirandela pelo feito, e por continuar a lembrar que a Linha do Tua (e as outras todas) são nossas, construídas pelo povo e para servir o povo.

Movimento Cívico pela Linha do Tua 09 de Maio de 2016