free web
stats

Direito de resposta: Regulamento 1 – circulação de comboios

Na sequência do artigo “Novo RGS-I mote para Pré-Aviso de Greve” publicamos na integra, como direito de resposta, o seguinte texto que chegou à redacção por mail.

.

Exmºs Senhores,

Trabalhei nos Caminhos-de-ferro, cerca de 36 anos, estive sempre ligado à área da circulação, na altura dizia-se “Movimento”, saí há dez anos, no entanto não deixo de seguir com atenção o que por ali se vai passando, vou mesmo conseguindo obter o que se vai fazendo de novo, e ao ler o vosso post, fique perplexo, pois nada daquilo é novo, e muito do que o Sindicato alude, não corresponde à verdade.

A seguir, deixo-vos umas palavras sobre o polémico Regulamento, deixando ao vosso critério o que fazer com estas mesmas palavras.
José Tavares

No passado dia 08 de Novembro, publicaram uma notícia, de que a entrada do novo Regulamento Geral de Segurança (RGS-I) a 1 Janeiro de 2017 podiam colocar em causa a segurança ferroviária e o fim de postos de trabalho no sector, segundo um Sindicato da CP (SFRCI). As informações são deturpadas e em nada, mesmo em nada, correspondem à verdade, pois tudo o que esse “novo” Regulamento contempla, já existe em Portugal desde, pelo menos, 1999!

Vejamos:
1. O “novo” regulamento, na parte que é referida na noticia, não traz nada de novo, apenas dispõe a matéria de forma ordenada e que foi recolhida de inúmeros outros documentos, pois encontra-se bastante dispersa, e nalguns casos, em documentos com mais de 60 anos!

2. Ao contrário do que o SFRCI afirma, não foi com a “separação da exploração da infraestrutura” que a segurança (tripulação) dos comboios passou a ser feita por duas pessoas, mas sim, desde os primórdios do Caminho de Ferro, pois no tempo do vapor, as tripulações eram constituídos no mínimo por 3 pessoas, mais tarde, já no tempo do Diesel, mantiveram-se as mesmas três e no principio dos anos 90, passou a duas.

Nada teve a ver com a “separação da exploração da infraestrutura”, pensamos, que se querem referir à separação da Empresa única em duas (CP e REFER), é a partir dessa altura, que é instituído o “Agente único”, e não o que o SFRCI agora alega, ser “coisa nova”;

3. Com a introdução de novos equipamentos, tanto nas carruagens/locomotivas, como na via-férrea, por toda a Europa e também em Portugal, desde 1999, que se efetuam comboios só com um tripulante, o maquinista, e desde esse ano, que se saiba, as coisas têm funcionado bem, e em segurança.

4. No caso de colhidas de pessoas na via-férrea (não só em casos de suicídio), o maquinista comunica ao Posto de Comando, que acciona o 112, a força policial e um seu elemento, para o local, tenha ou não, a pessoa sobrevivido. Quer dizer, ao contrário do que o SFRCI afirma, não é preciso ter sobrevivido, para accionar os meios de emergência, até porque o óbito é sempre confirmado por um médico!

5. Seja “modelo europeu” seja que modelo for, faz todo o sentido e é mais do que urgente é actualizar e adequar a regulamentação de circulação à nova realidade, que é a de várias Empresas a operarem em Portugal. A actual Regulamentação é do tempo da “empresa única”, o que como é óbvio, não está de acordo com a actual realidade.

6. Não é igualmente verdade, que em Espanha, existam “equipas nas estações” à espera que ocorra um acidente, existe sim, como cá em Portugal, é pessoal das mais diversas áreas, de prevenção, para que, tenham disponibilidade, com alguma brevidade, de se deslocar aos locais onde se verifiquem as ocorrências.

Os Posto de Comando de Lisboa, Setúbal e do Porto, bem como algumas estações garantem a segurança da circulação, ao contrário do que referem, não está apenas suportado no “Comando em Lisboa”.

7. Quando o SFRCI refere que do lado das mercadorias, na TAKARGO, o agente único já está em prática nas linhas de cantonamento automático, pois é nestas linhas que é possível, “esqueceu-se” de referir a FERTAGUS que opera desde 1999 e desde esse ano, opera com agente único.

É um “esquecimento que resulta da reacção meramente cooperativa e não de quem está preocupado com a segurança dos comboios.

.