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AR promove a mobilidade ferroviária de bicicletas

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img: tuareg

A Assembleia da Republica Portuguesa (AR) publicou, em Diário da Republica de 3 de abril de 2013,  uma resolução  a recomendar à Tutela que assegure as condições para o transporte de bicicletas no operador ferroviário de passageiros público.

Em 4 pontos a AR procura promover a mobilidade e alargar o uso da bicicleta no transporte ferroviário. Compromete a Tutela e o operador público Comboios de Portugal, a pensar os comboios  Alfa Pendular (AP) e Inter Cidades (IC) nesse contexto. Lança o mote para se apostar em desenvolver um serviço vocacionado para o transporte de bicicletas, com tópicos como a confirmação de lugares disponíveis, ou a criação de um título de transporte associado. Refere a melhoria das estruturas ferroviárias nas condições de acesso às composições. E puxa as ligações internacionais para um papel na promoção da mobilidade com bicicleta.

Alfa Pendular

Alfa Pendular

Do ponto de vista de João Rosa, um ciclista e trabalhador ferroviário, classifica a iniciativa da AR como ” uma ótima ideia.” Mas quanto ao transporte de bicicletas  no serviço AP tem dúvidas, e refere que “tecnicamente é mais complicado do que no transporte  em IC´s“. Embora o seja também no  serviço de IC, o ferroviário  explica que ” é uma ideia exequível, desde que seja condicionada ao número de bicicletas possível  de serem  transportadas” refere.

Intercidades

Intercidades

E adianta, recorrendo ao exemplo do extinto comboio regional  para o Algarve que partia do Barreiro, que a solução mais prática  podia passar por esse tipo de comboios. ” Uma ideia seria haver mais comboios regionais pois tecnicamente estes comboios têm capacidade para transporte de mais bicicletas. Havia um regional para o Algarve que acabou. Nesse comboio chegavam a circular alguns passageiros com bicicletas, apesar de ser um comboio pouco divulgado e por consequência ter acabado.”  E sugere “ Tem que se apostar nos serviços regionais. Como uma ligação regional, com material tipo UTE, entre o Barreiro e Évora “.

Regional

Regional

Por outro lado refere a experiência na Fertagus , onde o transporte de bicicletas é gratuito, “La é permitida a circulação de bicicletas mas por vezes são tantas que chegam a colocar em causa a segurança dos passageiros. Devia de haver um limite para que houvesse um equilíbrio entre o número de passageiro e as bicicletas.”  Numa UTE aponta o limite do transporte de 4 a 6 bicicletas.

No global a apreciação da resolução da AR para o  ferroviário ciclista João Rosa é positiva. “Julgo que a ideia da divulgação do transporte de bicicleta no transporte ferroviário é uma mais-valia.” Mas não esquece, e vinca, que existem questões que não podem ser descuradas, como a segurança ou qualidade do serviço de passageiros, e sublinha ” tem que ser equilibrado o transporte. É importante salvaguardar a segurança dos clientes e tripulações dos comboios. “

A resolução publicada a 3 de Abril em Diário da Republica  resulta de três iniciativas parlamentares e uma petição pública, debatidas na AR  e aprovada a 8 de março 2013. Em cima da mesa estiveram três projectos de resolução, entre as reivindicações o direito dos cidadãos ao transporte dos velocipedes nos comboios de longo curso AP e IC’s.

No contexto da “Unidade de Missão para a criação de uma Carta de Mobilidade Ligera” , através do elemento que representa o operador ferroviário, a CP assumiu já ter iniciado  o processo de estudo técnico relativo ao transporte de bicicletas nos comboios de longo-curso. Nesse sentido é possível que as composições  bar dos IC’s  sejam convertidos em espaços para transporte de bicicleta, assim que terminem as suas consessões, optando-se pela disponibilização de máquinas automáticas de café. Para os Alfa-Pendulares, estão em estudo as hipóteses de transporte de bicicletas nas carruagens existentes.

 

 

Em resolução aprovada a 8 de março, AR nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendou ao Governo para garantir junto da CP – Comboios de Portugal, E. P. E. (CP, E. P. E.) os seguintes pontos:

1 — A continuação dos esforços de alargamento do transporte de bicicletas aos comboios Intercidades e, se tecnicamente possível, também ao Alfa Pendular, tornando esse transporte uma realidade nos próximos meses.

2 — A avaliação de estender essas facilidades ao transporte ferroviário internacional.

3 — A criação de boas condições para o seu transporte dentro das composições e no acesso aos cais de embarque.

4 — A possibilidade de garantir previamente o transporte de bicicleta através da emissão de título próprio associado ao bilhete do passageiro, ou por outro modo de efeito idêntico, permitindo a programação individual confirmada desse transporte, e a divulgação da prévia disponibilidade de transporte existente para cada comboio.

Resolução da Assembleia da República n.º 43/2013