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Nomad Tech integra a Alstom Digital Mobility

(FILES) Logo of French engineering groupO construtor ferroviário francês e a tecnológica ferroviária inglesa anunciaram no dia 21 de Dezembro a assinatura de um acordo de venda. No negócio a Nomad Digital deverá integrar a divisão Digital Mobility da Alstom como subsidiária .

A aquisição da empresa sediada em Newcastel, mas presente em várias latitudes, confirmou-se na quarta-feira e deverá estar concluída no início de Janeiro de 2017, adianta comunicado da Alstom. A partir de então, refere: “inicia-se a integração do grupo Nomad Digital na multinacional francesa, assegurando ao mesmo tempo que a empresa actue como subsidiária integral, mantendo a marca e identidade independente”.

Sobre a luso inglesa Nomad Tech, o comunicado apenas refere que a Nomad Digital também fornece soluções tecnológicas de manutenção remota em tempo real, assistente de condução, ou eficiência energética. Mas não deixa de destacar como factor relevante, para anunciar a aquisição da empresa inglesa, o papel crescente  do segmento tecnológico na ferrovia. Factor onde aponta o crescimento de 2 dígitos nos próximos anos.

Em Portugal, com aquisição da Nomad Holding Limited, a Alstom passa a deter 51% na Nomad Tech. Os restantes 49% dividem-se entre a EMEF, com 35%, e os restantes 14 por Augusto Franco (7%) e Nuno Freitas (7%) quadros da Nomad Tech, refere o Relatório e Contas da EMEF de 2015. No entanto, não deixa de ser curioso, num país como Portugal, que não compra material ferroviário à décadas e “estica” o ciclo de vida do que tem, a aposta na tecnologia seja valorizada em menos de 50%. Isto quando se sabe que um dos argumentos fortes da join venture passou precisamente pela redução do custo do ciclo de vida do material circulante, e soluções de manutenção remota.

O suporte fornecido pelos produtos Nomad Tech à manutenção da frota Alfa Pendular da CP pela EMEF, serve de exemplo. A criação da Nomad Tech em 2013 veio capitalizar o conhecimento originário da Unidade de Inovação e Desenvolvimento da EMEF, com “o objectivo de fornecer soluções de Telegestão Ferroviária – como a Manutenção Baseada na Condição (MBC) e Eficiência Energética – para o mercado ferroviário a nível mundial”, pode ainda ler-se no relatório.

No entanto, e voltando à manutenção dos comboios do serviço Alfa, a solução que começou a ser comercializada pela Nomad Tech possibilitou ir adiando a revisão de meia vida da frota. Revisão que se iniciou este ano depois de sucessivos adiamentos, e que acontece com quase 20 anos de serviço da frota, pouco mais de metade do ciclo de vida útil do material.  Mas com as automotoras Fiat, derivado ao suporte da Manutenção Baseada na Condição, a responderem à operação e rotação apertada, de forma fiável e segura.

Outro exemplo que vai estar disponível para ajustamento, e que radica também na redução do custo do ciclo de vida do material circulante, surge com a homologação nacional do projecto Lusogate. O sistema já se encontra certificado, e a autorização de circulação nas automotoras Siemens 2300/2400 válida desde o dia 27 de Novembro. Resta saber como, ou se eventualmente se encaixam, os 50 milhões de euros avançados pelo ministro Pedro Marques em Comissão Parlamentar, para manutenção da série e qual o figurino. E como será o contracto.

Mas se um copo meio de água, neste processo, corre o risco de ser olhado como meio vazio, ou meio cheio. Atrito na  tecnologia utilizada para mitigar a parca canalização de recursos na ferroviária, questiona se o copo não está meio vazio, e se não corre o risco de ficar sem água.

Olhando para a realidade global da empresa tecnologica inglesa, que pode crescer mais de dois dígitos nos próximos anos, o copo parece meio cheio para a Nomad Tech.

A intenção do modo ferroviário se apresentar mais competitivo, na operação, manutenção e exploração; por um lado. Por outro, tornar-se mais atractivo como alternativa de transporte para os passageiros. Remete para a necessidade de se apostar em soluções técnicas, e é nesse mercado que a Nomad Tech pode ter condições para crescer.

“Claro que o cliente adora ter bancos confortáveis, adora ter ar condicionado, adora ter wifi – preferencialmente de borla – para navegar na net”, mas o que realmente se valoriza é que o comboio cumpra horários em segurança, explica contacto do sector atento ao negócio, para referir que no caso da Nomad Tech, a empresa surge como um prestador de serviços com soluções para quem explora, e mantém esses comboios, enquanto a Nomad Digital oferece soluções acesso ao mundo digital.

A entrada da Alstom no capital da Nomad Holding Limited é vista de forma positiva. Detida por empresas de capital de risco – Amadeus Capital Partners, SEB Venture Capital e Deutsche Telekom Strategic Investments – a aquisição pelo construtor francês centra a empresa inglesa e luso inglesa no sector ferroviário.

“As empresas que são detidas por grupos de investimento estão sempre disponíveis para venda, para rentabilizar o investimento”, adianta. Por isso vê a integração na multinacional Alstom, e não no portefólio de um banco de investimento ou empresa de capital de risco, uma oportunidade para a Nomad Tech continuar a crescer, embora não acredite que aconteça com facilidades.

Artigo completo encontra-se disponível para subscritores.