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Olhar de um Passageiro Norte dia 3

guimaraesEstaHoje é domingo, véspera de feriado do 25 De Abril. A viagem para Guimarães está marcada para as 8:20. O nevoeiro no Porto apresenta-se carregado, e na rua o frio intenso. Nem parecia que no final do dia de ontem tínhamos apanhado uma tarde de sol na cidade. O pequeno-almoço ficava para o destino do dia, a cidade berço.

Na estação de São Bento, quando chegamos, já existia algum movimento, mas o comboio ainda não estava na estação. A composição proveniente de Guimarães deu entrada na linha às 8:05. Ocupei um lugar perto da janela. A viagem até ao Lousado correu muito bem, tranquila. Os urbanos do Porto continuavam a surpreender pelo à-vontade dos passageiros, e pelo facto de as viagem até ao seu destino serem longas, mas que não se tornam desconfortáveis.

O comboio arrancou do Lousado e a partir daí a viagem começou a pesar. Para quem não está habituado, é dura. O percurso de curva contra curva começa a maçar, o comboio não consegue aumentar velocidades na linha. As estações estavam vazias e não entravam passageiros. Dava a impressão do comboio parar apenas por parar. Durante esta parte do percurso, pensava para mim mesmo, será que um Alfa aqui será benéfico? Não irá o material começar a desgastar? Vendo bem, curva contra curva num comboio com pendulação activa pode começar a danificar o material. Na minha opinião, porque não se esticava o primeiro Intercidades para o Porto logo de manhã, e regressava com o ultimo comboio que parte do Porto? Não tenho voto na matéria, por isso não passaram de meras especulações que estou a formar enquanto admirava a paisagem que viao retratada através da janela de um comboio. Só me restava dizer, Guimarães à vista!

guimaraes_01Pequeno-almoço tomado, vamos iniciar a rota. Começamos pela Igreja de Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos, frente ao Jardim do Largo da República do Brasil. Um jardim bonito mas que estava, em partes, em obras. O que foi uma pena. Apesar de em certos ângulos as fotos terem ficado muito boas. Continuamos em direcção ao objectivo, o castelo de Guimarães. Pelo caminho, passamos no centro, onde só tenho de fazer elogios, tudo muito bem arranjado, as ruas muito limpas, nunca pensei encontrar o espaço tão limpo. Passei no posto de turismo para pedir um mapa da cidade para que pudesse andar sempre orientado.

Cheguei. Mais uma vez um sítio muito limpo, bem arranjado e cheio de turistas. Passei em redor do castelo onde acabei por entrar e correr as muralhas. Desci ao palácio dos Duques, mas não cheguei a entrar. Para alem da entrada ser paga e cara, estava cheio. Situação que certamente ia dificultar uma visita em condições para mim, que admiro a história de Portugal. Agora faltava-me ir ao sítio “Aqui Nasceu Portugal”. Tinha curiosidade em ver e enquadrar. Após uma longa caminhada lá consegui chegar e tirar a dita foto. Por ser ali perto, ainda com tempo para almoçar, entrei na Igreja de São Pedro. Adivinhem o que me calhou em sorte? Mais um baptizado. Parece que este foi o fim-de-semana da pontaria religiosa. Onde passava ou entrava algo deste género decorria. Para não falar que já tinha passado na cidade por outra igreja onde o chão estava coberto de pétalas. Composição típica de um casamento. Com tanta religiosidade eram horas de ir procurar um sítio para comer.

guimaraes_00Durante o analisar do mapa, fiquei com curiosidade em espreitar o Monte da Penha. Parecia ser um sítio onde ia gostar de estar. Pois não só era possível observar toda a cidade de Guimarães, como estar em contacto com a natureza. Escolhi a opção de subir no teleférico. Algo que não gosto muito de andar, mas que até gostei especialmente, pois as vistas a medida que íamos subindo iam começando a ser melhores. A viagem demora cerca 7 minutos e o preço do bilhete é relativamente barato na modalidade ida e volta. Mas há quem se aventure subindo e descendo caminhando. Cá em cima a vista é de cortar a respiração. É extremamente linda e o santuário fica muito bem localizado. Ali é possível fazer refeições, passear, estar um tempo ao ar livre, ou apenas apreciar a bela arquitectura que hoje já não é possível encontrar em Portugal. Visita feita, eram horas de voltar ao teleférico, e fazer as últimas compras para regressar com recordações ante de rumar ao Porto.

A viagem de tarde foi agradável apesar do caminho sinuoso no ramal de Guimarães, mas que o comboio até teve bastante aderência. Praticamente não havia lugares sentados, e as conversas de fundo em várias línguas foi a música ouvida até chegar a São Bento.

No Porto continuavam as muitas pessoas que se podem ver na cidade a ocupar as ruas e dar vida aos espaços. Aquela cidade tem para mim cada vez tem mais encanto. O passeio seguiu pelas ruas da Invicta. Procuramos sítios para ver, percursos para fazer e o mais importante, onde jantar. Acabei por ir ao mesmo sítio de ontem pois gostei bastante do espaço. Mais uma vez, o jantar foi agradável e a comida estava deliciosa. Antes de regressar ao quarto, uma última volta já com a noite a romper o sol. Fui ao topo da ponte D. Luís I, ver a vista da ribeira de outra perspectiva e mais uma vez gostei. E o facto de o metro e cidadãos poderem partilhar o mesmo espaço é algo muito bom, pois assim para se ter aquelas vistas, não temos obrigatoriamente de usar o metro.

Amanhã o dia vai ser passar no Porto, tal como o ultimo texto que falta desta aventura. Sem pressas, pois o fim-de-semana está a acabar e o regresso a Lisboa está cada vez mais perto. Algo que eu preferia não me lembrar.