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Luso inglesa Nomad Tech na mira de multinacionais

img: Daniel Nogueira

img: Daniel Nogueira

A participação da inglesa Nomad Digital na parceria com a portuguesa EMEF na Nomad Tech, pode passar para a Siemens. Recorde-se que a join venture, na parte nacional, só valorizou o capital da empresa na componente tecnológica em 25%, os restantes 75% foram oferecidos em troca de internacionalização.

Menos de 3 anos depois de ter sido criada para dar exposição internacional a soluções portuguesas em áreas de telegestão, eficiência energética, ou motores de tracção de baixo custo, o futuro da Nomad Tech e das soluções que desenvolveu está em aberto. Embora ninguém fale abertamente, apuramos junto do sector, que a Nomad Digital pode estar à venda, e o gigante alemão Siemens ser um dos compradores.

Questionada a Siemens portuguesa, sobre se o cenário se confirma, não obtivemos resposta até ao fecho do artigo. Mas mais de uma fonte consultada, quer junto ao “carril”, quer próximo da EMEF, ou atenta ao sector, não desmentiu esse cenário, e houve mesmo quem o associa-se com poucas palavras: “é para vender e fechar”.

Num eventual cenário de alteração da composição accionista da Nomad Digital questionamos como se enquadraria o equilibro na parceria Nomad Digital /EMEF, e na estratégia para os produtos desenvolvidos e comercializados pela Nomad Tech.

Uma dos argumentos apontados para o eventual desfecho, apuramos, centra-se no produto Lusogate. A solução confirmou a existência de alternativas de baixo custo que permitem prolongar a vida dos sistemas de tracção de comboios dentro da tecnologia GTO. Uma sistema em fim de ciclo de produção mas que equipa a ferrovia mundial, e está atingir a meia vida.

“A implementação do sistema permite que material circulante dentro da tecnologia GTO, que de outra forma teria de ir sendo encostado, ou mantido recorrendo a um investimento constante na manutenção e aquisição de peças, continue a operar a custos menos onerosos, e ainda consiga reduzir o consumo energético. Isto sem que a introdução do sistema Lusogate requeira um longo processo de homologação” escrevemos em Março.

Um mercado apetecível onde os grandes fabricantes se arriscam a perder negócio e lucro com as suas soluções actuais. Isto porque os sistemas associados aos motores de tracção estão globalizados e vão continuar ainda algumas décadas no activo.

Em Portugal, depois de 3 anos de testes, o projecto LUSOGATE já se encontra certificado e a autorização de circulação das automotoras Siemens 2300/2400 já foi emitida, para entrar vigor no dia 27 de Novembro. Por agora a solução só se encontra na CP 2401, mas existe a intenção de a levar ao resto da série.

A confirmar-se, no fim do processo de alienação da Nomad Digital, e sem o chapéu de empresa publica, a liquidação da Nomad Tech será o mercado a funcionar. O trabalho desenvolvido pela antiga Unidade de Inovação da EMEF mostrou ser bom, e poder dar retorno acima da média, e com isso estimulou o atenção dos grandes construtores.

Referir ainda que na base das soluções comercializadas pela Nomad Tech está o ambiente publico. Na investigação feita pelas universidades, e por outro, nas facilidades concedidas pelas empresas publicas. As instituições académicas materializam as ideias em projectos, e o sector publico, CP, EMEF, IP, cria o ecossistema de testes que valida os projectos e os configura para se apresentarem como soluções comerciais.

Com a luz verde no negócio será também interessante conhecer os contratos celebrados pela EMEF e CP Comboios de Portugal na criação da Nomad Tech, e como a gestão das duas empresas valorizou a tecnologia nacional, e defendeu o seu futuro. Será ainda importante aferir o custo da aplicação deste tipo de soluções a nível nacional através das multinacionais do sector.

Artigo completo encontra-se disponível para subscritores.