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Curso CAMINHO DE FERRO E PATRIMÓNIO FERROVIÁRIO em risco

lousDN_01O Curso Livre do CNC / APAI “Caminho de ferro e Património Ferroviário” está em risco de não se realizar por falta de inscrições. Onde é que os entusiastas, aqueles que não gostam de ser chamados assim, os ferroviários, e as associações, andam?

Estamos a poucos dias do inicio do curso, o tiro de partida está previsto para 18 de Outubro, e à imagem do cancelamento da primeira edição, a formação pode voltar a cair. A sala comporta perto de 40 pessoas, mas até ao momento conta apenas com 8 inscritos, e para se realizar necessita de um mínimo de dez pessoas.

O número não chega, refere o Centro Nacional de Cultura que organiza a formação com a Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial.

Mas se o primeiro curso passou pelo pingos da chuva, como se nada se tivesse passado, até por falta de mobilização de quem se interessa pelos temas da ferrovia. Este segundo esforço realiza-se no mês em que se assinala mais um aniversário do Caminho de ferro. Algo que deveria por si só chamar a atenção e ser mobilizador. Não sendo, a indiferença de quem fala de caminho de ferro não pode ser esquecida.

Não sendo óbvio o interesse de pessoas normais, sem afinidade à temática ferroviária, em se capacitarem nas áreas propostas para este primeiro módulo. A formação proposta divide-se em dois, com o segundo modulo previsto para arrancar no primeiro trimestre de 2017. Resta saber quem está mais próximo do tema, devia e podia participar, mas não o faz.

Amigos dos Caminhos de ferro

Importa então lembrar o papel das associações do sector, aficionados, e ferroviários. E tendo em consideração que não houve nada dentro do que está proposto por CNC e APAI, não se pode deixar de desatacar os que reivindicam uma posição na ferrovia.

As associações, caso da APAC, CEC, AMF, são entidades colectivas reconhecidas, com capacidade humana e técnica, de temática ferroviária. Para além da componente lúdica, assumem-se como pró caminho de ferro, e defendem o Património Ferroviário. Se o curso não se realizar será importante saber o que fazem nesse sentido, uma vez que não sentem necessidade de apoiar quem o faz. Entender porque não viabilizam uma acção que pode capacitar pessoas para uma atitude mais activa e capaz face ao Património Ferroviário, uma vez que também defendem o Caminho de Ferro, e alertam para essa necessidade.

Porque se  a formação pretende realizar “uma abordagem integrada da história, da cultura, dos valores e dos bens ferroviários e do respectivo património cultural”, na capacitação de pessoas face ao Património Ferroviário, importa referir que as associações que defendem caminho de ferro a deixam cair.

Lembrar também os entusiastas, e os que assim não gostam de ser chamados, que querem opinar acima do senso comum. Para falar menos mas com mais consistência está pode ser uma oportunidade. O curso foca “os caminhos percorridos da afirmação da identidade e memória material e social de um dos principais transportes da era da industrialização de carácter universal e dos seus efeitos económicos, sociais e culturais”.

Estar atento, ter opinião, intervir, identificar e questionar as opções de forma mais activa e objectiva. Ou, porque não, desenvolver bases e caminhos, para na primeira pessoa, arriscar no desenvolvimento do Património Ferroviário de forma integrada. São ferramentas que a formação inicial pode estimular.

Por fim os ferroviários. O sector tem tradição e um história. Algo que 160 anos conferiu textura, mas também comprimiu. Nos detalhes da descompressão encontra-se a identidade da ferrovia. E ela está nos edifícios, no material circulante, nas profissões, ferramentas, objectos, regulamentos, pessoas. Ser ferroviário também será entender o que lhe dá sentido.

A rematar

Outro aspecto que explica o interesse desta formação inicial, entronca na necessidade das pessoas entenderem o que é o Património Ferroviário, e que este também é seu, e que por isso não se podem alhear ao que lhe acontece.

A conjuntura actual exige que cada um assuma posição. Como bem publico o património é de todos mas também de cada um. Situações como a amputação de ramais de acesso a núcleos museológicos, destruição de layouts em estações, ou a passagem de acervo museológico para a sucata, identificados a tempo podem ser trabalhados. Nunca será possível preservar tudo, mas não se pode abdicar de se saber qual o critério.

Na ferrovia existe essa necessidade. Se tivermos em consideração que temos uma Fundação Museu Nacional Ferroviário amorfa para além da gestão dos espaços museológicos. Ou uma Infraestruturas de Portugal sem consciência de Património Ferroviário conhecida para além de dormidas, e ocupação comercial de estações centrais. Torna-se imperativo aceder às dimensões do tema e questionar ostensivamente.

Iniciativa que também cabe aos entusiastas, aqueles que não gostam de ser chamados assim, aos ferroviários, e às associações, ter esse papel. Parte dele passa pelo Curso Livre do CNC / APAI “Caminho de ferro e Património Ferroviário”, se entretanto não cair por falta de inscrições.