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Oficinas da EMEF Figueira da Foz e outras instalações afins uma solução para preservar a coleccão do MNF

MuseuEstremozUm dos graves problemas com que se debate a Fundação Museu Nacional Ferroviário, FMNF, para além de outros, é o da questão da preservação do material circulante indiciado para espólio, e que neste momento se encontra sob a figura de reserva(s) museológica.

Como é do conhecimento público, e muito se tem dito, peças de valor incalculável, que escreveram a história do caminho-de-ferro português, correm sérios riscos de conservação.

A preservação da colecção constitui uma mais valia futura, sendo que Portugal é um dos países da Europa, que reúne um amplo espólio, que urge preservar nas devidas condições.

Começando pelo Entroncamento, onde permanece a maior parte da reserva, é bastante preocupante o estado em que se encontram as locomotivas expostas nos jardins da FERNAVE (Antigo Centro de Formação) aos elementos, peças únicas, em estado muito precário.

No denominado armazém de madeiras, também no Entroncamento, onde se encontra a maior mancha da reserva, há de tudo um pouco no que se refere a estado de conservação. Peças que ali foram depositadas em razoável estado, mas porque mercê dos elementos, ou porque não foram devidamente acauteladas, algumas já se desmantelaram “per si”, outras correndo risco semelhante.

Nas imediações da sede do Museu Nacional Ferroviário, MNF, o panorama é idêntico, sobretudo desolador no que se refere ao estado em que se encontram as carruagens Schindler, B600, vagões, gruas, automotora Nohab, e outras, correndo o inevitável risco de desagregação se a curto espaço não forem tomadas medidas urgentes de preservação.

Na Pampilhosa, a locomotiva BA 61, encontra-se abandonada numas instalações cobertas mas sem qualquer tipo de vigilância tendo a mesma sido sujeita a todo o tipo de vandalismos.

Figueira da Foz, ex oficinas da Emef, supõe-se que esteja algum material com interesse, sobretudo um trator GE e uma carruagem cama, LX de 1ª classe, pertencente ao comboio socorro.

Em Contumil estão uma locomotiva a vapor da série 220, um comboio Schindler do vinho do Porto, um trator GastonMoyse, a automotora Fiat, para além de outros, sob a mesma indefinição.

Gaia, o abandono das locomotivas ali estacionadas pelo “seu pé”, em péssimo estado de abandono e conservação.

Valença, secção museológica cuja cobertura apresenta graves sinais de conservação e até ameaça de ruína

Lagos, situação idêntica à anterior, onde inclusivamente já foi retirado o acesso ferroviário a esta secção museológica e também a correr o risco de vandalização.

Vila Real de Santo António, carruagens de passageiros, peças únicas, que se encontram numa cocheira à mercê do vandalismo e da degradação.

Perante este cenário, o Estado Português, Ministério do Equipamento e Ministério da Cultura, as empresas / entidades relacionadas com esta matéria, (CP, Comboios de Portugal; FMNF, Fundação Museu Nacional Ferroviária; IP, Infraestruturas de Portugal) não apenas do foro museológico, não podem permanecer indiferentes deixando que a situação se arraste assistindo-se a um agravamento do estado da questão.

Uma das principais medidas que urge tomar é identificar espaços disponíveis com capacidade e condições de poder albergar tão importante e vasto espólio.

A EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário) tem cessado funções em algumas localidades, deixando disponíveis espaços oficinais capazes de exercer essa função de preservação.

Estamos a falar de uma empresa do domínio público ferroviário, ligada à CP, cujas instalações desativadas poderiam ser afetas para o efeito e incorporadas na área do Museu / FMNF, podendo em muitos casos funcionar como reservas visitáveis, dando continuidade ao já iniciado processo de descentralização do MNF (Museu Nacional Ferroviário), através da celebração de protocolos com as autarquias.

Concretamente, um dos espaços que se avizinha de suma importância deste domínio são as oficinas da Figueira da Foz que reúnem excelentes capacidades para o efeito na área da via larga.

Na mesma linha de análise, podíamos ainda acrescentar outros espaços como o da Pampilhosa, Coimbra, Barreiro, no essencial.

No âmbito da via estreita, e com possibilidades de exercer a mesma função, podemos referir as estações de via estreita de Livração, Régua, Corgo, Tua, Pocinho e Sernada do Vouga.

Qualquer dos espaços mencionados têm acessibilidade ferroviária, o que facilita em muito a movimentação de material a efetuar para os mesmos.

Tão importante questão não pode ser da exclusiva responsabilidade do Museu / FMNF, uma vez que esta entidade não está dotada dos meios necessários para levar a cabo uma operação de tamanha envergadura. Quer pelos meios logísticos que exige, quer pelos custos financeiros que a mesma poderá envolver.

Uma solução deste género, deveria ser tutelada pelo Estado Português com diretrizes muito bem definidas envolvendo o Ministério da tutela e restante entidades já mencionadas no âmbito deste texto.

Uma questão “quase nacional” por se estar perante um património tão vasto e de incalculável valor que corre o risco inevitável de se perder, cabendo ao Estado Português encontrar os meios para o solucionar num quadro que se avizinha possível e exequível, se o tema for considerado como tal.

 António Pinto Pires

1º presidente da comissão executiva instaladora do Museu Nacional Ferroviário
Doutorando em museologia
Covilhã, maio de 2016