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Olhar de um Passageiro – Lagos

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img: Estação de Lagos

Lagos! Foi aqui que tudo começou. Foi aqui, que desde que me conheço que aprendi a gostar de comboios. Considero esta a estação da minha vida. E claro, por sua vez, as locomotivas 1400 são as minhas favoritas. Eram estas que operavam serviço nesta linha, juntamente com as carruagens Sorefame.

A primeira memória que tenho desta estação remonta ao ano de 2001. Estava de férias com os meus pais e eu tinha os meus 6 anos de idade. Ia todas as noites ver chegar a Regional das 20:55 que procedia de Faro e manobrava após a sua chegada. Enquanto a inversão não estivesse totalmente concluía, os meus pais não tinham autorização de abandonar a estação, pois eu não permitia.

Pouco me lembro da viagem que fiz em 2001 entre a estação de Lagos e a de Faro. A tarde era quente, Agosto, e o comboio levava três carruagens. A máquina era claramente uma 1400 mas nunca vou saber qual o número da mesma. O comboio estava estacionado na linha três e a sua partida marcada para as 14:28. Creio que este comboio efectuava paragem em todas as estações e apeadeiros, porque me lembro de parar na Meia Praia e em Odiáxere, cujo edifício estava bastante degradado e abandonado. Na estação de Portimão o relógio marcava 14:46, onde era realizado um cruzamento com um comboio para Lagos. Cruzamento esse que voltou a acontecer na estação de Tunes com novo comboio para o término deste ramal. 16:05 E o comboio chegava a Faro na linha 1. Na estação, anunciavam que estava para breve a partida de comboio para Lagos, mais precisamente as 16:26. E nesse mesmo comboio entrei e embarquei de regresso. A paragem em Tunes foi mais prolongada, pois este comboio dava ligação ao comboio Intercidades que procedia do Barreiro e tinha como destino a capital do distrito algarvio. Em Silves deu-se o ultimo cruzamento até chegar ao destino, onde chegamos pelas 18:14 na linha 2. Na linha 1 partia pelas 18:22 novo Regional até Faro, cujo qual punha fim a minha primeira grande aventura no mundo ferroviário.

Durante os anos seguintes, sempre que ia a Lagos de férias tinha de passar pela estação para ver os comboios a chegar e a partir. Não só vi a evolução do material circulante, como os horários ou mesmo a construção da nova estação. Com tudo isto, muita coisa se ganhou mas muita outra também se perdeu. Aquilo que mais me custou, foi o encerramento da estação antiga. Aquela estação tinha muita vida e movimento. Não estou a dizer que isso se tenha perdido nos dias de hoje, porque a estação continua a ter bastante movimento, em especial nos dias de verão que os comboios normalmente andam sempre bem compostos.

Com a introdução do serviço automotor ganhou-se o conforto do ar condicionado, mas perdeu se o entusiasmo de viajar de janela aberta ao sabor do vento. Há que aceitar a evolução dos tempos embora eu me sinta um passageiro à antiga e goste de viajar de janela aberta. Talvez esse facto se deva ao de eu adorar os comboios a diesel e devido a minha idade já o tenha apanhado no fim do seu serviço, embora ainda seja possível ver comboios destes por esse país fora.

Para concluir, em jeito de comparação, a linha do Algarve, entre Lagos e Faro tem evoluído bastante desde o ano em que comecei a entrar na linha, desde as estações que foram fechando até aquelas que se foram modernizando como é o caso do troço Tunes-Faro que ganhou a electrificação e o comboio direto a Lisboa e ao Porto. Este ultima, era possível através do comboio Azul, embora esse demorasse mais de nove horas a completar o percurso, sendo que hoje em dia o comboio Alfa Pendular demora menos de seis horas.

Enquanto entusiasta da ferrovia, mantenho a minha opinião, o grande erro no Algarve foi a construção da nova estação que em nada trouxe de bom, apenas dinheiro gasto, pois o edifício em si não se torna nada de especial, perdendo toda a característica do antigo que se mantinha na linha do desenho da maioria das estações que ligam esta cidade a Vila Real de Santo António.