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Olhar de um Passageiro Norte dia 4

olharP_Porto_13Chegamos então ao último dia desta aventura. Como se diz, o que é bom passa depressa, e mais uma vez essa teoria confirma-se. Parece, na minha cabeça, que ainda ontem estava a caminho de Braga, no Bom Jesus do Monte, ou até mesmo no teleférico a caminho da Penha, e mais logo já será tempo de regressar. Mas antes de desembarcar em Lisboa, vou ver o Porto em dia da Liberdade.

A manhã começou cedo, perto das 8 horas. Para o dia de hoje programamos uma visita ao World of Discoveries. Um parque temático, perto da alfândega do Porto, que retrata a história dos descobrimentos portugueses. Mas como só abria às 10 horas, no percurso até ao equipamento pelas ruas do porto, fomos descendo com calma, desfrutando das lojas que estavam abertas para fazer tempo. Quando chegamos ao World of Discoverie ainda não estava aberto e tivemos de esperar um pouco. Adquiri o meu bilhete.

Devo dizer que este deve ser um programa muito divertido para famílias que passem o fim-de-semana no Porto, ou até que apanhem o comboio de manhã em Lisboa e regressem no mesmo dia. O valor do bilhete de entrada depende da modalidade. O mais caro custa 19€, e contempla visita ao parque, à exposição temporária e almoço no restaurante Sabores do Mundo, situado no último andar do edificio.

olharP_Porto_10A visita começa na sala das caravelas. Através de embarcações em modelismo, o parque mostra a evolução da construção naval portugueses. Na mesma sala estão ainda expostos artigos de época usados na navegação, como bússolas e astrolábios. Na sala seguinte, relativa aos descobrimentos, entra-se nas viagens, toma-se um primeiro contacto com os grandes navegadores e os sítios descobertos e conquistados.

Sublinho o facto da sala ter painéis interactivos em várias línguas. O suporte permite que todos possam explorar o espaço, ao seu ritmo, e não prejudicando os estrangeiros. Sendo mesmo possível ao visitante escolher a sua própria língua para interpretar a exposição. A sala seguinte retrata o interior de um navio. Remete para o imaginário das viagens. Entre outros aspectos vemos como a tripulação dormia, ou o que se transportava na altura. À escala real de um navio, o ambiente insere-nos na pele de verdadeiros marinheiros.

Agora sim, a parte mais aguardada da visita. Na última sala do parque embarcamos num barco e a viagem é feita na água.  A flutuar o circuito  leva-nos a percorrer  momentos marcantes, de diferentes épocas, do período das descobertas portuguesas. A viagem começa em Lisboa com a partida dos portugueses, passa por Ceuta, contorna o gigante adamastor, entra na selva africana, desembarca na Índia, na China, alcança o Japão e termina com no Brasil. Esta viagem dura cerca de 22 minutos, e transporta-nos aos sítios por onde, há muitos anos, os portugueses passaram, desembarcaram e conquistaram. Para mim, está uma reprodução excelentemente reconstituída. É possível refazer esta viagem com amigos ou familiares.

No fim deste passeio fomos ver a exposição temporária. A proposta temática recupera o episódio da conquista de Ceuta. A sala apresenta-se ilustrada com acervo da localidade e entra no enredo histórico da conquista da antiga praça forte africana. Logo à entrada salta à vista uma maqueta de como era a cidade na altura em que os portugueses a conquistaram. Visita feita, foi tempo de ir à loja comprar os produtos que servem de lembranças de um sítio onde é possível viajar no tempo.

olharP_Porto_11Com este passeio terminado, demorou cerca de duas horas, era tempo de ir almoçar. Hoje queria almoçar na margem sul do rio Douro, em Vila Nova de Gaia. Neste dia os barcos de cruzeiros das 6 pontes estavam parados. O rio estava muito cheio e a corrente forte, e isso deu-me a noção de que os barcos podiam não passar por baixo da Ponte D. Luís I. O restaurante escolhido foi o S. Martino, um restaurante italiano com pratos muito bons, e uma vista lindíssima sobre a margem do Porto.

Almoço terminado demos a a ultima voltinha. Primeiro por Gaia e depois pelo Porto. Fomos andando devagar pela marginal até alcançar a margem norte do rio Douro. Porto acima seguimos até aos Aliados, passando pelo Teatro de São João, onde a minha residencial era perto. De mochila as costas apanhamos o comboio em São Bento cerca de uma hora antes do Intercidades para Lisboa. Em Campanhã os últimos preparativos da viagem estavam feitos.

olharP_Porto_12O comboio em causa é o 524 com partida do Porto as 16:52. Chegada a Santa Apolónia as 20:00. Hoje a máquina é a 5608, acompanhada de 8 carruagens, 6 de segunda classe, uma primeira e um Bar.

O comboio segue cheio e à tabela. Pára em Gaia, Espinho e Ovar antes da chegada a Aveiro. Aqui já leva quase 8 minutos de atraso. E até Coimbra-B apanha mais 3 minutos. A chegada ao Entroncamento o comboio já levava 7 minutos. Daqui para baixo, o comboio foi sempre a andar chegando a Santarém com apenas 3 minutos de atraso. Em Vila Franca de Xira já chegou à tabela. No Oriente a entrada na estação aconteceu com cerca de 2 minutos de adiantamento. Foi uma viagem em que houve um pouco de tudo, desde à tabelas, aos atrasos, passando pelo adiantamento à chegada a Lisboa.

Desta minha aventura, o resumo que lhe posso fazer é que superou todas as minhas expectativas que levava a partida. E mais uma vez digo, com toda a franqueza, que recomendaria este fim-de-semana a qualquer amigo meu. Fosse em par ou em grupo de amigos, pois chegava a Lisboa com o mesmo sentimento com que eu cheguei e certamente usariam a minha expressão que digo no final de cada viagem. Missão Cumprida!