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Uma maquete em escala N: Green Farm

António Madeira junto à Green Farm

António Madeira junto à Green Farm

O modelista ferroviário António Madeira, desenvolveu ao longo dos últimos 15 anos um layout de inspiração americana a que chamou Green Farm Layout. É uma instalação em escala N que ocupa uma área de 4 x 4 m, com cerca de 60 m de linhas e 41 aparelhos de via, consistindo num duplo loop inserido num dog bone. Esta é basicamente Fleischmann e alguns aparelhos de via da Arnold, sendo que a colecção de modelos americanos é composta por várias dezenas de locomotivas digitalizadas e várias dezenas de veículos entre carruagens e vagões, sendo a maioria da Kato e Atlas. Para além disso também tem algum material Athearn, Micro-trains, Deluxe, Intermountain e Roundhouse. O layout está digitalizado com um sistema da Lenz ST100.

WR: António, de onde vem a paixão dos comboios?

AM: Tudo começou quando eu tinha cerca de 5/6 anos. Era época de Natal, e estava de férias em Portugal. Nasci e vivia em Angola. Passei com a minha mãe e irmão pela Rua do Ouro, quando me deparo com a vitrina de uma loja de brinquedos (hoje sei que era a Biagio e Flora), que tinha um comboio em exposição, acho que era um Märklin. Fiquei apaixonado pelo modelo e de imediato pedi à minha mãe para mo comprar, ao que esta me respondeu ser muito caro.

Uma locomotiva Garratt do Caminho de Ferro de Benguela

Uma locomotiva Garratt do Caminho de Ferro de Benguela

Conformado, lá segui rua abaixo em direcção ao Terreiro do Paço prometendo a mim próprio que um dia havia de ter um comboio.

Acresce que nasci perto de uma estação de caminhos-de-ferro, onde me deliciava a ver as manobras dos vagões e as enormes locomotivas a vapor articuladas Garratt dos CFB-Caminhos de Ferro de Benguela.

WR: Em que medida essa paixão o levou a desenvolver o projecto Green Farm?

Locomotivas Santa Fe

Locomotivas Santa Fe

AM: Como referi, muito jovem fixei a ideia de ter um modelo ferroviário, e em 1975, então com 23 anos, comprei a primeira locomotiva e alguns tramos de via H0. Mais tarde, por razões de espaço, mudei para escala N mas, só muito mais tarde, timidamente, comecei a construir o meu primeiro layout.

Vista geral da maquete

Vista geral da maquete

Entretanto, por razões profissionais, comecei a viajar para os USA, com alguma frequência. É quando descubro o modelismo americano e a história dos caminhos de ferro, que estudo com alguma profundidade, a sua importância no desenvolvimento do país, que é um continente, e a riqueza histórica subjacente.

Foi uma boa maneira de aprender um pouco da história dos Estados Unidos da América e do seu desenvolvimento económico e industrial.

Green Farm Village

Green Farm Village

WR: No universo americano, que companhias escolheste e porquê?

AM: Como é fácil de perceber, dada a dimensão da América, existiram e ainda existem, desde 1826, dezenas de Operadores Privados, com excepção da Amtrak, que é pública e resultou da fusão da maioria das operações de passageiros de diferentes empresas.

Das mais míticas, ressaltam a UP-Union Pacific e a ATSF- Atchison, Topeka and Santa Fe Railway, mais conhecida por Santa Fe. Dado a nostalgia e história da operadora escolhia a Santa Fe como base do meu layout.

WR: Ao nível de cenários, é possível ver que utilizaste um pouco de tudo. Queres desenvolver? A povoação é espectacular…

AM: O layout actual é feito a partir do anterior, de base alemã, mas consideravelmente maior. Numa das extremidades do layout, podemos ver casas e edifícios europeus.

Green Farm Rail Stock Facilities Yard

Green Farm Rail Stock Facilities Yard

O restante cenário reflete a paisagem do oeste americano, uma fazenda com o seu típico barn (celeiro), uma vila com casas dos anos 20/50, feitas a partir de kits em madeira cortada a laser, e finalmente, as montanhas de cor vermelha.

Uma particularidade, em 2015 estive no estado do Utah e trouxe um pouco de areia vermelha que foi aplicada em diversas zonas. De realçar que o cenário está em constante melhoria e alteração, sempre com o cuidado de ser mais detalhado e americano.

Green Farm Plant

Green Farm Plant

WR: E os modelos de locomotivas?

AM: A maioria das locomotivas são da Santa Fe ou da BNSF, que é a operadora resultante da fusão da Burlington Northen com a Santa Fe. Os modelos vão desde o anos 30 até à actualidade. A SF abrange 4 esquemas diferentes de pintura, e circulam todos ao mesmo tempo.

WR: O layout está digitalizado. Quais foram as razões e as vantagens da escolha que fizeste?

Green Farm Wharehouses

Green Farm Wharehouses

AM: Eu diria que é outro “asseio”, poder operar o modelo como se fossemos o maquinista, não há problemas de polaridade, das limitações da DC, podes ter dois comboios em sentido contrário na mesma via, etc, etc.

WR: Quais os maiores problemas de operação do layout?

AM: Pó, Pó, +Pó, limpeza de rodados e carril, enfim, falta de contacto eléctrico. Alguns problemas com os decoders e o emparelhamento de locomotivas, também são ocasionais. Recentemente, adquiri modelos com rodados RP25, o que me obrigou a adaptar toda a instalação da via para que esses modelos pudessem circular. Mas com a paciência de modelista necessária, consegui fazer essa adaptação.

Green Farm Yard

Green Farm Yard

WR: Como te defines dentro do modelismo?

AM: Não sendo um expert, e apesar da experiencia, tenho muito para aprender, particularmente, no cenário e na automação ou digitalização.

WR: Como vês o presente deste layout? Quais os projectos de futuro?

AM: Navego à vista e só estará pronto quando morrer. Gostaria ainda de fazer um diorama em bitola estreita. Talvez On30.

Estou a começar a fazer uma extensão para servir de garagem real para o material. Apesar da dimensão do layout não tenho espaço para por a maioria do material ao mesmo tempo, de modo que esta extensão aparece como um complemento natural.

WR: Publicamos de seguida um pequeno vídeo para que os leitores e modelistas da Webrails.tv possam apreciar o layout em funcionamento.