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Tomás Leiria Pinto pontos de vista sobre o ano que passou

PortofSinesAccessNa última última sexta-feira de 2016 estivemos à conversa com Tomás Leira Pinto e desafiamos o quadro do sector dos transportes para um ponto de vista rápido do ano que passou. Leira Pinto e sua equipa assumiram o rumo da ADFERSIT em Novembro. Uma associação que se caracteriza pela postura activa dentro dos assuntos ligados à mobilidade e modos de transporte onde promove debate e analise de problemas técnicos.

Como pontos positivos de 2016 Leiria Pinto destaca a definição, por parte da Tutela, de programas de investimento para a rede ferroviária e sector marítimo-portuário. A dinâmica dos portos, em particular o Porto de Lisboa “que ultrapassou os problemas com as greves e está a voltar ao movimento que tinha”, e o movimento de carga em subida constante nos portos de Leixões e Sines; emprestam contexto que aponta significativo quando a aposta portuguesa se tem centrado no crescimento das exportações como factor relevante para o desenvolvimento económico.

No modo ferroviário, embora considere que existem temas a tornar mais claros, refere que depois de um período de estagnação no sector o retomar do investimento na rede ferroviária por parte do Governo é importante.

A perda de passageiros nos transportes públicos, e reclamações sobre o serviço, em particular na área de Lisboa, é visto como um aspecto menos positivo no ano que passou. “Nesta altura os transportes públicos deviam – e penso que é opinião unânime – ser cada vez mais utilizados, e não é reduzindo a capacidade dos transportes públicos que se chega lá”, refere.

A par da mobilidade, as reversões nos transportes públicos são aspectos de inegável relevância, que puxa à conversa. A passagem da Carris para a autarquia lisboeta, o metro no Ministério do Ambiente, e a articulação com a Área Metropolitana de Lisboa, são importantes questões que para Leiria Pinto requerem ainda uma maior reflexão. Mas são assuntos onde admite que, com o tempo, inevitavelmente acabarão por ser clarificados

Fora de portas evidencia a ferrovia e o transporte marítimo. Sublinha num contexto europeu o reiterar da aposta da Comunidade Europeia na ferrovia de passageiros e mercadorias. E dentro desse quadro recupera o tema da separação infraestrutura do transporte. Uma realidade que não se verifica na Alemanha, na França, e em Espanha um modelo para a gestão integrada do modo ferroviário está em cima da mesa. “No fundo, depois das experiências não terem corrido bem, nomeadamente em França com o erro que houve na encomenda de material circulante que não cabia nas estações, começa-se a emendar a mão. Nos aqui estamos numa posição onde tudo demora a chegar cá”, mas existir esse debate lá fora, já é positivo, considera.

Ainda fora de portas, mas já num contexto internacional, como momento singular de 2016 destaca a inauguração do Canal do Panamá a navios de maior porte. O transporte de contentores em navios pós-Panamax supera os 12 mil Teu, mais gruas nos cais e um calado mais profundo, características que remete para a necessidade de novas estruturas portuárias. Neste contexto aponta o porto Sines como uma infraestrutura que se posiciona a este tipo de tráfegos e aberta a esse tipo de escalas. É nesse sentido que vê com bom olhos o acordar do debate em volta do terminal Vasco da Gama.

A rematar a nossa conversa confirmou para este mês a realização do Encontro Temático sobre a Linha de Cascais. “O primeiro debate é sobre o eixo de mobilidade Cascais-Oeiras-Lisboa, com as questões lançadas pelo caminho de ferro, e outros temas relacionados com o tema”, remata Leiria Pinto.