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Nova temporada Comboio Histórico do Douro alguns números

vaporDiesel_00Agora que o vapor voltou ao Douro na tracção do Comboio Histórico, e se prepara para uma época longa de viagens comercias turísticas, aproveitamos para olhar algumas dimensões de números disponíveis. Números que mais do que olharem para um comboio a vapor, procuram aquilo que a CP Comboios de Portugal não mostra ter capacidade para aproveitar quando tem meios, autorizações, e ainda tem material circulante. Um desafio também para a Infraestruturas de Portugal na capacidade comercial e de  potenciação da infraestrutura do Douro.

Depois porque a linha do Douro mostrou, num contexto da Região Norte entre 2013 e 2015, que não foi pela tracção Diesel ou a vapor, que a procura do Comboio Histórico acompanhou o Grande Porto. Ou o posicionamento recentemente de uma parceira na oferta para um segmento médio alto, mostram que a linha vende o comboio mais do que o contrário. No entanto, e existindo pistas e argumentos para um esforço, a conjuntura não tem mostrado que a ferrovia se apresente como um produto âncora. Não se vê no modo mais criatividade (produção) e consequentemente mais oferta, mas estando em pé, preso por arames ou não, acaba por andar com maior ou menor dificuldade sozinha.

No “reinado” da English Electric azul da CP, a 1424, alguns números …

A importância do turismo na Região Norte, segundo o Turismo de Portugal, “tem vindo a crescer na última década, atingindo, em 2014, mais de 3 milhões de hóspedes e cerca de 5,4 milhões de dormidas”, nos empreendimentos turísticos do Porto e Norte de Portugal. Só o Grande Porto absorve cerca de 61% das dormidas na região.

Convém lembrar, quando o Grande Porto assegura 61% das dormidas, que a ferrovia está muito presente na cidade. O Porto assegura, via Porto-São Bento e Porto-Campanhã, mobilidade para programas no Minho, Aveiro, Braga, Guimarães e Douro. Cenário onde a estação de São Bento, além da função de mobilidade, surge apelativa para uma visita, e embora possa parecer ser mais do que óbvio dizer, esta será sempre um canal privilegiado para vender turismo ferroviário.

Dados de 2014 apontam 3 043 900 hóspedes, 5 400 608 dormidas, taxa de ocupação-cama 41,4%, e Receita por Quarto Disponível (RevPar) de 24,8 EUR. Valores que o destino não duplicou em 10 anos, mas convém não esquecer, são na ordem dos milhões. Em 2004, dez anos antes, dados do Instituto Nacional de Estatísticas apontavam 1 838 017 hóspedes, 3 330 650 dormidas, 36,8% de taxa de ocupação-cama.

Estadias e dormidas que certamente ajudaram a alimentar a lotação e número de saídas do Comboio Histórico. Entre 2014 e 2015, já diesel, a campanha da composição foi alargada e realizaram-se mais viagens sem que a ocupação média tenha decaído: “Mesmo com um aumento significativo de 62% nas circulações, em resultado do alargamento do período da campanha e da realização de viagens também aos domingos, entre 16 de Agosto a 4 de Outubro. A ocupação média dos comboios cresceu de 73,7% em 2014, de 184 clientes/comboio para 81,4% em 2015, com 203 clientes/comboio.”

Em 2015, ainda segundo a CP, a procura pelo produto ferroviário cresceu 82% face à campanha de 2014, “tendo viajado cerca de 6.200 clientes, aproximadamente mais 2.300 do que no ano passado.”

Aumento de procura que também se verificou nos desembarques do aeroporto de Francisco Sá Carneiro, no Porto, em 2014 e 2015. Revelam indicadores da Autoridade Nacional da Aviação Civil, para o ano de 2015 o desembarque de 4 milhões de passageiros. Número obtido com a soma dos passageiros transportados pelas operadoras nacionais, low cost, e estrangeiras, para o Porto. Mais meio milhão de passageiros que 2014. A maior subida registou-se nas operadoras low cost, com 2 459 218 passageiros desembarcados em 2015, contra os 1 821 595do ano anterior.  Aumento, embora mais modesto, verificou-se também nas operadoras estrangeiras a escalar o Porto, com 695 045 e 716 290  desembarques em 2014 e 2015 respectivamente.

A liderar a origem de não residentes de visita à Região Norte, dados avançados pelo Turismo de Portugal relativos a 2014, apontam por ordem decrescente a Espanha, seguida pela França, Brasil, Alemanha, Reino Unido e Itália. O organismo refere sobre as origens que o mercado brasileiro, espanhol, inglês e italiano “foram aqueles que apresentaram um maior consumo médio por pessoa e por noite, constituindo-se assim mercados relevantes para o aumento do gasto médio no destino.”

Segundo inquérito ao perfil dos turistas internacionais realizado no Aeroporto Sá Carneiro pelo Instituto Nacional de Estatísticas: “o consumo médio na região atingiu 872 EUR,” para cada 1,93 indivíduos numa viagem com duração média de 6,6 noites.

A Região Norte engloba a Cidade do Porto, Caves de Gaia – Vinho do Porto, Cidades históricas (Guimarães, Braga e Viana), Alto Douro Vinhateiro, Parques Naturais (ex. Parque Nacional Peneda – Gerês), Património Arqueológico (Foz Côa), Gastronomia e Vinhos ( ex.: Vinho do Porto).

Este ano o Comboio Histórico no Douro iniciou a temporada a 4 de Junho. Estão previstas 40 saídas, no mês de Agosto a oferta estende-se a todas as quarta-feiras, e ao feriado de 15 de Agosto. A época termina a 22 de Outubro.