free web
stats

“The Public Choice in the Railway Sector: Case Studies in the Douro Region”

tua

Estação do Tua – Linha do Douro

A ferrovia existente em Trás-os-Montes e Alto Douro foi o tema escolhido por Pedro Pinto para a sua Tese de Mestrado. Da investigação e agregação das várias dimensões associadas à presença do comboio no espaço resultou:  “The Public Choice in the Railway Sector: Case Studies in the Douro Region”.

A obra pode ser descarregada AQUI, mas antes fica o convite para uma curta entrevista que procura emprestar contexto ao trabalho académico e ao autor.

Webrails.tv – Como surge este tema e porquê? Que interesse pode ter na actualidade?

Pedro Pinto – Em Setembro de 2014, quando comecei a delinear os temas que poderia vir a abordar na minha tese de mestrado, entendi ser essencial desenvolver assuntos que estivessem na “ordem do dia”. Para facilitar a minha escolha, decidi revisitar tópicos que já tinha trabalhado no passado. Assim sendo, eram cinco as opções que estavam “em cima da mesa”: as duas possíveis respostas à crise económica mundial, o desempenho evidenciado por Portugal ao longo do processo de ajuda externa, as oscilações do preço do barril de petróleo entre o início da década de 1970 e a actualidade, os impactos das expansões do Metropolitano de Lisboa e a análise da rede ferroviária regional portuguesa.

Acabei por seleccionar a última opção. No 11.º ano, na disciplina de Geografia A, tinha redigido um trabalho muito interessante sobre os caminhos-de-ferro, intitulado “Os Impactos da Barragem do Tua na Linha Ferroviária e na Região”. Seis anos mais tarde, o desafio que propus a mim próprio era mais ambicioso: analisar as razões que presidiram ao encerramento parcial ou total não de uma – da Linha do Tua – mas sim de cinco linhas ferroviárias – da Linha do Douro, da Linha do Tâmega, da Linha do Corgo, da Linha do Tua e da Linha do Sabor.

Webrails.tv – Quanto tempo durou, e que etapas, deram forma a “The Public Choice in the Railway Sector: Case Studies in the Douro Region”?

Pedro Pinto – A elaboração da minha tese de mestrado arrastou-se por 14 meses. Como já tive oportunidade de referir, entre Setembro e Outubro de 2014, seleccionei o tema a abordar na minha investigação. Entre Novembro e Dezembro de 2014, recolhi os dados mais relevantes. Entre Janeiro e Março de 2015, analisei e resumi toda essa informação. Entre Abril e Junho de 2015, redigi a versão final do texto. Ao longo de todos estes meses, fui entrevistando algumas pessoas, que enriqueceram a minha tese de mestrado com os seus sábios depoimentos. Entre Julho e Setembro de 2015, melhorei e revi a versão final do texto. Finalmente, em Outubro de 2015, acertei os pormenores finais da minha investigação.

Webrails.tv -  Refere que foi um trabalho de persistência. Quer explicar porquê, e que momentos podem caracterizar a tese de mestrado?

Pedro Pinto – No momento em que decidi centrar a minha análise nas linhas de caminho-de-ferro transmontanas, já antecipava que a disponibilização da informação que pretendia – como o número de passageiros ou o investimento realizado em cada um desses cinco itinerários – seria relativamente morosa. Todavia, nunca imaginei que o processo se revelasse tão complicado. Ainda assim, os dados de que necessitava acabaram por ser disponibilizados a tempo da entrega da minha tese de mestrado – e isso foi o mais importante.

5. Do conhecimento alcançado que aspectos se podem destacar em “The Public Choice in the Railway Sector: Case Studies in the Douro Region”?

Na minha opinião, são dez os factores que explicam a supressão parcial ou total destas cinco linhas de caminho-de-ferro: a clara aposta nas rodovias, em detrimento das ferrovias, a inconclusão da rede ferroviária portuguesa, o isolamento dos troços distribuidores do itinerário colector, a persistência dos transbordos, a desconcertação dos horários, a redução das velocidades de circulação, a exclusão dos investimentos de inovação, o adiamento dos investimentos de substituição, a obtenção de um nível de manutenção extremamente baixo e as inadequações do material circulante.

Em suma, na minha opinião, ao contrário do que habitualmente se argumenta, o encerramento das linhas de caminho-de-ferro não pode ser justificado pelo reduzido número de passageiros mas sim pelo escasso investimento. Parece-me evidente que Portugal apostou excessivamente no sector rodoviário e insuficientemente no sector ferroviário. Chegou a hora de inverter esse paradigma. Espero que a “solução governativa” encontrada no rescaldo das últimas eleições legislativas tenha esse importante aspecto em conta.

6. A língua inglesa foi o idioma escolhido para este trabalho académico, porquê esta opção quando este pode ser um tema relevante para estimular o interesse pelas ferrovias do Douro?

Tenho a perfeita consciência de que este é provavelmente o “ponto menos favorável” da minha investigação. De facto, redigir em Inglês uma tese de mestrado desta natureza revela-se duplamente exigente: se, por um lado, é necessário traduzir de Português para Inglês a grande maioria das fontes de informação utilizadas, por outro, é muito mais complicado difundir as minhas conclusões em Portugal. No entanto, tendo em conta que o Mestrado de Economia era integralmente leccionado em Inglês, também a minha investigação tinha de ser redigida em Inglês.

Ainda assim, tendo em vista a minimização deste entrave, tenho vindo a traduzir novamente – agora de Inglês para Português – alguns excertos da minha tese de mestrado. A título de exemplo, acabei de redigir propositadamente para a revista Bastão Piloto um texto baseado em dois dos capítulos da minha investigação: a Introdução e as Ferrovias em Portugal. Espero, no futuro, poder traduzir para Português todos os excertos mais relevantes!

Artigo completo encontra-se disponível para subscritores.

Pedro Pinto nasceu em 1993, e é natural de Lisboa. Concluiu a Licenciatura em Economia da Católica Lisbon School of Business and Economics (CLSBE) em 2013. E em 2015 terminou o Mestrado em Economia do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). “Ainda assim, não é a economia propriamente dita que me entusiasma. Tenho um grande interesse não apenas pela área do jornalismo, em especial pela televisão, como também pelo sector dos transportes, em particular pelos ferroviários”, remata na pequena entrevista que nos concedeu para introduzir “The Public Choice in the Railway Sector: Case Studies in the Douro Region”.