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Modelismo Ferroviário: Apontamento com João Augusto

JoaoAugustoO modelista ferroviário João Augusto assume desde o início do ano o feed de modelismo ferroviário da webrails.tv. Aproveitando o facto, estivemos à conversa com o novo editor da temática, num diálogo que abordou os desafios e dinâmica que pretende imprimir à linha editorial, e dar a conhecer o modelista ferroviário.

WR: Tendo em consideração que um dos grandes objectivos de produzir informação e conteúdos na webrails.tv tem como propósito dinamizar as várias dimensões da temática ferroviária, o modelismo ferroviário em Portugal tem expressão para se produzir sobre o tema para aficionados e contribuir na dinamização do mercado?

JA: Claro que tem! O mercado português não é muito grande, mas existem pelo menos 3 associações temáticas com áreas de modelismo, e varias exposições e encontros temáticos ao longo do ano, que mostram alguma dinâmica, em que aparece bastante público, aparecem os fabricantes nacionais e já alguns comércios. De resto, desde que iniciei esta colaboração, todas as semanas tem havido notícias sobre o tema.

WR: Que temas e áreas podem ser exploradas no modelismo ferroviário?

JA: Iremos explorar temas como exposições, entrevistas com as associações, com os fabricantes e os distribuidores, com os modelistas e, daremos a conhecer temas que de alguma forma se intersectem com o modelismo ferroviário, por exemplo, fotografia e vídeo. Estamos abertos a sugestões que os leitores possam fazer e disponíveis para ajudar a publicitar eventos de forma a aumentar a comunicação entre todos os que temos interesse no modelismo ferroviário.

WR: Em que medida a actualidade internacional pode ter interesse para o feed?

JA: A maioria dos modelistas em Portugal começou com modelos estrangeiros e mantém interesse em novos modelos. Efectivamente, com o aparecimento de modelos portugueses, muitos modelistas começaram também a adquiri-los, mas mantendo o interesse pelos modelos estrangeiros, o que justifica o interesse para o feed.

WR: Que papel o feed de modelismo ferroviário pode ter na motivação do sector?

JA: Tentaremos publicar factos, eventos e novidades o mais actualizado possível, estabelecer pontes de contacto com os modelistas e leitores interessados. Se o nível de informação for bom, em qualidade e quantidade, certamente a motivação aparecerá e aumentará. Vamos trabalhar para isso.

WR: o que o fez aceitar este desafio da WR?

JA: Gosto de comunicação. Aliando este factor ao modelismo e ao projecto webrails, existe espaço para dinamizar os 3 factores.

À dimensão editorial que o modelismo ferroviário pode ter, aproveitamos para abordar uma dimensão mais pessoal. Em mais algumas questões procuramos saber um pouco o que move e desafia o interesse do modelista ferroviário João Augusto pela ferrovia de infraestruturas e comboios à escala.

WR: Quem é o modelista ferroviário João Augusto?

JA: 53 anos, profissional em vários ramos de actividade, tais como metalurgia, electrónica e comunicações, construção mecânicae saúde no sector não clinico, muito atento ao desenvolvimento da ferrovia, o primeiro conjunto de iniciação aos 8 anos, colecção de comboios franceses da época IV e V, alemães da época I e II, e mais recentemente portugueses, uma maquete entretanto desmontada, mas planos para fazer uma nova nos próximos anos, várias viagens de comboio ao longo dos anos em Portugal e na Europa …

WR: Como surgiu o gosto pelo modelismo?

JA: Desde pequeno, comecei pelos aviões, e mais tarde após as primeiras viagens em comboio entre Beja e Lisboa, e Lisboa e Castelo Branco, apareceu a atracção pelo modelismo ferroviário.

WR: Ainda te lembras do teu primeiro comboio?

JA: Sim, ainda o tenho, um conjunto de iniciação da Lima de 1971, com um Capitole da SNCF composto por uma BB 9200 e 2 carruagens GC, um circuito oval com uma ponte fixa e uma móvel …

WR: Como te defines dentro do modelismo?

JA: Gosto de modelos que retractem o comboio real, que sejam detalhados q.b. de forma a permitirem a circulação em vários layouts, gosto de melhorar os modelos que tenho, quer ao nível de detalhe quer ao nível de desempenho no layout, excepto pintura que peço ajuda a um amigo, aprecio mais o comboio de carruagens de passageiros …

WR: Como tem sido a evolução do hobby em Portugal?

JA: Tem muitos anos, mas não acessível a todos, infelizmente por razões financeiras. Ainda é um hobby caro, no entanto, com o aumento do nível de vida em Portugal, também apareceram mais modelistas, a internet ajudou à aproximação entre os modelistas através das associações e de vários eventos, criando uma dinâmica natural de crescimento e exigência de melhores modelos, existindo hoje em Portugal muitos modelistas com excelentes modelos nacionais e estrangeiros, adquiridos em fabricantes ou construídos pelos modelistas.

WR: Que momentos caracterizaram essa evolução?

JA: O aparecimento das primeiras lojas, a maioria hoje desaparecidas, o aparecimento de novas lojas, o aparecimento de associações, a distribuição em Portugal de revistas portuguesas e estrangeiras sobre o tema e, obviamente o aparecimento no mercado de modelos portugueses. Nas duas últimas décadas, a internet e a organização de encontros de modelistas deu um grande impulso à democratização do hobby pela aproximação que trouxe entre os vários actores.

WR: Como vês o presente e futuro da temática?

JA: Actualmente algumas das marcas mais importantes vêm desenvolvendo produtos para a geração mais nova, a fim de os entusiasmar no hobby. A evolução tecnológica, com a digitalização, o som e o interface com computadores, smartphones e tablets, será sem dúvida um atractivo para todos, desde os mais novos aos mais velhos. Eu próprio, que há relativamente pouco tempo atrás, não me interessava pelo digital, comecei gradualmente a ficar interessado e já iniciei a digitalização de alguns dos modelos. Por isso acho que o futuro será risonho.

WR: Ao nível de eventos. Como vês o que tem sido feito?

JA: Existe um esforço muito grande na qualidade dos eventos que se organizam, por isso era bom que continuassem e cá estaremos para os publicitar e fazer a respectiva cobertura.

WR: Existe espaço para mais iniciativas?

JA: Em 2016, das iniciativas a que assisti ou participei, todas revelaram bastante interesse dos modelistas, por isso a minha resposta é afirmativa, desde que o nível qualitativo não decresça.